Segunda-feira, 29 de maio de 2017
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Ah, aquelas amizades...

Por Lucy Casolari *


No início da adolescência, a turma ganha uma importância maior. E as preocupações dos pais crescem, é claro. Essa galera será do "bem ou do mal"?

No início da puberdade, fazer parte de um grupo é, sem dúvida nenhuma, aspiração e necessidade. Os jovens precisam do acolhimento e da proteção da turma, é com seus iguais que procuram referências e segurança. Na prática, isso aparece no desejo de se vestir e ostentar os símbolos de identidade da sua tribo, nos insistentes pedidos para as baladas com a turma. E, claro, costumam ocorrer, também, as eternas discussões sobre o que é permitido ou proibido em sua própria família e na dos companheiros...


Ao fazer amigos, eles aprendem a criar e cultivar vínculos afetivos estáveis com autonomia. Nessa fase, em que há todo um movimento em busca da identidade, os valores familiares - aparentemente apagados da cabeça dos jovens - são lembrados como um referencial para a contestação. Se tudo isso é muito complicado para eles, o que se dirá dos pais? É, lidar e conviver com filhos adolescentes não é nada fácil mesmo... Haja paciência, tato e, sobretudo, equilíbrio!

A turma

Para os pais seria, certamente, muito mais tranqüilo se os filhos escolhessem as amizades como eles próprios o fariam. Entretanto, é preciso entender que essa seleção nem sempre é feita desse modo. Muitas vezes, a busca é, justamente, por companheiros que possuem características diferentes das próprias, mas que, por algum motivo, despertam sua admiração. Não é raro os pais comentarem que seus filhos têm uma espécie de atração por amigos que apresentam comportamento indesejável - às vezes, deplorável - as chamadas "más companhias".


A questão é delicada e merece uma parada para refletir: não haverá preconceitos de sua parte ao considerar esses amigos como "do mal"? Nem todos precisam seguir o mesmo "modelito" e, afinal, já vão longe os dias em que você pensava que podia escolher os amigos de seu filho, não é? Pode ser, inclusive, por insegurança que você prefira evitar o contato com pessoas, visões e estilos diferentes dos seus, uma tentativa de neutralizar possíveis confrontos domésticos. Lembre-se de que conviver democraticamente em comunidade, respeitando as diferenças, é parte intrínseca da vida social.

Pressão do grupo

O jovem busca no grupo acolhimento e proteção. Desse modo, eles se sentem mais fortes e se diferenciam dos outros. Cada turma costuma ter seus próprios códigos e regras, até de forma implícita, mas há uma exigência de que sejam aceitos e cumpridos pelos seus integrantes. Existem posturas e comportamentos desejáveis: se alguém se rebela, costuma ser colocado "no gelo". Os jovens são susceptíveis, sem dúvida, à pressão do grupo que passa pelas grifes de roupas, tipos de adereços, linguagem utilizada, escolha de programas.


Toda vez que surge o assunto das companhias há uma justificável e constante preocupação dos pais, quanto à questão das drogas. Cabe ressaltar, então, os resultados de uma pesquisa recente do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas ligado à Universidade Federal de São Paulo. Esse estudo foi realizado para desvendar as razões pelas quais uma parcela da juventude mantém-se afastada das drogas.


Os resultados mostraram que a influência dos pais e o medo da dependência foram as principais motivações desses jovens. Um dado interessante do estudo deve ser ressaltado: um número pequeno dos entrevistados (15%) mencionou as pressões do grupo. Entre os meninos e meninas que nunca experimentaram drogas surgiu um traço em comum, o bom relacionamento com os pais. A pressão do grupo não foi suficiente para mudar a posição desses jovens que não "estavam a fim".


Manter harmonia no relacionamento com seus filhos, valorizar e reconhecer suas qualidades reais pode ser uma forma de prevenção, embora não haja garantias nem regras exatas no campo das relações. Por outro lado, administrar a pressão do grupo faz parte do aprendizado da convivência, é assim que o jovem constrói sua identidade, em alguns momentos se espelhando e, em outros, se contrapondo aos companheiros.

Limites? Claro que sim...

Independentemente da escolha dos amigos e da turma de seu filho não é possível deixar de mencionar o ponto sensível e crucial entre pais e adolescentes: a delicada questão dos limites.


A moçada acha que sabe tudo e é dona do próprio nariz, mas continua precisando dos cuidados e referenciais da família. Estão sempre insistindo, por exemplo, para ir para a balada, em plena quinta-feira. Os argumentos são sempre os mesmos: a turma toda vai, e, principalmente, todas os outros pais permitem e só vocês são uns chatos e não deixam...


Independentemente de quem pertence à turma, esses conflitos são inevitáveis. Os jovens são imediatistas e só conseguem enxergar a satisfação do momento presente. Deixá-los soltos, às voltas com suas vontades e impulsos, seria abrir mão do papel educativo da família. Permitir ou proibir são decisões dos pais que precisam, acima de tudo, ter segurança de suas posições, batendo ou não de frente com os outros.


Os limites de horários, por exemplo, precisam ser estabelecidos. A liberdade do jovem deve ser assistida e não simplesmente vigiada, mas para isso é necessário partir da definição das regras de conduta. Muitos pais acham que dar um celular para o filho garante-lhes um controle maior. Trata-se de uma ilusão, pois esse aparelhinho só funciona se estiver ligado, o que só acontece se ele quiser, não é?

Soltar, mas aos poucos

Mais importante que tudo é combinar, fazer acordos antes das saídas e ir soltando aos poucos, na medida em que a confiança se estabelece. Estabelecer limites, embora difícil e desgastante, significa proteção e cuidado ao jovem que está buscando autonomia, mas ainda não tem maturidade para avaliar o que pode fazer sem correr riscos inutilmente. Tarefa, portanto, a ser assumida pelos pais.


Isso continua valendo, também, para a questão das amizades. A intervenção direta mostra-se ineficiente podendo, inclusive, ter efeito contrário, ou seja, em vez de separar pode aproximar ainda mais... Controlar e monitorar o grupo todo o tempo, além de estressante, é praticamente impossível. Mas é importante que os pais saibam com quem seus filhos estão saindo, indo a festas, ao cinema e, principalmente, quais são os hábitos e comportamentos do grupo.


Procure manter um bom vínculo e um canal de comunicação aberto com seu adolescente. Essa parece ser uma boa maneira de oferecer-lhe o suporte necessário para superar essa fase tão turbulenta.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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