Quinta-feira, 21 de setembro de 2017
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Desenvolvimento Infantil

Por Lucy Casolari *


Nesses tempos de alta competitividade, os pais se questionam se estão oferecendo aos filhos todas as oportunidades de desenvolvimento. Ah, se houvesse uma fórmula infalível...

Quando se fala em desenvolvimento certamente se parte das potencialidades. Daquilo que a criança já traz e do que fazer para que vá transformando, em habilidades e competências, talentos capazes de lhe proporcionar sucesso e felicidade no futuro. É desejo dos pais que cada filho possa progredir ao máximo, para se tornar um adulto bem-sucedido; e, como se sabe, o mercado de trabalho da "era global" está terrível em suas exigências... Além disso, há a esperança de que os rebentos possam ter bons relacionamentos afetivos e sociais. Desejos e esperanças absolutamente legítimos, desde que não se transformem em ansiedades e cobranças desmedidas e sem critério.

As comparações

De vez em quando se têm notícias de pequenos gênios, crianças, muito novas, capazes de cálculos complicados, leitura precoce ou virtuoses na música. Em outras ocasiões, um amiguinho ou primo surpreende demonstrando habilidades bem superiores às observadas pela família em seu próprio filho. Até mesmo entre irmãos, podem ocorrer diferenças significativas. Nesses momentos, alguns pais começam a se perguntar: o que mais poderia ser feito para favorecer o seu desenvolvimento? É hora de reduzir as expectativas, é inútil tentar forçar a maturação infantil, pois isso só o tempo resolve.


O mais importante é garantir a boa saúde infantil e proporcionar um ambiente rico e estimulante do ponto de vista intelectual e emocional. Além disso, é fundamental respeitar as características peculiares de cada criança. Claro, se houver questões consistentes quanto às habilidades consideradas "padrão" para cada idade, convém esclarecer suas dúvidas com o pediatra ou a orientadora da escola. Esses profissionais, tendo conhecimento e contato maior com a faixa etária, poderão, se for o caso, fazer o encaminhamento para um especialista na área que desperta preocupações.

A inteligência

Nas últimas décadas, houve um aumento da inteligência. A média do QI (quociente de inteligência), teste tradicional de medição do raciocínio lingüístico, matemático e lógico, das crianças está mais alta. O que confirma algo que já se percebia na prática. É visível que as crianças, hoje, são mais inteligentes do que no passado, capazes de dominar um universo maior de informações e instrumentos e de se adaptar com facilidade a novas situações.


Isso se deve ao chamado efeito multiplicador, pois o mundo atual proporciona um meio muito rico de informações, o que estimula o desenvolvimento da inteligência. Assim, as pessoas que vivem nesses ambientes acabam provocando mudanças significativas nas outras com as quais convivem . Desse modo, a cada geração, o QI aumenta paulatinamente. Pais intelectualmente ativos estimulam seus filhos a serem da mesma forma.


Estudos têm mostrado que o cérebro - um órgão com extraordinária capacidade de adaptação - começa a ser formado na terceira semana de gestação e se desenvolve ao longo da vida. Calcula-se que, no cérebro de um recém-nascido, aproximadamente 100 bilhões de neurônios estejam em atividade. O processo de aprimoramento é realizado à medida que a criança cresce, quando são formadas as sinapses, ligações entre os neurônios que funcionam como pontes entre estes e são responsáveis pela rapidez de raciocínio, memória e eficiência na resolução de questões. Os estímulos utilizados para o desenvolvimento dessa rede de sinapses, tornando-a cada vez mais complexa, envolvem jogos, brincadeiras, músicas, esportes e artes, bem como atividades que abranjam leituras variadas, desafios de lógica, cálculo mental, experiências e pesquisas variadas.

Como a criança aprende

As pesquisas no campo da psicologia cognitiva têm mostrado que as crianças, desde muito pequenas, aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando respostas às suas indagações e questões. Pela interação com o meio físico e social, elas vivenciam experiências e operam num contexto de conceitos, valores, idéias, objetos concretos e representações sobre os mais diversos temas presentes na sua vida cotidiana.


Desse modo, vão construindo um conjunto de conhecimentos espontâneos sobre o mundo que as cerca, no qual tudo pode chamar sua atenção e despertar sua curiosidade. As crianças se interessam por muitos assuntos: notícias da atualidade, relatos de outros tempos, castelos, heróis, dinossauros, programas de TV. Tudo o que vivenciam faz parte de um universo integrado. Considerar a forma como aprendem é fundamental para que pais e professores possam proporcionar e aproveitar as oportunidades para a aprendizagem, desde a escola de educação infantil até o ensino fundamental.

O emocional

Entretanto, a presença de afeto e equilíbrio, ao lado dos estímulos para desenvolver a inteligência e a aprendizagem, deve ser ressaltada. Mais do que tudo, palavras de encorajamento e incentivo são poderosas ferramentas. Especialistas afirmam, inclusive, que é mais importante a forma de oferecer o estímulo do que a sua adequação ou sofisticação. Dessa maneira, fica claro que é o desenvolvimento emocional que impulsiona o intelectual. O inverso NÃO ocorre. Assim, crianças confiantes e seguras terão aprendizagem mais eficiente e tranqüila.


O que, muitas vezes, confunde os pais é a extrema habilidade das crianças ao operar com o computador ou manusear um videogame. Isso é fato e, embora haja diferenças individuais, elas são muito competentes nessas habilidades. Até as propagandas têm explorado o traquejo infantil no uso da tecnologia. O encantamento dos adultos diante da familiaridade dos pequenos com as novidades é compreensível. O que deve ser evitada é a ansiedade de estimular, a todo momento, oferecendo cargas enormes de informações.


Até os sete anos as crianças adquirem conhecimento brincando, no convívio com as outras. Precisam, mais do que tudo, de experiências afetivas com as quais irão aprender a se relacionar com o mundo, pessoas e coisas.


Muito se tem falado sobre a importância do desenvolvimento de zero a seis anos, porém o aprendizado formal, do ponto de vista dos conteúdos intelectuais, deve ser iniciado somente por volta de sete anos. É quando já está pronta a estrutura neurológica capaz de operar, de maneira eficiente, com as informações acumuladas. Além disso, cérebros precocemente estimulados correm o risco de passar por problemas no futuro.


As crianças de hoje não amadurecem emocionalmente mais rápido do que as de antigamente. Continuam tendo os temores e as fragilidades de sempre, precisando de cuidados e limites, da compreensão e, também, da autoridade dos pais.
Esse é o ponto em que você deve focar sua atenção. Equilíbrio, afeto e bom-senso são fundamentais para que as crianças possam crescer e desenvolver, ao máximo, suas potencialidades, tornando-se adultos confiantes em si e felizes.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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