Segunda-feira, 24 de abril de 2017
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Manual do ficar, especial para pais

Por Julienne Gananian *


Para os pais que não viveram a onda do "ficar".

Alguns pais se aterrorizam quando pensam no desenvolvimento sexual dos seus filhos. O problema surge logo cedo, quando as crianças crescem e o papo começa a girar em torno das paqueras, dos namoros e, claro, do ficar.


Afinal de contas, o que significa este tal de "ficar"? Infelizmente não há como delimitar a duração ou intensidade desta relação. Para alguns jovens, ficar é só beijar, seja apenas uma pessoa - mesmo que por vários dias - ou ainda uma, duas ou mais numa mesma noite, em geral na "balada". Estabelece-se apenas um acordo: não há compromisso, isto é, quem fica não se sente obrigado a telefonar no dia seguinte e muito menos namorar.


Outros jovens - ou até mesmo adultos, já que este comportamento não é exclusivo dos adolescentes! - levam a questão mais a fundo e não só beijam e trocam carícias, como também têm relações sexuais com os seus "ficantes". "Se for feito de uma forma mecânica, sem atenção, sem consciência e principalmente sem afeto, a pessoa perde a chance de se relacionar verdadeiramente com o outro e até de viver o amor" alerta Sergio Savian, terapeuta de família e adolescentes em São Paulo.


Portanto, não há regras para o ficar, já que os limites são colocados, exclusivamente, pelo casal. Dessa forma, antes de pensar que só porque seu filho de doze anos ficou com uma menina, ele já foi bem mais além, tenha uma conversa franca para descobrir o que significa, para ele, ficar.

Colocando na balança: os prós e os contras

Há alguns anos a história era outra. Os adolescentes se conheciam, ficavam interessados ou já se apaixonavam e começavam, depois de paqueras e flertes, a namorar. Assumiam um compromisso sem conhecer muito bem o parceiro e, sob este aspecto, o ficar trouxe grandes vantagens, garante o terapeuta. Dessa forma é possível experimentar, descobrir certos prazeres e conhecer mais o outro, de uma forma lúdica e sem pressões.


Muitas vezes o envolvimento e o carinho aumentam e os dois percebem que não desejam mais ficar com outras pessoas. Inicia-se, assim o namoro propriamente dito, onde há um comprometimento maior. Portanto, uma das conseqüências do ficar pode, sim, ser um relacionamento mais sério, mas isso depende do casal e da química entre eles. Uma forma saudável de encarar a questão é esta, já que, se feito de uma forma consciente e com respeito, este comportamento transforma-se num ótimo exercício de descoberta e - por que não? - de convivência, preparando melhor o jovem para a arte de se relacionar.


Em contrapartida, essa experimentação deve ser ponderada, para evitar a sua banalização. Alguns jovens percebem isso e preferem não sair com todo mundo. Outros, porém, fazem competições de quem fica mais e, dessa forma, não vivem a experiência integralmente. Beijam apenas por beijar ou, como eles dizem, curtir a balada. "O ideal seria ficar sem fechar as portas para a continuidade da relação. Senão corre-se o risco de apenas usar o outro, de uma forma descartável, simplesmente pela satisfação individual" comenta Sergio Savian.

Diálogo, essencial para criar jovens responsáveis

Com tanta liberdade, como criar uma base, então, para que o ficar seja saudável para os adolescentes? A resposta não é nenhuma novidade: o diálogo. Como a questão dos sentimentos e da sexualidade ainda envolve uma série de tabus, medos e preconceitos, os pais devem pisar delicadamente neste terreno.


Uma sugestão? Tente falar de igual para igual com seu filho, com naturalidade, colocando a importância do ficar como uma iniciação, mas ressaltando, também, o valor de um relacionamento duradouro. "A convivência é um das melhores formas para as pessoas se descobrirem. Um namorado, por exemplo, serve como um espelho de suas atitudes. Você aprende a cultivar a paciência e a desenvolver sua inteligência emocional para dar continuidade à relação. Lógico que os relacionamentos também trazem à tona nossos problemas emocionais, mas o crescimento pessoal está exatamente na capacidade de confrontar nossas fragilidades" conclui o terapeuta.


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