Quinta-feira, 22 de junho de 2017
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Descobrindo a vocação de seu filho

Por Lucy Casolari *


As inquietações dos pais sobre o futuro profissional do filho começam cedo. Como afastar a ansiedade sem deixar de incentivá-lo?

Perguntas como "quais serão as facilidades do meu filho? Ele terá algum talento especial? Qual será, afinal, sua vocação?" revelam as ansiedades e expectativas quanto ao que acontecerá daqui a muitos anos, quando seu filho crescido for escolher uma profissão. É claro que por trás disso está presente, na cabeça dos pais, um mercado de trabalho altamente competitivo, em que se espera e se exige cada vez mais habilidades e competências.


Jovens vestibulandos ficam confusos ao escolher uma profissão, muitas vezes sem definir, sequer, se sua tendência mais forte encontra-se na área de Exatas, Humanas ou Biológicas. Diante desses casos, é provável que você tenha ficado ansioso e, até, penalizado. Afinal eles são tão novos, além do que, a variedade de cursos e carreiras aumenta a cada ano para atender às necessidades de uma sociedade com alto desenvolvimento tecnológico. Bons tempos aqueles em que a escolha se restringia a ser médico, engenheiro ou advogado...


Se você tem essas preocupações, procure se tranqüilizar refletindo um pouquinho mais sobre o assunto.

Facilidades e dificuldades

As crianças, desde pequenas, demonstram mais facilidade para uma ou outra atividade. Algumas se destacam na montagem de quebra-cabeças, outras se saem muito bem em tudo que envolve o desempenho atlético ou, ainda, a habilidade com palavras, cores ou números chama sua atenção. Em qualquer desses casos é importante criar oportunidades que ajudem a desenvolver essas capacidades já percebidas.


Providencie e coloque nas mãos de seu filho brinquedos ou jogos que trabalhem com esses elementos; pesquisando, certamente você encontrará uma grande variedade no mercado. Tenha, entretanto, um cuidado especial para não se restringir somente às atividades das quais seu filho gosta ou pelas quais demonstra maiores facilidades. Procure, também, estimulá-lo a fazer experiências nas áreas em que apresenta dificuldade, possibilitando o desenvolvimento harmônico de suas aptidões e auto-estima. O reforço direcionado às atividades que a criança gosta mais, em detrimento de outras em que tenha mais dificuldade, elimina os desafios e deixa lacunas que poderão causar problemas mais tarde.


Na escolha de atividades para seu filho, procure privilegiar aquelas que ampliem a gama de experiências. Por exemplo, a escolinha de esportes vai oferecer mais possibilidades do que um esporte único, como futebol ou tênis. Da mesma forma, se o interesse for pelas artes visuais, matricule-o em um espaço que trabalhe com as várias linguagens, ao invés de um curso específico de desenho ou escultura. Esse cuidado deve ser intensificado, sobretudo, para as crianças pequenas, já que os maiores muitas vezes apresentam preferência por atividades direcionadas.

Influência do ambiente

Os especialistas, de uma forma geral, são unânimes em afirmar que as habilidades pessoais podem ser percebidas desde cedo, porém são determinadas pelo ambiente familiar e social durante o desenvolvimento da pessoa. Se uma criança tem uma aptidão e não encontra, ao seu redor, a valorização, o reconhecimento e as condições necessárias para que isso floresça, dificilmente essa habilidade se transformará em competência. O componente emocional tem um peso considerável, pois a imagem que seu filho tem de si mesmo irá favorecer ou dificultar o seu pleno desabrochar. Dessa forma, a influência, tanto da família quanto da escola, é fundamental: dependendo da forma como as habilidades forem valorizadas pelo ambiente, esse desenvolvimento será maior, menor ou, até, nulo.


Por outro lado, a família tira conclusões precipitadas, que fecham possibilidades para essa criança ou jovem em formação. Um exemplo típico é o do garoto que, por demonstrar, desde pequeno, uma habilidade maior nos jogos de construção, ficou estigmatizado por todos como "o engenheiro". Tempos depois, já às vésperas do vestibular, ao fazer sua inscrição, surpreendeu os pais por haver escolhido o curso de Direito.


A ansiedade dos pais e as expectativas altas em relação ao futuro profissional de seus filhos costumam interferir negativamente, inclusive quando há pressão para que o jovem siga uma carreira já tradicional na família. Lembre-se de que as escolhas precisam de um tempo para amadurecer e, também, que a profissão do avô e do pai nem sempre irá satisfazer os desejos de seu filho.

Dicas de orientação para a escolha da profissão

Procure observar as preferências da criança ao longo da infância e adolescência, para descobrir pistas sobre os seus interesses, que serão úteis quando chegar a hora de escolher a profissão. Muitas vezes, o jovem fica tão ansioso e perdido que precisa de toques dos pais, atentos sobre suas aptidões e tendências, para conseguir perceber o que, nesse momento, parece-lhe completamente nebuloso.


Acredite nas habilidades e competências de seus filhos. Procure incentivá-los a aproveitar essas aptidões na escolha da carreira. As chances de sucesso aumentam se a opção profissional envolver as atividades de sua preferência. O ideal é, sem dúvida, aliar o trabalho ao prazer.


Se o jovem demonstra diversos interesses e, por isso, sente-se perdido, procure não reforçar sua insegurança e evite a frase clássica "você não sabe o que quer". Hoje em dia, com a necessidade de atualização constante ao longo da vida profissional e o dinamismo das mudanças, uma definição inicial é importante, mas a trajetória poderá ser retomada e redirecionada, em cursos de capacitação e pós-graduação.


Há quem afirme que o talento é inato e vai além da aptidão ou habilidade. Um talento seria facilmente identificado por outras pessoas, pois além de se caracterizar pela facilidade e prazer ao realizar determinada atividade, ainda apresentaria excelência de resultados. Claro, se lembrarmos de Leonardo da Vinci, Mozart, Einstein e outros tantos, isso parece ser completamente verdadeiro, mas aí já estamos nos referindo a expoentes e analisando seu conjunto de obras, com um distanciamento que o tempo permite.


Pensando nas crianças e jovens, o que mais importa é garantir-lhes o desenvolvimento de suas habilidades para que se transformem em competências. O primeiro passo seria disponibilizar espaço e tempo para que isso ocorra e, sobretudo, permanecer atento e presente para perceber suas tendências. Acreditar em seu potencial é fundamental, assim como, ajudá-los a acreditar, também, em sua capacidade. Depois, basta torcer para que encontrem seu próprio caminho de realizações e sucesso.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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