Quinta-feira, 24 de agosto de 2017
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Ecologia também se aprende na escola

Por Lucy Casolari *


Respeito ao meio ambiente deve começar a ser desenvolvido desde cedo. Os pequenos estão atentos para aprender e incorporar atitudes que observam no dia-a-dia.

Investir na formação da consciência ecológica é uma tarefa que não tem data para começar, mas que deve ser cumprida e desenvolvida ao longo da vida, por meio de ações, desde que as crianças nascem. Esse é um assunto que foi colocado a partir dos anos 70, pois até então a sociedade era menos industrializada, o que significa que a poluição existia em escala menor e, principalmente, porque não havia a consciência de preservação do meio ambiente. Os costumes eram muito diferentes...


Quem não conhece alguma pessoa de idade, avó ou tia, que guarda até papel de pão, porque afinal, "nunca se sabe quando se vai precisar dele". Esse hábito pode fazer parte do folclore da família como sinal de avareza, mas não deixa de ser um exemplo de preocupação ecológica, ainda que inconsciente. Pessoas mais antigas ou as que viveram tempos de escassez costumam usar sacos plásticos de supermercado na lixeira, reaproveitar papéis de presente e resistir à utilização de embalagens descartáveis.


Esses gestos cotidianos tomam uma dimensão maior, quando enfocados do ponto de vista da preservação ambiental. O mesmo acontece quando se chama a atenção do adolescente que se esquece no banho, deixa a televisão ligada e assistida, apenas, pela parede, a luz acesa no quarto vazio... Pequenos gestos, sem dúvida. Terão valor maior se motivados, além da evidente economia na conta de luz ou água, pela necessidade de utilizar adequadamente os recursos naturais não renováveis.

O que esperar da escola

O estudo do Meio Ambiente faz parte do currículo escolar, sim. Atualmente como um dos chamados temas transversais, ou seja: deve ser abordado de forma interdisciplinar por diversas áreas, deixando de se restringir, apenas, a Ciências e Biologia. Evidentemente, a conceituação teórica e o aprofundamento cabem a essas áreas, porém, é no cotidiano que se constrói a consciência ecológica.


Não estamos nos referindo às grandes causas ambientais que, com certeza, podemos apoiar. Tampouco o foco deve estar direcionado, somente, às ações radicais para defender a Natureza ou espécies em extinção. Tudo isso é importante, mas não se pode deixar de lembrar que para cada ser vivo que habita o planeta, existe um espaço, ao seu redor, dividido com todos os outros seres vivos e elementos que interagem entre si. Trocando em miúdos, é preciso, em primeiro lugar, ficar atento ao círculo mais próximo, pois sem dúvida o condomínio, a classe, a rua e a cidade são considerados meio ambiente.


Assim, a sala de aula deve ser um local limpo, em que cada um é responsável pela organização e limpeza, independentemente da faxina a ser feita pelo funcionário, no término do período. Isso vale para as outras áreas da escola que são usadas coletivamente.


Ao fazer uma excursão, por exemplo, é fundamental que os alunos sejam orientados sobre a forma adequada de comportamento. A conhecida máxima - da Natureza nada se leva e, nada deve ser deixado - precisa ser trabalhada sempre, a cada saída...
Temas que fazem parte do dia-a-dia, tais como: o uso adequado da água, a necessidade de economizar energia elétrica, a questão da reciclagem, devem estar presentes na programação e, principalmente, na prática das escolas. Isso pode ser esperado e até cobrado, se for o caso.

Educar para o consumo

Projetos de educação ambiental devem ser capazes de mobilizar as pessoas no sentido de fazê-las parar para pensar e mudar hábitos. Esse processo que se inicia na escola com os alunos deve atingir famílias e comunidade, pois somente assim poderá ser considerado um sucesso. Dessa forma, um programa de reciclagem deve atender aos "3 Rs" - reduzir, reutilizar e reciclar. O primeiro - de reduzir - costuma ser menos trabalhado, pois toca em uma questão muito pessoal: a reavaliação dos hábitos de consumo. Na hora de escolher um produto no supermercado, e aí entra a família, pode-se dar preferência àquele que vier acondicionado em materiais recicláveis. Alguns especialistas afirmam que, antes de tudo, existe um outro "R" - o de recusar - pois diante de produtos similares você pode optar pelo que vier embalado no material que produzir menor impacto ambiental.

Da mesma forma, programas que trocam embalagens por benefícios para a escola ou por ajuda a comunidades carentes podem ter como efeito o aumento do consumo. No afã de ajudar, as crianças acabam comprando mais refrigerantes, para poderem levar mais latinhas. Da mesma forma, as gincanas entre classes, com prêmios para a que alcançar maior volume, provocam o envolvimento dos alunos, apenas, durante a realização do evento, mas não garantem o desenvolvimento da consciência a longo prazo.

O cuidado com o material escolar, seja próprio, do colega ou da escola, é outra ótima oportunidade de trabalhar o conceito de preservação do meio ambiente. A tendência ao desperdício está presente nos atos corriqueiros: de arrancar folhas do caderno para fazer aviãozinho, de amassar papel após um único traço "errado", de perder ou destruir livros, lápis e canetas. Como se vê, a educação ambiental precisa ser trabalhada, continuamente e em todas oportunidades, a partir de propostas consistentes e coerentes.

Reutilizar e reciclar

Quanto ao segundo "R" - o de reutilizar - podemos voltar ao exemplo da tia ou avó do início do artigo. Quantas coisas, de roupas a móveis e eletrodomésticos, dispensamos, sem ao menos questionar se não poderiam ter outra utilidade. Não se trata do exagero em conservar tudo, nem do apego excessivo, mas de ter, basicamente, um olhar mais crítico em relação ao consumo e, principalmente, ao que pode ser descartável. Um bom exemplo dessa postura é aquela arrumação dos armários das crianças. Que tal envolvê-los nessa tarefa e discutir com eles o que fazer com roupas que já não lhes servem e brinquedos encostados? Pode ter certeza de que poderão se reutilizados por outras crianças e você estará, ao mesmo tempo, ensinando seu filho a valorizar seus pertences, destinando o que não usa mais a quem precisa e pode fazer bom uso.


Se, depois disso tudo, chegamos ao terceiro "R" - de reciclar - está na hora de definir o destino desse material. A escola de seu filho tem um projeto bem desenvolvido de coleta seletiva? Prestigie e leve suas embalagens. No caso de não haver, vale sugerir e se mobilizar para a implantação de um programa: esse será um bom modelo de comportamento da família. Além disso, existem diversos programas ambientais que disponibilizam postos de coleta para onde você pode encaminhar seus materiais recicláveis.


A preservação ambiental é responsabilidade de cada um, tanto na ação quanto na cobrança daqueles que são os maiores responsáveis - os países ricos, que já poluíram tanto - e os governos, a quem cabe normatizar procedimentos e legislação. Mas é fundamental que cada um faça a sua parte: cidadãos e governantes, empresários e consumidores, pais e filhos, professores e alunos.

Lembrando o provérbio chinês: "Muitas pequenas coisas, feitas em muitos pequenos lugares, por muitas pessoas miúdas, podem mudar a face do mundo".


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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