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Prematuros, um exemplo de garra

Por Luiza Helena Marcondes * em 02/07/2001


Devido à imaturidade de seu organismo, bebês prematuros lutam pela sobrevivência desde os primeiros instantes de vida. Conheça alguns dos problemas enfrentados por esses seres tão frágeis.

"Todos os dias conversava com o bebê, acariciava a barriga e ele respondia com chutes. De repente, uma dor embaixo da barriga interrompeu nossa comunicação. Não tive dúvida, chamei um táxi e fui para o hospital. Eu estava no sétimo mês de gravidez e ainda não era a hora do nenê nascer. Minutos depois Lúcia chorava em meus braços, mas era prematura e precisava ficar internada na UTI", conta Luana Regina Sant´Anna, professora em São Paulo.


A luta de Lúcia começava ali. Com apenas 920 g e problemas pulmonares, a menina passou longos 124 dias no hospital tentando se restabelecer. "Logo nos primeiros instantes de vida já demonstrara ser uma guerreira", conta, emocionada, a mãe.


Desde do nascimento da pequena Lúcia dezessete anos se passaram. Superados todos os problemas dos primeiros meses de vida - alimentação por sonda, dias de incubadora, respiração artificial -, hoje a adolescente se prepara para prestar vestibular no fim do ano.


Naquela época, a situação dos bebês nascidos antes do tempo era bem mais complicada. Uma criança nascida aos seis ou sete meses de gravidez corria muito mais riscos. Hoje o índice diminuiu, mas os prematuros ainda precisam de muitos cuidados.

Quem é prematuro

Quando você pensa em prematuros, qual a primeira imagem que aparece? Um bebê pequeno, supermagro, chorando dentro de uma incubadora, certo? Talvez, mas o peso não é característica fundamental para definir o termo da gravidez. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), toda mulher que dá à luz antes da 37ª semana terá um filho prematuro.


As chances de sobrevivência desses bebês variam de acordo com o peso, as condições em que se encontravam na hora do nascimento e a formação dos órgãos e do organismo dos recém-nascidos. "Quanto maior a prematuridade da criança maior é o seu risco", diz o médico neonatal do Hospital Albert Einstein, César Lizo, de São Paulo.


Um bebê nascido com 500 g tem menos chances de viver que um prematuro de 1,2 kg, risco que diminui se o recém-nascido tiver 1,5 kg. A sobrevivência depende muito dos recursos oferecidos pela maternidade. O hospital precisa ter aparelhos apropriados e médicos capacitados a ajudar o bebê a vencer.

Anjos mecânicos

"O prematuro não consegue manter sozinho as condições vitais. Dificilmente uma criança nascida antes do tempo mantém a temperatura corporal", afirma dr. César. Nesse caso e em outras situações, os aparelhos hospitalares se encarregam de realizar as funções vitais que o bebê não consegue cumprir por si mesmo.


Prematuros podem ter diversas complicações, sobretudo pela formação incompleta de determinados órgãos. Um exemplo é o pulmão. A respiração do bebê é muito prejudicada devido ao funcionamento parcial do órgão. Outro problema freqüente é a dificuldade em se alimentar. Crianças nascidas antes da 34ª semana de gestação não conseguem engolir sozinhas.

Quase iguais

O tempo de recuperação do recém-nascido varia, mas o médico afirma que um prematuro nascido com 1 kg ficará internado na UTI neonatal entre 45 e 60 dias. Já um bebê de 500 g não sairá do hospital antes de três meses. "A internação é proporcional à resposta da criança aos estímulos e aos recursos oferecidos pela maternidade", explica dr. César.


Mesmo após deixar a maternidade, o bebê precisa de acompanhamento médico regular. Em alguns casos, o crescimento e o ganho de peso são diferentes do convencional.


Quando bebês, os prematuros são menores e mais magros se comparados a outras crianças da mesma idade. Contudo, por volta dos 2 anos, conseguem se igualar aos demais. "Crianças nascidas com menos de 1,5 kg, por exemplo, talvez passem boa parte da infância mais baixos que seus amiguinhos", completa o médico

Pré-natal é vida

Evitar um parto precoce não é tão fácil, mas uma condição é fundamental para diminuir seu risco: a realização do pré-natal. Como o exame, o médico terá condições de acompanhar de perto a evolução do feto e da gestante ao longo dos nove meses.


A garantia de uma vida saudável para mãe e bebê é fazer mais de seis pré-natais durante toda a gravidez, principalmente as mulheres abaixo de 20 anos e acima dos 35. Nesses dois extremos, segundo dr. César, o risco de um parto prematuro é grande. Quando ela é muito jovem, seus órgãos reprodutores não estão totalmente formados e numa idade mais avançada a probabilidade de doenças genéticas aumenta.


Gestação de gêmeos ou triplos eleva consideravelmente o perigo de partos precoces. "O peso dos bebês e possíveis problemas durante a gravidez impedem a mulher de chegar até fim do nono mês", diz o especialista. Outras causas que podem desencadear um nascimento prematuro são: hipertensão, diabetes, artrite reumatóide, entre outras.


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