Sábado, 24 de junho de 2017
Página inicial do clicfilhos.com.br
    

Já é hora de dormir...

Por Célia Svevo *


A cena se repete toda noite: seu filho não quer ir para a cama. Por isso o Clicfilhos lançou uma pesquisa para saber os truques mais utilizados pelos pais nessa hora tão crucial. Confira algumas das mensagens que recebemos!

Kátia Ima Kayser, de Caxias do Sul, é mãe de gêmeos de 18 meses, Giankarlo e Lukas e anda bem cansada. Diz que os meninos normalmente precisam ser embalados, no colo, durante horas antes de dormir. Além disso, acordam durante a noite, chorando. Como são gêmeos e dormem no mesmo quarto, acabam acordando um ao outro, o que só piora a situação.


Segundo o pediatra Leonardo Posternak, consultor do Clicfilhos, a passagem entre a fase de vigília e a de sono se dá de maneira abrupta. Num instante, milhões de células nervosas entram em repouso. No campo emocional e psicológico, essa transição acontece num ritmo menos acelerado. Isso explica porque, às vezes, a criança demonstra cansaço, mas não consegue dormir.


Para ajudar, recomenda o médico, atividades relaxantes e tranqüilas são sempre bem-vindas. O mais indicado é que pai e mãe participem dessas atividades, que devem ser calmas e repetitivas, como ouvir música, contar histórias bonitas ou desenhar. Naturalmente a escolha varia de acordo com a faixa etária.

Atitudes radicais exigem nervos de aço

Sharon Halaban, de São Paulo, viveu problemas semelhantes aos de Kátia quando seu primeiro filho, Dani, tinha mesma idade. Exausta por não dormir e já em fase avançada de sua segunda gravidez, desta vez de gêmeos, decidiu tomar uma atitude radical: colocar em prática tudo o que havia lido, seguir os conselhos do pediatra do menino, e mudar de vida. Punha o menino no berço, conversava muito com ele, fazia juras de amor, dava beijinho de boa noite, apagava a luz e saía do quarto.


"É lógico que a primeira semana foi um horror", diz Sharon. "Dani chegou a chorar por mais de uma hora seguida, mas depois se rendia ao cansaço e dormia. A cada 15 minutos eu ou meu marido entrávamos no quarto dele, explicávamos tudo de novo, e íamos embora. Mas ele resistia: chegou até a vomitar de tanto chorar. As semanas foram passando, ele viu que nenhum artifício funcionava e resolveu dormir", completa.


Quando os gêmeos nasceram Sharon já estava escolada. Aos três meses de idade, conseguia perceber quando os bebês estavam chorando por manha. Depois de averiguar se as fraldas estavam limpas e os meninos hidratados e munidos de chupeta, passou a adotar a mesma política.


No início, Davi acordava Ariel, mais dorminhoco. Mas ele aprendeu a adormecer apesar do barulho do irmão. "Se a mãe puder dispor de um quarto para cada um, tudo fica mais fácil. Hoje, o que faço, nos finais de semana, é retirar o primeiro que acorda e deixar o outro sossegado", ela recomenda.

Limites e rotina ajudam o sono chegar

Uma tentativa válida para assegurar o sono noturno, segundo o dr. Leonardo Posternak, é reduzir o horário de descanso à tarde. Outra dica do médico é que o quarto da criança não deve ser usado apenas para dormir, como se fosse um local de castigo. Ele também deve ser ocupado para brincadeiras. Assim a criança terá prazer em ficar no local e, como conseqüência, menos dificuldade de pegar no sono.


A maior parte dos pais garante que impor limites e estabelecer rotinas dão bons resultados. Josiane Lombardi, mãe de uma menina de quase três anos, garante que em sua casa não há negociação: às 21h 30, pontualmente, dá início a um ritual que se repete todas as noites. Mamadeira morna, pijama quentinho e dentes escovados, ela leva a filhota para o quarto. Acende uma luz bem fraca, massageia os pezinhos da mocinha com loção de camomila ao som de uma música suave e pronto!


Quando essa "mordomia" não funciona, fica no quarto mais um pouco, mas deixa claro que a menina terá que dormir sozinha, com seus bichinhos. Josiane garante que é muito firme, porém extremamente carinhosa. Para ela, as crianças sentem-se seguras ao saber que alguém está cuidando delas.

Bons hábitos para a família inteira

José Eugênio e sua esposa têm horários de trabalho diferentes e, na maioria das noites, quem está em casa para embalar o sono de sua princesinha de 1 ano e meio é ele. O casal percebeu que era preciso "padronizar" sua forma de agir - além de manter uma rotina - para que tudo corresse de forma suave. A televisão foi abolida nesse horário e substituída por brincadeiras bem calmas antes do horário de ir para o berço.


Depois da mamadeira e da chupeta quem dos pais estiver em casa deita-se numa cama ao lado, por alguns minutos, e em geral ela dorme logo. "Acho muito positivo desligar a televisão à noite, pois assim podemos brincar com ela. Essa nova rotina também foi importante para nós: deixei de assistir ao noticiário, leio o jornal pela manhã e fico mais com minha filha", conclui José Eugênio.


Andréa Grandi, de São Paulo, é mãe de Leonardo, um bebezão saudável que acaba de aprender a engatinhar. Encantado com essa nova "independência", desistiu de longas sonecas durante a tarde. "À noite ele fica até meio chatinho", diz a mamãe orgulhosa. Mas um banho quente (já com a chupeta na boca!), palavras doces e uma boa mamadeira são suficientes para nosso herói "empacotar" rapidamente.


A experiência de Cida O´Sullivan, de São Paulo, não é muito diferente da de José Eugênio, apesar de seus filhos já serem bem maiores - 6 e 8 anos: rotina, para ela, é o que resolve, mesmo que isso não signifique um antídoto para as reclamações das crianças. "Minha tradução para isso é que a intensidade das reclamações é diretamente proporcional ao cansaço deles", ela interpreta.


Após o jantar, as crianças de Cida relaxam um pouco, lendo ou assistindo TV. Às 20h 15, pontualmente começa a "operação apagão". Dentes escovados, pijamas vestidos, cada um vai para seu quarto esperar o beijo de boa noite da mamãe e literalmente apagar.

Criatividade e brincadeiras sedutoras

A secretária Lúcia Bowen de Belo Horizonte, teve de ser bem criativa para fazer com que Arthur, seu filhote de 2 anos e meio, sucumbisse ao cansaço. Inventou um personagem chamado "Soninho", que aporta no quarto do moleque, todas as noites, para convidá-lo a dormir. Mas antes, ela e seu marido conversam muito com ele, já com as luzes apagadas, para que ele relaxe e conte todas as aventuras do dia e receba muitos carinhos.


Ana Carla, de Brasília, tem um menino de 3 anos, que vai para a escola no período da tarde, chega em casa exausto mas recusa-se a ir para a cama. "Para resolver este problema eu o chamo para brincar de esconder do papai: corremos para o quarto, ele entra debaixo das cobertas para `desaparecer´ e depois de alguns minutos está dormindo", conta essa mamãe.


Limites, rotina, brincadeiras, personagens de faz-de-conta: vale de tudo para que as crianças durmam, depois de um dia cheio de atividades. O dr. Leonardo Posternak garante: criança segura, bem alimentada, que consegue brincar, manter um bom relacionamento com os pais e recebe limites claros e precisos terá melhores condições de dormir mais e com mais tranqüilidade. E faz um alerta: não esqueça de que cada pessoa tem seu ritmo e dorme o tempo que precisa, o que na infância varia de 8 a 12 horas por noite.


Comentário:    
       

Matérias relacionadas

   
Limites diante da telinha 11/06/2001 às 16:08:00

A televisão é extremamente poderosa e, se os pais não abrirem os olhos, correrão o risco de conviver muito pouco com seus filhos. Quantifique as horas e analise os programas que seu pimpolho está assistindo.E não esqueça que noticiário violento não é prog

   
A idade certa para ir à escola 07/06/2002 às 14:38:00

Meu filho tem 3 anos completos, fico em dúvida se está na hora de mandá-lo para a escola ou se, ainda, é muito cedo... Mamãe sempre acha que os filhos são pequenos demais...

   
A importância do sim 13/03/2010 às 10:24:00

Fala-se muito da importância de impor limites e dizer não aos filhos. Mas, às vezes, é preciso também dizer sim! Saiba mais!

   
A eterna magia do pó de pirlimpimpim 03/12/2001 às 16:14:00

Histórias infantis escritas na década de 20 resistem ao tempo e encantam as gerações posteriores.