Sábado, 19 de agosto de 2017
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Incentive seu filho a brincar!

Por Elizabeth Polity *


Brincadeira é assunto sério e deve fazer parte do dia-a-dia das crianças para estimular a criatividade.

"É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral; e somente sendo criativo ele descobre seu verdadeiro eu". Com esta afirmação Donald Winnicott, psicanalista inglês especializado em crianças, dimensiona a importância do brincar para o desenvolvimento humano.


Entretanto, algumas famílias consideram as brincadeiras infantis pura perda de tempo. Devido às agendas lotadas com inúmeras atividades - consideradas mais importantes - e sem o tempo livre para brincar, muitas crianças hoje já demonstram sinais claros de estresse.


Por que isto acontece? Afinal, os pequenos têm energia de sobra, não é mesmo? Sim, mas falta a possibilidade de um espaço ou tempo organizador das atividades mentais e das emoções que as brincadeiras possibilitam. Enquanto se diverte, a criança vive momentos de reencontro com seu próprio eu, com suas necessidades, com seus desejos e fantasias que são canalizados por meio do brinquedo.

Como selecionar as brincadeiras?

Muitos pais se preocupam em oferecer uma formação ampla e diversificada para seus filhos. Até aí, nada de errado. Outros condenam os jogos eletrônicos e os programas infantis, geralmente a primeira escolha na hora da "brincadeira". Estes estão corretos em selecionar atividades próprias para cada faixa etária, mas também precisam proporcionar alternativas que substituirão, por exemplo, os programas que incitam a violência e comportamentos perigosos. Uma boa opção seria criar, para a criança, um espaço lúdico, onde a criatividade corra solta e ela exercite a socialização e o prazer da convivência favorecidos pelo brincar.


O que isso significa? Quando uma mãe diz ao filho pequeno "vá brincar", ela está dizendo jogar bola, fingir-se de médico, fazer um boneco de massinha, pintar um quadro, ou outra atividade qualquer, dentro de uma larga gama de brincadeiras. Talvez seja difícil perceber o que essas opções têm em comum, mas fica claro que todas são espontâneas, ativas e por si mesmas prazerosas.


A maioria das pessoas concordaria em que a brincadeira é algo bom. Crianças novas obtêm enorme prazer por meio da pintura, do faz-de-conta, de histórias, e de outras atividades lúdicas. Ninguém duvidaria do puro valor de diversão da brincadeira. Mas qual é sua importância? É suficiente deixar a criança num quarto com brinquedos ou objetos? Quais as atividades preferidas pelas crianças de diversas idades? Qual a melhor maneira dos adultos participarem?


Estas são questões importantes e percebemos que, principalmente nos primeiros cinco anos de vida, passar uma boa parte do tempo brincando é de suma importância. Tanto os pais como os professores devem saber que, ao proporcionar um tempo para brincadeiras, oferecem uma ótima oportunidade para que a criança cresça emocionalmente saudável.

A cada fase uma nova brincadeira

Durante toda a infância, cada habilidade aprendida significa um novo jogo a ser jogado. A criança de um ano e meio geralmente está feliz quando brinca sozinha, descobrindo e repetindo diversas ações, praticando habilidades que dominou e explorando suas variações. Depois, aos três anos, os pequenos adoram brincar juntos, em grupos não muito grandes, e aprendem sobre a vida por meio de faz-de-conta. A mais simples caixa de sapatos transforma-se em um carro de bombeiros muito sofisticado e este novo mundo, o da imaginação, será de grande importância para o desenvolvimento do repertório simbólico.


Quando já está na escola, com aproximadamente cinco anos, as brincadeiras tendem a ser dominadas por difíceis regras e situações, demonstrando a crescente complexidade de sua compreensão e de seu pensamento. Dessa forma, os desafios aumentam na mesma proporção que crescem as competências e o prazer de vencê-los com inteligência e criatividade.


A brincadeira exerce, portanto, um importante papel no desenvolvimento emocional e cognitivo dos pequenos, que devem ser encorajados e respeitados na sua necessidade de expressão. Ao estimularmos o tempo livre para brincar, a convivência com outras crianças, o respeito e a compreensão do seu mundo de fantasias estaremos proporcionando condições satisfatórias para seu pleno desenvolvimento.

Brincando de aprender

Com o passar do tempo, as crianças brincam de diversos modos e, quando as observamos, conseguimos descobrir em que nível de desenvolvimento cognitivo elas se encontram e verificar se existe algum atraso ou problema no seu crescimento. Elas aprendem muito a respeito da língua e do seu meio social mediante a observação e a execução desses padrões nos jogos e nas brincadeiras. Esta aprendizagem se ampliará principalmente no seio da família mas, para isso, os pais precisam ousar participar das atividades!


Resumindo, à medida que seu filho ingressa num mundo mais social, interagindo com adultos e outras crianças, ele desenvolve o faz-de-conta, aprende sobre os símbolos e depois sobre a linguagem, absorvendo informações sobre seu mundo. Por fim, desenvolve a capacidade de pensar logicamente e põe isso à prova mediante os jogos com regras.


* Elizabeth Polity é doutora em psicologia, mestre em educação e tem formação em psicanálise. Pós-graduada em terapia familiar e em psicopedagogia. É diretora do Colégio Winnicot, em São Paulo e dirige a Associação Paulista de Terapia Familiar. É autora dos seguintes livros:
Ensinando a Ensinar - Ed. Lemos, 1997.
Psicopedagogia: um enfoque sistêmico - terapia Familiar nos distúrbios de aprendizagem (org.)- Ed. Empório do Livro, 1998.
Dificuldade de Aprendizagem e Família: construindo novas narrativas - Ed. Vetor, 2001.
Dificuldade de Ensinagem: as histórias que os professores contam - Ed. Vetor, (no prelo).


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