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Depressão e tristeza na infância

Por Dr. Leonardo Posternak * em 25/06/2001


De repente, uma tristeza profunda, falta de apetite e de vontade para brincar. A criança pode até estar rodeada de brinquedos, mas fica quieta num canto para não correr o risco de ser incomodada. Cuidado! Falta de interesse por atividades comuns pode ser

A tristeza é um sentimento comum do ser humano, que aparece com maior ou menor intensidade ao longo de sua vida. Não é uma doença, mas um estado. Ninguém é extremamente alegre ou triste o tempo todo. Entretanto acreditamos, erroneamente, que a melancolia é própria dos adultos e que jamais atinge as crianças.


Na verdade, isso revela um preconceito da sociedade. Os pequenos também vivem e, com freqüência, momentos tristes. Qualquer perda pode ser motivo para que sorriso desapareça, para que eles resolvam ficar quietos e até chorar.


Uma bola furada, a viagem do avô, o patinete quebrado ou a mudança de escola são suficientes para deixar seu filho tristonho. A criança relaciona a tristeza à ausência física. Então, quando vê o brinquedo predileto destroçado no chão, fica aborrecida porque sabe que não poderá segurá-lo em suas mãos e se divertir como antes.

Sempre a verdade

Todos têm o direito de ficar tristes e sentir saudades e os pequenos não fogem à regra. Talvez nós, adultos, tenhamos a tendência de recriminar esses sentimentos infantis por acreditar que nossos filhos são o símbolo da felicidade e que, portanto, devem viver pulando e brincando, sempre com um sorriso no rosto. Só que nem sempre é assim.


Permita que seu filho expresse os próprios sentimentos, tanto os bons quanto os ruins. Em vez de reprimir converse, mas não invente histórias ou mentiras para justificar aquilo que você mesmo não sabe explicar. Quando a criança pergunta onde está a vovó (que morreu no mês passado), o que você faz? Diz que ela está no céu ou que foi viajar para muito longe? Este tipo de atitude apenas engana e não satisfaz a curiosidade de seu pimpolho em saber a verdade.

Difícil, mas necessária

As crises do crescimento são fases de evolução e de transição que constituem etapas muito importantes para seu filho. Por isso, não reprima suas emoções: deixe que ele fique tristonho quando necessitar, para aprender com o próprio sentimento. Assim, certamente, quando for adulto, poderá driblar os obstáculos do dia-a-dia sem temer o que virá pela frente.


Com aproximadamente 3 anos, a criança consegue falar que está triste e até dizer o motivo do sofrimento. Se algum dia seu filho disser: "estou triste porque perdi uma bola", jamais minimize essa angústia. Entenda a situação, afinal ele adorava o brinquedo. Diga: "tudo bem, sei que você está triste porque sua bola furou, mas ela não tem conserto". Depois, com o tempo, garanta a ele que vocês poderão comprar uma nova.

Tudo tem limite

Mas cuidado! Se a tristeza persistir por mais de duas semanas, tornando-se a cada dia mais intensa, redobre a atenção. Seu filho pode estar vivendo uma crise depressiva.


Crianças de qualquer idade podem ter depressão e, em geral, você consegue perceber no dia-a-dia. O primeiro sinal da doença é uma mudança brusca no comportamento. A criança perde o prazer e o interesse nas atividades próprias da idade ou nas coisas que fazia com freqüência. Ela passa a acha tudo chato e sem graça. Brincar com o amigo, fazer lição, jogar futebol, ver televisão, desenhar, entre outras coisas que adorava, perdem o sentido.


Somada a essa falta de motivação, outras alterações bruscas na rotina da criança ajudam a perceber angústia: falta de apetite, insônia constante, dor de cabeça, perda de peso, baixo rendimento escolar, choro freqüente, xixi na cama, são apenas alguns exemplos.


Assim como os adultos, o universo infantil está cercado de crises e momentos difíceis. Muitos são passageiros e com conversas e até pequenos gestos de atenção e carinho, podem ser suficientes para afastar os problemas. Contudo, o mais importante a fazer, é não inibir o sentimento do pequeno achando que é apenas criancice.


Converse com o pediatra. Um bom acompanhamento médico pode avaliar a necessidade ou não de procurar um psicólogo ou um psiquiatra infantil, dependendo do grau depressivo que a criança está vivendo.


* Dr. Leonardo Posternak é médico pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein.
Co-autor do livro

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