Domingo, 23 de julho de 2017
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Avó, babá ou berçário?

Por Norma Leite Brandão *


O bebê está em casa. A licença-maternidade está chegando ao fim. Quem cuidará do bebê? Decisão difícil!

O tão esperado bebê chega e com ele, chegam, também, não somente as alegrias, mas as preocupações da mãe que trabalha fora. Com quem deixá-lo nos primeiros meses de vida? Com a avó? Uma babá? Ou já é o momento de escolher um bom berçário? Que alternativa trará mais benefícios nos cuidados com esse pequenino ser?

Bem, embora cada família seja uma, com necessidades específicas, há algumas questões básicas a serem retomadas. A primeira delas, sem dúvida alguma, refere-se à tradicional opção dos pais pela avó, substituta da mãe, ao menos nos primeiros meses de vida. Se, no passado, essa era a alternativa número um, hoje parece que as coisas se alteraram um pouco. A avó dos tempos atuais tem um perfil completamente distinto daquela do passado.

Muitas têm uma vida profissional ativa e outras, ainda, uma agenda com compromissos importantes no desenvolvimento de sua vida pessoal: realizam trabalhos voluntários, fazem ginástica, cursos, viajam com grupos de amigos, enfim possuem uma saudável vida social. Resultado: embora o amor de avó seja insubstituível, há questões maiores que devem ser pesadas nesse instante.

Mais importante do que isso: avó é avó e, dela, nada mais deveria ser cobrado ou exigido além do carinho e do afeto desmedido que essas pessoas especiais trazem consigo. Pedir-lhe que faça as vezes da mãe, com todas as obrigações e deveres, além de injusto, pode confundir os papéis.

Berçário ou babá?

Quando o período da licença-maternidade se extingue, o bebê tem apenas quatro ou cinco meses. Período difícil. Há uma série de vacinas a serem tomadas e sua resistência ainda é baixa. Ao mesmo tempo, há as oscilações de tempo, os dias chuvosos, as mudanças bruscas de temperatura. É nesse período, também, que olhares especiais são necessários: esterilizar mamadeiras, chupetas, trocar fraldas com assiduidade, enfim, todos aqueles cuidados higiênicos e profiláticos fundamentais para a saúde do bebê.

Existem poucos, mas excelentes berçários, com todo o apoio necessário quanto às condições de higiene e nutrição. Contam com profissionais competentes e um padrão de qualidade invejáveis. Há, no entanto, duas questões dificilmente bem resolvidas nesses espaços: o altíssimo custo desses serviços e a impossibilidade de conter a propagação de doenças infecciosas entre os pequenos. Não se iluda. A culpa não é do berçário. A fase é difícil mesmo, em vista da baixa resistência dos bebês e do contato inevitável entre eles.

Por esses motivos, é recomendável que, ao menos até a idade de um ano, as crianças, se possível, sejam mantidas dentro do espaço familiar. Além da apropriação do espaço doméstico, estão criando vínculos com pais, irmãos e estabelecendo relações com objetos próprios e comuns a toda a família.
Nesse caso, a escolha recai sobre uma profissional habilitada para cuidar do bebê em sua própria casa.

A escolha e a orientação da babá

Bem, se a opção for uma babá, é necessário que alguns itens sejam levados em conta. Vamos lá:

  • Dê preferência a indicações feitas por pessoas conhecidas que já tenham usufruído o serviço da profissional indicada.

  • Se a indicação vier de pessoas pouco conhecidas, analise toda a documentação da babá, peça e verifique todas as referências. Mas verifique mesmo. Telefone, faça contatos pessoais.

  • Ao analisar seu histórico, observe o tempo de experiência com essa faixa etária. Lembre-se: ela exige cuidados bem específicos e delicados. Exige, também, sensibilidade e agilidade na tomada de decisões.

  • Oriente-a não somente quanto às necessidades gerais do bebê, mas quanto à sua forma particular de ação. Você tem a sua forma de atuação - do preparo dos alimentos à troca de fraldas; do horário de tomar sol ao preparo do banho; da disciplina no horário do sono às brincadeiras próprias para o desenvolvimento infantil. Faça as adaptações necessárias da profissional para sua forma própria de ação.

  • Se possível, não sobrecarregue a babá com outras funções gerais da casa. Seu papel primordial é cuidar do bebê, de suas roupas e alimentação.

    Por melhor que seja o perfil de sua babá, as recomendações acima são fundamentais. Há, porém, um item anterior a qualquer outro: a afetividade, laço primeiro que deve se instaurar entre essa profissional e seu bebê. Toda e qualquer falha, de ordem técnica, torna-se menor quando o vínculo afetivo existe. Para isso, saiba separar os papéis e delegar atribuições. Seu filho precisa sentir que você confia na pessoa escolhida.

    Esse não é o momento em que culpas ou disputas afetivas devam ocorrer. Mães são mestras em se sentir culpadas! Podem colocar tudo a perder. Cuidado! Esse instante é precioso para que você e sua babá se unam e, juntas, possam possibilitar o desenvolvimento sadio e integral desse pequenino ser, ainda indefeso, mas tão forte a ponto de, nesse momento, mobilizar toda a família.

    Esqueça, também, a idéia de que ninguém cuida melhor de seu filho do que você. Bobagem. Pode cuidar com algumas diferenças, mas, se bem orientada, uma boa babá pode fazer coisas tão boas quanto as mães. E sabe por quê? Porque seu papel é esse mesmo. Ajudá-la a preparar seu filho, não somente em seu crescimento, mas para aquele momento tão especial em que você chega do trabalho cansada, exaurida e se depara com aqueles olhinhos brilhantes e felizes. Olhinhos de saudade, mas de quem teve, ao seu lado, durante o dia, alguém especialmente escolhido e preparado por você. Compreenda essa fase como provisória. Breve. Mas, por isso mesmo, fundamental porque é a base de tudo o que depois virá.


    * Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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