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Dicas do fonoaudiólogo

Por Sonia Salama * em 20/03/2001


Ofereça à criança alimentos consistentes para trabalhar a articulação. Evite problemas de audição, selecionando os ruídos do ambiente. Atitudes simples garantem ao seu filho tagarela discursos sem erros.

O número de crianças que precisa de atendimento em fonoaudiologia tem aumentado, nos últimos anos, por vários fatores. Mas o principal deles é a falta da presença constante da mãe junto aos pequenos. Ela sai para trabalhar e nem sempre orienta a babá sobre hábitos saudáveis para seu filho. Você sabia que mastigar um bifinho - ou uma cenoura crua - é superimportante para o desenvolvimento da articulação? E que TV ligada no máximo prejudica os ouvidos?


Distúrbios na articulação e na audição geram problemas de fala e aí começam as substituição dos sons: k vira t, "tota-tola" em vez de coca-cola; x por s, chinelo fica "sinelo"; f no lugar de s, sorte é "forte"; omissões, "paede" para parede; contaminações, "papato", não sapato; reduções, plástico se torna "pático".


A audição requer cuidado especial, pois as deficiências nem sempre são rapidamente detectadas. Seguindo as orientações do fonoaudiologista e tomando alguns cuidados básicos você evitará o aumento de problemas nas áreas da fala e da audição.

Articulação em movimento

Alimentos consistentes: ofereça à criança alimentos variados. Crianças tendem a trocar "um bifinho por um danoninho", diminuindo a oportunidade de mastigar e deglutir. Processos importantes para boa articulação, pois aumentam a força muscular na região e permitem a adequada sensação da consistência do alimento.


Sucção: pré-requisito para trabalhar a articulação. Não é aconselhável aumentar o furinho do bico das mamadeiras, pois isso diminui o esforço do bebê ao sugar o líquido. Deixar que a criança tome mamadeira deitada também não é uma boa idéia. O líquido cai por si mesmo, sem que haja movimento dos músculos.



Hábitos orais prejudiciais: chupeta além do tempo necessário não é saudável. Há crianças que se habituam a falar com a chupeta na boca, prejudicando a inteligibilidade das mensagens, provocando controle ineficiente da saliva e perpetuando posturas impróprias dos lábios.


Igualmente perniciosa é a extensão do uso da mamadeira após os três anos de idade. Não tenha receio de que a criança passe fome; após um curto período de transição, a situação se normaliza.


Consulte um especialista em caso de predisposição genética e hipotonicidade muscular, que podem interferir no desenvolvimento adequado da arcada dentária.


Alergia nas vias aéreas superiores: poluição, ar condicionado e pó podem estabelecer hábitos bucais inapropriados, como a respiração bucal; isso interfere diretamente nas posturas orais e compromete o ritmo respiratório, o controle de saliva e a tonicidade do músculo da língua e dos lábios.

Audição monitorada

Ruídos competitivos: observe a quantidade e a qualidade dos sons de sua casa. Os pequenos precisam aprender a organizar e integrar estímulos sonoros. A exposição simultânea à musiquinha do videogame, ao apito do microondas, ao barulho do telefone, do celular e do interfone tocando confunde e dificulta o aprendizado. Há crianças que simplesmente "fecham" os ouvidos e não escutam nada. Nem mesmo o próprio nome.


Silêncio: tão importante quanto o estímulo auditivo. Ele é fonte de inspiração e necessário para a integração e coordenação de muitas informações que chegam até nós por meio dos vários canais sensoriais. Alterne momentos de silêncio com música, conversa e ruídos.


Compreensão da mensagem: ao dar ordens, cheque se seu filho está atento. Certifique-se de que a mensagem foi compreendida, evitando diferentes problemas de comunicação.


Monitoramento auditivo: a criança precisa se ouvir para se corrigir, recurso básico e fundamental para o seu desenvolvimento. Às vezes falam alto e não se preocupam em garantir que o interlocutor esteja atento.


Equilíbrio ao conversar: aumentando demais a intensidade do volume de sua fala ao repetir uma instrução, você limita a comunicação. Os pequenos falantes ficam tensos e menos abertos ao que devem escutar e processar.



* Sonia Salama é fonoaudióloga bilíngüe (inglês, português), mestre em Lingüística Aplicada, coordenadora da Clínica Potencial http://www.clinicapotencial.com.br/


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