Quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
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Coragem, papai!!!

Por Norma Leite Brandão *


Muito se tem falado da mulher e suas conquistas, pouco se comenta sobre o que os homens vivem hoje como pais. Pois falar em pai no começo deste novo século é falar de buscas, inquietações, ansiedades e descobertas.

Antigamente o pai era o único provedor do lar. Hoje se depara com ao menos três questões: capacitar-se, abrir novas frentes de trabalho e... encontrar espaço em sua casa. Como é isso mesmo? Você anda em busca do lugar que ocupa dentro de sua família, não é?


Chega em casa cansado e sua esposa está no escritório. Precisa de uma camisa, ela não está passada. Você troca fraldas, esquenta a comida, ajuda no dever de casa das crianças... Meio de campo embolado! Como ensinar essa tal de matemática hoje em dia? Essa menina está escrevendo errado! Coloca os filhos na cama e olha o relógio. A cidade está tão perigosa... nem isso ela compreende! Difícil localizar a contrariedade.

Mistura de papéis

Panorama complexo: o racional mistura-se com a emoção. Você sabe da importância dessa mãe no mercado de trabalho, por necessidade financeira, realização pessoal e profissional. Tem seu apoio, sua retaguarda, mas não consegue, agora, esconder sua inquietação quando ela chega e você a recebe com alguma destas frases: "As crianças perguntaram por você..." ou "Precisei preparar o leite e está faltando açúcar!" ou, ainda, de forma mais contundente, "Casou-se com aquele escritório?". Os papéis parecem se misturar.

Houve um tempo em que o pai sabia exatamente seu lugar, seus deveres e direitos numa sociedade estruturada de outra maneira. Se à mãe cabia acolher, proteger a prole, ao pai estava destinada a função de corte do cordão umbilical, do jogar os filhos para a vida com seus desafios. E você realizava essa tarefa com facilidade. Era tudo tão definido! Como fazer o mesmo hoje, quando acumula muitas das funções maternas? Como dar conta de tão importante missão se você está profundamente envolvido com questões emocionais, afetivas, com cuidados físicos e concretos em relação às crianças? Hoje você se vê às voltas com tarefas inesperadas e muitas vezes encontra dificuldades em assumi-las.

Pedido de socorro

O pai nunca precisou de tanta ajuda, de tanto apoio. Às vezes parece precisar de colo! Na realidade, pede mais. Necessita encontrar, além de caminhos profissionais, uma maneira de dividir com sua esposa a maneira de conduzir a educação dos filhos, de recuperar algo que sempre lhe pertenceu: o papel de soltar as amarras, apesar do olhar aflito da mãe, dos perigos do mundo.


Hoje, quando se pensa nos filhos, é quase inevitável se lembrar do passado. Estabeleça o paralelo. Como era mesmo? Você tomava ônibus, descobria a cidade com suas próprias pernas, realizava suas lições de casa com mais independência, comia de tudo! Ah, mas o mundo mudou! A violência está nas ruas, as crianças vivem outra realidade. Mas você há de concordar: essas crianças parecem estar, a cada dia, mais superprotegidas, mais criadas numa redoma. Conhecem mais as luzes artificiais dos shoppings, enxergam menos a luz do sol, a vida que corre nas calçadas.

Difícil, não? Como lhes mostrar o que, de fato, é o mundo, para que possam crescer conscientes, críticas, realizando uma leitura verdadeira do que as circunda? Não é isso que o mercado de trabalho lhes vai exigir no futuro? Não é o que um futuro relacionamento lhes vai cobrar?

Os filhos são do mundo

Os filhos nunca foram tão poupados, nunca estiveram tão dependentes da família.
Estende-se a adolescência. Na tentativa de oferecer o melhor, tiram-se deles oportunidades únicas de crescimento, simples atos que lhes dariam maior independência e confiança. É necessário que pai e mãe estejam juntos para refletir sobre essas questões desde cedo, pequenas questões do cotidiano que, gradativamente, façam com que essas crianças ganhem autonomia com responsabilidade.

Por onde começar?

Ir à padaria comprar os pães para o lanche, pegar o primeiro ônibus, fazer o percurso a pé para a escola, se esta se localizar perto de casa. Esses são pequenos passos que antecedem e preparam o terreno para o futuro. Lenta e cuidadosamente. Dá trabalho, no início? Dá, não se engane. Seu filho perderá o dinheiro, gastará em balas, na melhor das hipóteses! Mas essa vivência lhe proporcionará alguns elementos fundamentais para seu desenvolvimento: percepção, sintonia com o que ocorre a seu redor, responsabilidade, independência e, talvez o mais importante, a idéia de que está crescendo com a confiança nele depositada.


Você, homem, que viveu muito dessa realidade, sabe que ela foi a semente de tudo. Resgate com sua companheira seu caminho de criança e adolescente. Ajude-a a perceber que, se há medos, angústias no crescimento, há também ganhos e conquistas. Com certeza, a autonomia de seu filho não nascerá da superproteção ou de um caminho tão previamente determinado. As surpresas existem porque os fatos nem sempre correm da forma planejada por nós. Aí está a maior riqueza da vida: saber lidar com o imprevisível dessa grande aventura e com ele crescer. Solte as amarras lenta e gradativamente. Pai, esse papel é seu!


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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