Sexta-feira, 21 de julho de 2017
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Videogame, do bem ou do mal

Por Lucy Casolari *


As famílias, em geral, têm dúvidas sobre as vantagens e desvantagens em deixar que as crianças joguem. Afinal, videogame atrapalha ou estimula?

Um garoto de doze anos, ao ser questionado sobre o porquê de tanto interesse por videogames, respondeu: "é legal porque dá para esquiar". Provavelmente ele estava se referindo à possibilidade de viajar sem sair do sofá, incorporar outros personagens, visitar mundos e cenários desconhecidos. Tudo isso de uma forma virtual, sem necessidade de entrar em disputas reais.


Esse é o ponto de vista das crianças: os games são sinistros, a melhor forma de diversão e entretenimento, simplesmente o máximo! Os pais nem sempre compartilham dessa opinião e se debatem entre liberar ou proibir. Especialistas afirmam, entretanto, que os jogos são positivos para desenvolver algumas habilidades motoras e visuais, necessárias para o mundo altamente informatizado. Então, como dormir com um barulho desses? Calma, esse é apenas um dos lados da questão.

Presença da violência

Os jogos preferidos da meninada oferecem a possibilidade de ir passando de uma fase para outra, exterminando, o mais rápido possível, o maior número de inimigos. Porém esses "games" com alto índice de violência gratuita podem causar danos sérios, principalmente por que o jogador sempre ganha outras vidas, claro, para continuar matando.


Segundo os psicólogos, essa banalização da violência leva algumas crianças a considerar a morte real corriqueira e sem qualquer significado. A elaboração do conceito de morte, que já é um desafio para as crianças, fica distorcida pelos jogos. Após a perda de uma vida, há sempre o ganho de outras e a matança continua.

Usos e abusos

Para administrar o uso dos games pelas crianças, não adianta proibir. Tudo o que "não pode" estimula a curiosidade e o desejo de fazer. Além do que, não permitir em casa não garante nada. Seu filho sempre dará um jeito de jogar na casa do amigo, vizinho ou primo, até porque o controle total é impossível.

Um outro fator que pesa na balança: atualmente a maioria das crianças tem seu videogame. Assim, a proibição pode, efetivamente, transformar seu filho num ET, deixando-o à margem das conversas com os amigos da escola e do condomínio.


Pode-se, então, liberar geral? Claro que não. Convém estabelecer limites de horários por dia, ou definir que somente pode jogar no final de semana. Faça tratos com seus filhos em relação ao uso adequado desse tempo, de acordo com a idade e conteúdos dos jogos. Uma vez resolvidas essas regras, seja firme no seu cumprimento, caso contrário não adianta combinar, não é?


O "sinal de alerta" dos pais deve tocar se a criança se interessar, exclusivamente, por esses jogos. Se eles se transformarem em diversão única e seu filho permanecer horas a fio diante do vídeo ou computador, estará no momento de intervir.


Você pode ajudar oferecendo alternativas atraentes capazes de quebrar essa falta de outros interesses. Lembre-se de que não adianta, apenas, mandá-lo fazer outra coisa, acompanhe-o e participe também dessas outras atividades. Provavelmente você enfrentará resistências mas, nesse caso, é absolutamente necessário quebrá-las...

Outros cuidados

Se a alternância parece ser a saída para lidar com esse assunto, procure monitorar os games à disposição do seu filho. Ao ir à locadora, ou adquirindo as fitas, dê preferência aos temas esportivos ou que exijam criatividade e raciocínio, pois estarão se tornando aliados no desenvolvimento intelectual.


Se você gostar, vez por outra, jogue com seu filhote, assim estará entrando com ele nesse universo. E vocês terão, com certeza, muitas figurinhas para trocar. Só não vale deixá-lo ganhar, seja um competidor verdadeiro, leal e batalhador.


Finalizando, como em tantos outros assuntos, nesse também, o que vale é o equilíbrio e o bom senso. Essa postura não combina, portanto, nem com a tentativa de bancar o "ditador" contra os games e, tampouco, com o deixar correr solto. Lembre-se de que, independentemente da idade, crianças precisam de variedade de atividades e interesses.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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