Segunda-feira, 24 de abril de 2017
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A descoberta dos sabores

Por Margarete Steigleder *


Você sabia que pode educar o paladar de seu bebê? Basta que dê a ele a chance de aprender a apreciar, um a um, os diversos ingredientes de sua alimentação, para que, no futuro, ele faça suas escolhas e defina as próprias preferências.

Durante a fase de crescimento, o organismo da criança que está se desenvolvendo necessita de uma boa alimentação, dedicação, muito afeto e estímulo constante.


A alimentação, essencial para qualquer ser humano, tem duas funções básicas:


  • A física, que fornece nutrientes ao organismo, indispensáveis para o crescimento e a boa saúde;
  • A emocional, associada ao convívio social e que proporciona uma sensação de prazer após a refeição.


    Até os seis meses o bebê conhece basicamente o sabor do leite com que está sendo amamentado. Eventualmente já conhece o sabor de algumas frutas.

    A partir da introdução dos sucos e da primeira papinha, inicia-se o processo do desenvolvimento do seu paladar, que vai prevalecer pelo resto da vida.

    Sem pressa e com muito carinho

    Esta fase deve ser conduzida com muita dedicação e carinho. Qualquer alimento novo introduzido na dieta, significa um "acontecimento" para a criança. O paladar necessita de estímulos para se aprimorar, portanto é importante que se acrescente o alimento novo sozinho, sem sal ou açúcar, para que o bebê perceba o seu sabor característico.



    Não se deve interpretar uma primeira recusa como "não gostei" e logo ir acrescentando açúcar ou temperos que "disfarcem" o seu sabor, seja ele qual for. Se o seu filhote estranhar, insista por alguns dias seguidos. Os bebês não têm exigências do tipo "beterraba, de novo?" Eles estarão apenas estranhando e experimentando, como todos nós, uma coisa diferente!


    Deixe a combinação de vários alimentos para depois desta primeira apresentação. Procedendo assim, a criança terá a oportunidade de identificar suas preferências.

    O paladar do bebê é diferente do adulto

    A criança que for habituada, desde cedo, a apreciar novos sabores dificilmente será um adulto "enjoado", que muitas vezes recusa alimentos que não conhece e nem ao menos tem a curiosidade de experimentar. Um paladar propenso à curiosidade depende muito da naturalidade com que a criança foi iniciada nesta fase da vida.


    O ato de comer deve ser um momento e prazer, um acontecimento alegre e espontâneo que faz parte da sociabilização. Não se incomode, neste momento, com mãos e boca lambusadas. Deixe-o tocar os alimentos. Faz parte da "apresentação".


    Por volta de um ano de idade, sentado à mesa, com adultos, seu filho deverá estar se alimentando com as mesmas refeições da família. Nesta fase, a apresentação dos alimentos é muito importante. Deve ser colorida, se possível com formatos diversificados e com aparência atraente.


    Quando tiver por volta de um ano e meio, já com maior controle motor, deverá se habituar a comer sozinho, criando uma relação positiva com os alimentos. A partir de então é natural o enriquecimento constante do seu paladar.


    * Margarete Steigleder é nutricionista formada pela Universidade de São Paulo. Sócia da MMR - Tecnologia de Culinária e Consumo, uma empresa de consultoria e assessoria de marketing para indústrias, é autora do livro "Meu bebê gourmet", EDITORA LUPA


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