Quarta-feira, 16 de agosto de 2017
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Repetência escolar, estigma ou oportunidade

Por Lucy Casolari *


O começo das aulas traz sempre ansiedade. Tudo é novo: colegas, classe, professores! Mas... como lidar com seu filho que precisa refazer a série?

A situação está definida, o ano letivo está apenas começando. Os primeiros dias de aula precisam ser enfrentados. Provavelmente essas questões já povoaram a cabeça, quem sabe os sonhos - provavelmente pesadelos - dos pais e filhos desde o momento em que ficou definida a reprovação. A propósito, é importante refletir um pouco sobre isso. A quem o fato atingiu mais, aluno ou família? A experiência tem mostrado que o peso é diferente para crianças, jovens e pais. Procure, portanto, iniciar daí a sua análise, resgatando a sua própria reação e sentimentos diante da situação.


Será útil, também, tentar enxergar, com a maior objetividade possível, como foi o ano escolar anterior, quais foram as razões que levaram a esse desfecho. Procure se lembrar da justificativa dada pela escola ao segurar o aluno na mesma série e como você se sentiu diante dessa argumentação. Foram levantados problemas de postura, dificuldades específicas tais como escrita, leitura, raciocínio; ou quem sabe, imaturidade? Você saiu convencido de que faria bem ao seu filho refazer a série? Saiba que sua maneira de enxergar a reprovação tem grande influência na forma com que ele irá enfrentá-la e, também, no sucesso do prosseguimento dos estudos. Quando os pais assimilam melhor o fato, estarão em melhores condições de oferecer a ajuda de que a criança, certamente, precisará para lidar com suas dificuldades.

O difícil recomeço

Nos primeiros dias é provável que ocorram situações mais delicadas que poderão desestruturar seu filho, pois ele encontrará aqueles que eram seus antigos colegas, mas estão na série seguinte. É possível que seja maior que os outros da classe e ouvirá comentários sobre sua reprovação. Isso é praticamente inevitável. Além disso, poderá, eventualmente, ser chamado de "burro", "lerdo", "ruim de cabeça", "marcha lenta" e outros rótulos depreciativos.


Essas brincadeiras maldosas, se ocorrerem dentro da classe, exigem a imediata interferência do professor. Mas podem acontecer no pátio, nos corredores, na cantina ou estacionamento, sem que haja a presença de um profissional da escola. Certamente seu filho se ressentirá desse tipo de tratamento, ficando magoado e até revidando com agressividade.

Superando o estigma

Essa é uma realidade da qual não é possível escapar. Mas não pode evoluir para um rótulo, um estigma. Procure ajudar sue filho a superar o impacto, demonstrando que acredita em sua capacidade, e acredite sinceramente nela. Tudo o que ele precisa, nesse momento, é de apoio incondicional, e não de mamãe ou papai para defendê-lo.


Esse tipo de intervenção, além de ser um prato cheio para gozações, pressupõe descrença, falta de confiança. Veja bem, a sua superproteção pode ser uma forma de reforçar o sentimento de incapacidade que, provavelmente, está presente em seu filho por causa do fracasso anterior. A atuação positiva dos pais deve estar direcionada para fortalecer a auto-estima do filho no papel de aluno. Sejam sua torcida, apaixonada porém realista!

Uma oportunidade de amadurecer

Passados os primeiros dias, a tendência é de que as arestas sejam aparadas e as coisas se ajeitem. Se a imaturidade foi a causa da reprovação, é provável que a integração seja tranqüila e o contato com alunos mais novos, muito produtivo. Essa criança ou jovem está tendo o tempo de que precisava para amadurecer e, certamente, aliviado de um peso extra que não era capaz de suportar no ano anterior. Nesse caso, o prognóstico é bom e você logo perceberá as mudanças positivas, por meio de suas atitudes frente aos trabalhos e de seu relacionamento com os novos colegas. É uma oportunidade real para recuperar a auto-estima e acompanhar os estudos da classe.


Entretanto, se as questões responsáveis pela reprovação eram de ordem pedagógica ou de postura, cabe uma atenção especial da escola para realizar um trabalho direcionado para superá-las. Procure manter contato com os profissionais, acompanhar o desenvolvimento de seu filho e proporcionar-lhe o tempo e o espaço para que possa se dedicar a essa empreitada. Seu apoio será necessário no sentido de mostrar-lhe que somente o esforço poderá garantir sucesso.


Haverá, certamente, momentos de desânimo e cansaço que exigirão a sua presença, com afeto e firmeza. Aceitar as dificuldades é o primeiro passo para transpor os obstáculos. Os jovens, com o imediatismo típico da faixa etária, precisam ser ensinados a valorizar o esforço e a dedicação. A medida em que comecem a alcançar resultados positivos estarão, cada vez mais, aptos a caminhar com autonomia e, principalmente, a ter prazer com a aprendizagem.

Quando procurar ajuda

Se, apesar do empenho conjunto do aluno, família e escola, os resultados não forem positivos, não hesite em procurar ajuda. A dificuldade de aprendizagem é sintoma de algum desequilíbrio, que precisa ser investigado mais profundamente por um profissional especializado. A própria escola, observando e conhecendo seu filho, poderá orientar a sua busca, no sentido de definir causas e encaminhamento adequado.


A dinâmica familiar, por exemplo, pode estar, sem que os pais percebam, comprometendo o desenvolvimento harmônico de seu filho, o que inclui a aprendizagem e, conseqüentemente o desempenho escolar. Da mesma forma, muitas outras variáveis podem interferir no seu crescimento. Somente a partir do olhar de um especialista, competente e criterioso, se conseguem as pistas necessárias para um trabalho eficaz e produtivo.


Lembre-se de que a escola é sua parceira na educação formal de seu filho e, como tal, co-responsável por seu crescimento. Faça a sua parte, mas não hesite em pedir ajuda e cobrar, se necessário, esse envolvimento.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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