Sábado, 22 de julho de 2017
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Intercâmbio, o mundo é o limite

Por Lucy Casolari *


Viajar para estudar virou rotina, mas é bom que você esteja seguro de que seu filho está pronto para isso.

O propósito do intercâmbio é oferecer aos participantes a convivência com outra cultura e o desenvolvimento do idioma do país visitado. Na maioria desses programas o jovem será recebido para morar em casa de uma família, fazendo parte de seu cotidiano como "filho" e freqüentando a escola da comunidade. Assim passará por vivências similares aos adolescentes nativos, durante um tempo determinado.


O contato com jovens desconhecidos, fora da sua confortável "turma", longe de casa e dos pais é uma experiência bastante enriquecedora. Como se sabe, a adolescência é a fase em que o maior interesse é o social (aliás, a razão das longuíssimas conversas ao telefone, em geral com os mesmos amigos...). Estando em outro país toda essa segurança se desestabiliza e o seu filho acabará fazendo novas amizades, o que contribui para desenvolver a auto-confiança.

O espírito da coisa

Existe um grande número de organizações que promovem intercâmbio para adolescentes. A maioria não tem fins lucrativos e o seu objetivo é promover a convivência com a diversidade e, desse modo, contribuir para o entendimento mundial e o respeito entre povos de diferentes culturas. Assim, o intercambista terá oportunidade de assimilar a língua do país e a família hospedeira, por sua vez, estará entrando em contato com a cultura do país do visitante.


Os programas estão direcionados para jovens, entre 15 a 18 anos e meio de idade, que irão freqüentar escolas secundárias da rede pública, por um período que varia de um semestre a um ano letivo. Não há possibilidade de escolha do lugar de destino e para ser aceito o candidato passa por um processo de seleção. Existem opções de ingresso em colégios particulares.


As famílias hospedeiras são selecionadas por coordenadores regionais. São sempre voluntárias, isto é, não remuneradas pela hospedagem oferecida. Pode ser considerada apta a receber um estudante estrangeiro se for formada por pelo menos duas pessoas vivendo sob um mesmo teto; um casal com filhos, um casal sem filhos, ou a mãe com um filho.


Ao aceitar em seu convívio um representante de outra cultura está movida pelo interesse de enriquecer cultural e lingüísticamente seu ambiente doméstico. Torna-se responsável por acolher o estudante como membro da família e estimulá-lo a participar de todas as atividades do lar e da comunidade.

Para os mais jovens

Uma outra modalidade de intercâmbio está direcionada para garotos mais novos, a partir de 11 anos, em programas de menor duração. A programação combina atividades esportivas e recreativas, excursões, curso do idioma ministrado por professores especializados e hospedagem em casa de família. O objetivo é proporcionar, com a supervisão necessária para essa faixa de idade, o contato desses jovens com a cultura e língua do país visitado.

Partindo do pressuposto de que a paz é baseada na convivência com a diversidade, há entidades que propõem a participação em acampamentos, que podem acontecer em locais variados, aqui mesmo no Brasil ou em outros países. Para tal organizam encontros em que o objetivo é promover o contato entre garotos e garotas, de 11 a 12 anos, visando ampliar, dessa forma, o seu círculo de amizades. Quem vai para o exterior é preparado para a cultura do país a ser visitado e irá, também, apresentar aspectos significativos de nossa cultura aos participantes do mundo inteiro reunidos num alojamento conjunto, em algum ponto do planeta.

Alguns cuidados...

Parece tudo tão interessante, enriquecedor, mas haverá algum senão nesse tipo de proposta? Afinal, não será necessário pensar um pouco mais, antes de tomar a decisão de participar de um programa de intercâmbio?

Vamos começar pelo protagonista: existe desejo expresso do seu filho no sentido de conhecer pessoas, ter contato com outra realidade, língua e cultura deixando, sem muita ansiedade, o conforto e a segurança de casa? Sabemos que às vezes só a vontade de ir não é suficiente. É importante analisar o seu perfil, da forma mais objetiva possível, em relação à autonomia e independência. Procure refletir sobre suas reações nos momentos em que viaja sem a família, ou quando fica mais solto e descolado, mais por sua própria conta...


Para alguns adolescentes, essa experiência será extremamente positiva, apesar da desestabilização inicial que toda mudança provoca. Após o primeiro impacto, os outros desafios serão encarados com tranqüilidade e seu filho voltará acrescido, adquirindo desenvoltura e flexibilidade no relacionamento social. Se essa for a sua avaliação pode enviá-lo sem problemas, vai dar tudo certo!


Entretanto, ainda que seu filho deseje participar dessa "aventura", se os pais não estiverem convencidos da validade do intercâmbio, nesse momento da vida, respeite a sua intuição e postergue a viagem. É provável que existam razões para isso e, certamente, haverá outras oportunidades para que ele possa viver essa experiência com um pouco mais de maturidade.


Alguns jovens perfeitamente aptos a participar de um programa de intercâmbio passam por compreensíveis momentos de insegurança. Nesse caso, precisarão do incentivo dos pais para superar esses medos e entrar em contato com o desconhecido. Somente a sua sensibilidade será capaz de lhe dar a resposta e, acredite, você saberá se é o caso de dar um empurrãozinho para ajudar seu filho a se decidir.

Muito rigor na escolha!

Quanto à escolha da organização responsável, vale investigar bastante, para ter todas as informações necessárias sobre funcionamento e serviços oferecidos por cada uma. Além disso, procure conversar com outros pais e jovens que já tenham passado por experiências de intercâmbio, assim poderá avaliar melhor a qualidade do programa.


Existem no mercado várias empresas representantes das entidades estrangeiras organizadoras, são escolas de línguas ou agências de viagem que oferecem pacotes que podem ou não vincular a compra de passagem aérea, e essa é mais uma razão para pesquisar: a questão do preço.


É importante frisar que o sucesso de um intercâmbio depende substancialmente da família com a qual o jovem vier a se hospedar, e aí entra a sorte, em alguns casos há uma perfeita sintonia, e em outros nem tanto...

Finalizando, participar desses programas oferece ao jovem a possibilidade de familiarizar-se com outros modelos de comportamento, desconhecidos em seu ambiente rotineiro e adquirir, assim, maior flexibilidade de julgamentos e atitudes.
Assimilar outra cultura contribui para ampliar a visão de mundo, desenvolvendo a consciência de cidadania global, cada vez mais necessária nesses tristes tempos de acirramento da intolerância.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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