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Crianças também sofrem com o estresse

Por Dr. Leonardo Posternak * em 24/11/2000


Seu filho anda agressivo, tem tido dificuldade para dormir, dores de cabeça ou de barriga com muita freqüência? Pois saiba que ele pode estar estressado.

Estresse, que significa simplesmente tensão, é o conjunto de reações orgânicas que o ser humano tem quando enfrenta situações de perigo, reais ou fantasiosas, não importa. Nas crianças podem ser geradas por fatores externos - como mudanças, nascimento de um irmãozinho, doenças na família, divórcio, morte - ou pelo próprio universo interno delas, pleno de emoções, às vezes extremamente angustiantes.


Quando isso acontece, uma "luzinha vermelha" se acende no organismo, provocando uma descarga de adrenalina que atua em alguns órgãos de choque, como coração, intestino, estômago, brônquios, bexiga, entre outros. E seu filhote pode sentir dores, náuseas, diarréias, taquicardia e até mesmo desenvolver alergias. No consultório, o pediatra examina, solicita exames para investigar as causas dos males e, na maior parte das vezes, o resultado é negativo.

A família pode colaborar

O pediatra moderno, adepto do trabalho integrador, ou seja, aquele que trata a criança na saúde e na doença, que se mantém sempre alerta à dinâmica dos vínculos familiares e sociais do paciente, pode lidar melhor com as chamadas doenças psicossomáticas. Ele deve pesquisar, além da criança, tudo o que diz respeito a ela: ambiente onde vive, relações com os pais, crises em seu cotidiano. Acredite: uma mãe angustiada pode transformar seu bebê numa criaturinha tensa e adoentada. Às vezes, um choro contínuo é apenas a sinalização de que o meio ambiente está tenso, "poluído", ou que ela está precisando de mais atenção e carinho.


Crianças têm mecanismos diferentes dos adultos em relação ao estresse, e em geral os vínculos familiares são os maiores responsáveis por esse estado. Pais que não suportam pequenos fracassos dos filhos na escola, nos esportes, mães que exigem que o bebê aprenda a fazer xixi no penico quando decidem unilateralmente que é hora, por exemplo, geram estados emocionais complicados. Lembre-se: estresse é tudo aquilo que não está em harmonia. Então, a pediatria moderna procura tratar corpo e mente ao mesmo tempo, inclusive fazendo um trabalho de esclarecimento dos pais quando necessário.

Falar e ouvir são atitudes fundamentais

Certas atitudes podem minimizar a tensão - e conseqüentes doenças - numa criança. A primeira delas é conversar, explicar, mesmo que ela ainda seja bem pequena e não compreenda exatamente o significado do que você está dizendo. E, por favor, não minta! Outra, ainda mais importante, é ouvir: deixe seu filho desabafar, exteriorizar suas angústias. Se ainda for bebê, beije-o, abrace-o forte, isso lhe trará conforto.



Quando for consultar o pediatra, tenha em mente que seu filho é o personagem principal, que tem de ser respeitado. Portanto, ele merece tratamento coerente: encoraje-o a responder às perguntas e interagir com o médico. Afinal, é ele quem está precisando ser entendido e tratado. Não repreenda ou ridicularize a criança quando ela cometer uma "gafe". Todos os sinais serão importantes para que o doutor possa fazer o diagnóstico.


Acredite: uma criança, quando adoece, o faz por quatro motivos - predisposição biológica individual, meio ambiente externo facilitador, estruturação deficiente de sua vida afetiva e emocional e, finalmente, influência dos vínculos familiares. Sabendo disso, fica muito mais simples prevenir os males e garantir um caminho mais suave na difícil arte de crescer.

ISSO É NOVO!

A revista The Lancet, uma das mais conceituadas na área da medicina, publicou recentemente um artigo sobre distúrbios de crescimento: endocrinologistas infantis têm demonstrado que a baixa estatura da criança, além dos quadros de moléstias clássicas, poderia ser provocada por aspectos psicoemocionais. O hormônio do crescimento (STH) apresenta seu pico máximo de secreção pouco após o adormecimento, ou seja, na primeira fase do sono, aquela em que se percebem movimentos oculares lentos. As crianças com problemas de comportamento por estresse, como ansiedade e hiperexcitação, muitas vezes agravadas por condutas inadequadas de educação, apresentam transtornos justamente nessa fase do sono. Assim, inibem a liberação do STH, levando a uma alteração no crescimento que resulta na baixa estatura.

* Dr. Leonardo Posternak é médico pediatra,
membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein.
Co-autor do livro
E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos
, Editora Best Seller.
Autor de
O Direito a Verdade - Cartas Para Uma Criança
, Editora Globo.


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