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Rinite alérgica, um espirro atrás do outro

Por Carla Oliveira * em 19/05/2003


Vida de alérgico não é fácil! Aprenda porque acontecem as crises e o que fazer para evitá-las.

De uma hora para outra, o nariz começa a coçar. Logo em seguida, vêm os espirros. Começam repentinamente e vão aumentando, aumentando, até que se torna impossível sequer completar uma frase no intervalo entre um espirro e outro. Os olhos lacrimejam bastante e coçam, assim como a garganta. Só resta ir ao banheiro, lavar o rosto e ver se melhora. Não adianta. Instantes depois, espirros novamente. Nessa altura, o nariz já está todo entupido, e os olhos bastante irritados e avermelhados. É a crise de rinite alérgica que se instalou.


Por que isso acontece? O nariz é responsável por eliminar substâncias nocivas presentes no ar que inspiramos, para que elas não atinjam os pulmões. Os espirros, a coriza e a obstrução nasal são os mecanismos de que o nariz dispõe para realizar esta defesa. É isso o que acontece quando alguém pega uma gripe, por exemplo. Mas, uma pessoa alérgica possui reações de defesa exageradas contra certas substâncias - denominadas alergenos - que em outras pessoas passam despercebidas.


Isso significa que o alérgico pode apresentar estes sintomas ao entrar em contato com ácaros, por exemplo, enquanto uma pessoa não alérgica não manifesta nenhuma reação. Outras substâncias que podem desencadear as crises são: mofo, poeira, pólen, fungos, poluição e pêlos de animais. Fatores emocionais são importantes agravantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças alérgicas - como rinite, asma e dermatite - atingem cerca de 30% da população mundial.

A dura vida dos alérgicos

A predisposição à rinite alérgica é herdada dos pais. Se ambos têm algum tipo de alergia, o filho terá mais de 50% de chances de desenvolver alergia também, sendo a rinite o tipo mais comum. "A rinite pode começar a se manifestar em qualquer momento da vida, isto é, o indivíduo pode tornar-se sensível a um elemento que antes era bem tolerado, desde que tenha essa predisposição familiar", explica o Dr. Wilson Aun, chefe do Serviço de Alergia e Imunologia do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo.


Segundo ele, também é impossível prever se a alergia vai melhorar ou piorar ao longo dos anos. Para a estudante Denise Martins, 23, a primeira crise ocorreu há três anos. "Começou de repente e desde esse dia eu tenho crises freqüentemente", conta. Ela faz tratamento com homeopatia e diz que às vezes fica um ou dois meses sem ter nenhuma crise. Em compensação, há períodos em que não passa um dia sem se lembrar da alergia.


"Acabo ficando noites inteiras sem dormir, porque é difícil respirar. Também não consigo estudar nem trabalhar, por causa dos espirros constantes, da sensação de fraqueza que fica no corpo e da dor de cabeça", relata. Para ela, o pior de tudo é não conseguir se concentrar em nenhuma atividade quando está em crise. "Chego a espirrar 20 vezes seguidas. Uma vez, estava no meio de um bloco de carnaval e comecei a espirrar feito louca, não conseguia dançar nem conversar com minhas amigas. Comecei a me sentir mal e tive que ir para casa", revela.


A intensidade da crise é proporcional à quantidade de alergenos que entram em contato com o organismo do alérgico. Além dos desconfortos que provoca, a rinite alérgica pode causar outros problemas, como otites - inflamação dos ouvidos, sinusites - inflamação de cavidades existentes na face - e roncos, em razão do entupimento do nariz.

Combatendo os inimigos

No Brasil, o principal causador da rinite alérgica é a poeira domiciliar, composta na sua maior parte por restos de pele humana e de insetos, pêlos, fungos, bactérias e ácaros. Dessa mistura, os ácaros são os maiores vilões. Estes seres microscópicos, da família dos aracnídeos, gostam de viver nos colchões, sofás, travesseiros e roupas.


No inverno, os alérgicos sofrem mais, pois são usados cobertores e agasalhos que ficaram guardados no armário e que podem estar cheios de ácaros e fungos. Além disso, as gripes e os resfriados, comuns nessa época, comprometem as funções nasais, facilitando a entrada dos alergenos. É impossível eliminar os ácaros, mas existem alguns procedimentos que ajudam a diminuir a quantidade deste e de outros fatores desencadeantes, tais como:


  • Limpar a casa e, principalmente, o quarto do alérgico freqüentemente, sem usar vassouras ou espanadores, que espalham ainda mais o pó.
  • No quarto do alérgico, evitar cortinas, carpetes, estantes com livros, bichos de pelúcia ou qualquer outro objeto que possa juntar muito pó.
  • Manter a casa ventilada e ensolarada.
  • Lavar malhas e agasalhos que ficaram guardados durante muito tempo antes de usá-los.
  • Usar capas protetoras para colchões e travesseiros, que podem ser adquiridas em lojas de produtos antialérgicos.
  • Evitar contato com perfumes, produtos de limpeza, tintas, poluição, fumaça de cigarro, inseticidas e outras substâncias que irritam o nariz.
  • Evitar mudanças bruscas de temperatura.

    Formas de tratamento

    A rinite alérgica não tem cura, mas pode ser controlada. Além das medidas citadas acima, existem dois meios para combater a doença: os medicamentos e a imunoterapia. Os remédios mais usados são à base de corticóides e devem ser prescritos por um médico. Jamais tome remédios por conta própria, pois alguns possuem efeitos colaterais graves!


    "O que não se deve usar, em hipótese alguma, são os descongestionantes nasais com substâncias vasoconstritoras, aqueles de pingar no nariz. Eles podem até aliviar a obstrução nasal, mas são prejudiciais à saúde e causam dependência", alerta o Dr. Wilson.


    A imunoterapia é feita através de vacinas. São feitos exames de sangue e de pele para identificar os fatores causadores de alergia em determinado indivíduo. "Em seguida, são aplicadas injeções subcutâneas que contêm pequenas quantidades deste alergeno e vão imunizando o paciente", explica o Dr. Wilson. A quantidade de alergenos nas vacinas vai aumentando progressivamente, até o fim do tratamento, que é longo, mas traz bons resultados.


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