Sábado, 23 de setembro de 2017
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Quem é e o que pensa a executiva brasileira

Por Carla Oliveira *


A executiva brasileira se sente discriminada? Ela acha que é possível conciliar a carreira e os filhos? Clique aqui para saber!

Atualmente, todas as empresas possuem um grande contingente feminino em seu quadro de funcionários. As mulheres já são maioria nas universidades e é inegável que estão preparadas para exercer suas funções no mercado de trabalho, trazendo ótimos resultados para as empresas.


Interessado em traçar o perfil da executiva brasileira, o administrador de empresas Julio Lobos, formado pela Universidade do Chile e Ph.D em Relações Industriais pela Cornell University, nos Estados Unidos, fez uma pesquisa com 550 executivas brasileiras de grandes empresas. Essa pesquisa resultou no livro "Amélia, Adeus", lançado recentemente. É o segundo livro de Julio Lobos sobre o tema "mulheres no comando". O anterior, "Mulheres que abrem passagem", vendeu mais de 5 mil exemplares.


Julio, que já foi professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, afirma que, apesar de todas as conquistas femininas nos últimos tempos, a realidade não é tão favorável para as mulheres quanto parece. "Essa história de paridade salarial, de que a mulher ocupa tantas posições quanto os homens, é mentira. Na verdade, as mulheres estão ocupando apenas posições soft, ou seja, na área de serviços, de publicidade, de finanças", rebate.

Diplomada e trabalhadora

A pesquisa, realizada no ano passado, apurou que 7% das executivas vieram da classe alta, 31% da classe média alta, 51% da classe média, 9% da classe média baixa e 2% da classe baixa. A média de idade é de 38 anos e todas têm formação universitária. Ainda segundo a pesquisa, essas mulheres pegam pesado no trabalho. Apenas 11% trabalham 8 horas ou menos por dia. A grande maioria trabalha entre 8 e 10 horas por dia. E outras 11,2% chegam a ficar 11 horas diárias no batente.


A pesquisa também revelou que 56% das executivas - entre casadas e solteiras - têm filhos. E a maioria está convicta de que é possível conciliar filhos e carreira tranqüilamente. Na questão "As demandas conflitantes entre trabalho e família me obrigam a optar pela mais importante", 37,1% responderam às vezes, 25,9% responderam quase nunca e 10,4% responderam nunca. Apenas 9% responderam sempre e 17,5% responderam quase sempre.


"Muitas têm suporte doméstico, como empregadas, babás, ou mesmo uma avó que ajuda. Seus parceiros em geral incentivam a carreira, dão atenção quando ela fala sobre o trabalho. Nos Estados Unidos, isso não acontece. Por isso, as norte-americanas têm de negociar nas empresas uma carga horária menor ou outras condições especiais de trabalho" analisa Julio.


Em outro item da pesquisa, 19% das executivas afirmaram ganhar mais do que 15.000 reais mensais, sendo que 71% disseram ter um salário comparável ou superior ao do seu cônjuge. Apesar desses dados serem positivos, as pesquisas feitas por consultorias indicam que a mulher ainda ganha de 15% a 30% menos do que os homens em cargos semelhantes ao seu.

Discriminação, sim ou não?

A pesquisa trouxe alguns dados surpreendentes: 64% das mulheres não se sentem discriminadas no trabalho. Elas responderam que se sentem tratadas da mesma forma que seus companheiros. Outras 23% revelaram que sentem tratadas igualmente, mas não remuneradas da mesma forma.


Por outro lado, Julio Lobos acredita existir muita discriminação em relação à mulher, mas não de uma forma aberta, declarada. "A discriminação por parte dos companheiros de trabalho é sutil, pois é deselegante desrespeitar uma mulher. E é difícil tirar um homem do sério a ponto dele tratar mal uma mulher, ser grosseiro. No entanto, se ele tiver que promover um funcionário, ele deixará a mulher como segunda opção", analisa.


Já a discriminação por parte das empresas é mais ostensiva, segundo o autor. Ele destaca que, apesar de as escolas de administração já estarem formando mulheres há 30 anos, há poucas mulheres ocupando posições importantes nas empresas. "O ingresso das mulheres no mercado de trabalho é antigo. Mas, dos 1.557 executivos que comandam as 500 maiores empresas do Brasil, de acordo com o balanço anual da Gazeta Mercantil, apenas 60 são mulheres, ou seja, 4%. A mulher entra no mercado, mas sua ascensão é bem menor que a do homem", revela o administrador.


Não se pode negar que o fato de a mulher engravidar e ter filhos pode atrapalhar em algumas situações. Isso não significa que ela tenha menos comprometimento com o trabalho, mas que algumas situações difíceis podem surgir. "Se a mulher trabalha em uma empresa de consultoria, por exemplo, em que tem que viajar muito ou ficar com clientes até meia-noite, isso vai ser prejudicial", analisa Julio.

Qualidades e valores

No item "Quais os valores mais cultuados pelas executivas", havia 12 opções. A família ficou em primeiro lugar, sendo a opção de 15, 38% das mulheres. Em segundo lugar, veio a honestidade, com 14,12%. A opção realização não foi selecionada por nenhuma das executivas. A mesma questão foi feita, mas em relação aos valores que elas acreditam ser mais importantes para os executivos. Apenas 2,38% acreditam que a família vem em 1º lugar na lista de valores dos homens. O item mais votado entre elas foi o respeito próprio: 23% das executivas acreditam que este é o valor mais cultuado entre eles. "O surpreendente é que o ranking de valores que as mulheres atribuem a si próprias é o inverso do que elas atribuem aos homens", ressalta Julio.


E como a grande executiva lida com o sucesso, com o poder dentro de uma empresa? Segundo Julio, a mulher é mais indiferente ao poder, ela não quer poder para mandar, como o homem. "Ela quer ter capacidade de influenciar pessoas, de ser reconhecida como sábia, sensata e capaz, quer ser um modelo. O homem já quer ser temido, ser visto como alguém poderoso, distante, que tem dinheiro", explica.


De acordo com Julio, existem muitas características femininas que são positivas no trabalho, como disposição, honestidade, intuição, afeto, preocupação com os outros, criatividade. No entanto, é preciso que elas fiquem atentas para que essas qualidades não se tornem defeitos, pois há um limite. "Se ela só agir por intuição, vão achar que ela é louca", explica. Ao mesmo tempo, lembra Julio, a mulher não é grosseira e não passa por cima dos outros, o que são características louváveis. Mas isso pode ser prejudicial se ela está numa posição em que tem de lidar com muitas pessoas e tomar decisões rapidamente.


Por mais duro que pareça, a mulher precisa aprender um pouco com os homens para se adaptar melhor ao mundo empresarial, em que os códigos masculinos imperam. "Se você acha que o homem é um babaca, por exemplo, pare para pensar porque ele age assim. E, por mais que você ache besteira o que ele pensa, leve a sério. Tente entendê-lo", destaca Julio.


Julio também defende que a mulher também precisa se organizar para lutar por mais espaço no topo da hierarquia empresarial, por igualdade de salários, horários mais flexíveis e outras reivindicações justas. "Em outros países, como os Estados Unidos, as mulheres têm mais penetração no mercado, porque lutam mais para isso", afirma. Enormes conquistas já foram feitas, mas muitas ainda estão por vir. Mãos à obra!


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