Domingo, 23 de julho de 2017
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Amigo invisível, companheiro de todas as horas

Por Beatriz Vero *


Brincando e falando sozinha, a criança desenvolve a capacidade de interagir com pessoas, objetos e animais que nem sempre existem de verdade. Esses 'escudeiros' imaginários dão força aos pequenos nos momentos de alegria e tristeza.

Você já flagrou seu filho falando sozinho ou contracenando com alguma pessoa que nunca aparece? Ele já mencionou o nome de um amigo que sempre o acompanha mas jamais se revela? Não se espante, isso é normal. Mais do que uma simples brincadeira, esse comportamento indica que o pequeno está compartilhando suas emoções com um amigo imaginário.


Acreditar em um companheiro invisível é uma atitude comum, esperada e até desejada na vida dos pequeninos. Um estudo feito pelo departamento de pedagogia da Universidade Del Vale de México revela que, a cada cem crianças, pelo menos cinco, entre os 2 e 6 anos de idade, vivenciam essa experiência. E, ao contrário do que se possa pensar, não existe nenhum problema psicológico com elas.


Nesse período, ficção e realidade se misturam e dificilmente o pequeno consegue distinguí-las. O amigo invisível surge, então, como uma concretização da imaginação infantil. A criança compõe um personagem fictício, que só ela consegue enxergar e ouvir. Essa figura participa de suas aventuras nos momentos em que está sozinha.

Solidão, nem pensar!

Entre 2 e 6 anos seu filho também descobre sensações e desejos. Nessa época, articular palavras é algo que está muito ligado ao pensar, sentir e fantasiar, ou seja, ao mundo interno de cada um. Por isso, quando está brincando, fala ou balbucia sons: finge estar num avião, imita o ruído de um motor, os passos dos animais ou o vôo de um passarinho.


Filhos únicos são mais propensos a criar um amigo imaginário. Para compensar a ausência de amigos da mesma idade, a criança divide brincadeiras e sentimentos com o personagem que concebeu. Ele vive "grudado" em seu dono: na escola, em casa, no carro. Mas tende a desaparecer quando o ambiente está cheio de pessoas reais e a criança não precisa compensar a solidão.

Televisão sem excessos

A imaginação é fundamental nessa fase da infância e deve ser estimulada. Por isso cuidado com o excesso de tempo diante da televisão. Ao invés de ajudar na construção do personagem imaginário, pode agir de forma negativa. Por ser muito atraente, provoca um estado de passividade na criança, impedindo-a de explorar seu próprio imaginário e as conseqüentes descobertas.


Os desenhos animados e quase toda a programação infantil trazem imagens prontas, estereotipadas, e reduzem consideravelmente a atividade fantasiosa dos pequenos. Quando passam um tempo excessivo em frente à telinha, eles passam a absorver aquele universo sem questionar e deixam seu "mundinho do faz de conta" se perder.

Compartilhe a fantasia

Observe a criança quando ela está brincando sozinha. Veja se conversa ou oferece objetos a alguém. Em caso positivo, há todas as chances de estar interagindo com seu amigo imaginário. Se algum dia ela comentar com você a presença do companheiro, nem pense em ridicularizá-la ou repreendê-la.


Respeite e acolha o "amiguinho" como se ele fosse de verdade. Se quiser, pergunte como ele é, informe-se sobre o que eles conversam de uma forma bem natural. Caso a criança demonstre disposição para dialogar sobre o assunto, aproveite e participe. Mas se ela preferir não falar, não insista. É um direito que ela tem.


Naturalmente os amigos invisíveis não duram para sempre e acabam cedendo lugar aos de carne e osso. Essa mudança acontece gradativamente, à medida em que a criança passa a interagir mais intensamente com outras da mesma idade. A necessidade de perguntar, responder, resolver dúvidas vai, aos poucos, se tornando mais premente e exige interlocutores reais. Isso acontece por volta dos 7 anos, no início da fase escolar.


Mas se depois dessa idade seu filho insistir em ficar isolado, demonstrando pouca necessidade de contato com crianças da mesma idade na escola, em casa, no playground do edifício onde mora, procure um especialista. Ninguém pode viver, para sempre, no mundo da fantasia!


* Beatriz Vero é psicóloga formada pela PUC - SP, com especialização em Terapia Junguiana pelo Instituto Sedes Sapientiae.


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