Sábado, 22 de julho de 2017
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Timidez, característica ou problema

Por Lucy Casolari *


Um garoto que se isola por horas a fio ou uma menina que não tem amiguinhas podem ser motivo de preocupação para os pais, que não conseguem entender e aceitar esse jeito mais inibido. Repletos de boas intenções, querem de ajudá-los a sair da concha.

Refletir sobre o que leva uma criança a se fechar pode ser de grande ajuda para entender o seu comportamento e, conseqüentemente, a lidar melhor com suas dificuldades. A timidez é determinada pela insegurança, pelo medo da não aceitação. Em geral começa na infância, costuma causar conflitos na fase da socialização ou início da escolaridade, mas é na adolescência que atinge seu ápice.


Entre os tímidos é comum se encontrar crianças e jovens muito exigentes consigo mesmos. Assim, antes de tomarem qualquer decisão, seja para aceitar um convite ou participar de um passeio, ficam inseguros e fazem tantas ponderações que até deixam passar a oportunidade. Alguns chegam a traçar um plano cuidadoso de como agir diante de cada situação ou imprevisto. E, se algo não acontece de acordo com o idealizado, a frustração é muito grande, sentem-se o pior dos piores.



Todo esse processo aumenta a ansiedade, o que causa mais inibição e sofrimento. Como se não bastasse, ainda há o orgulho, forma de defesa para enfrentar uma possível rejeição, reagindo com aparente superioridade, como se todos os outros não estivessem à sua altura...


Nas profundas mudanças físicas e psicológicas da adolescência, o jovem tímido sofre ainda mais que os outros, pois se sente diferente e tem medo de fazer papel ridículo. Precisa de ajuda, mas o orgulho o impede de buscá-la; quer ser aceito, mas não consegue se aproximar. É realmente muito difícil conviver com a timidez nessa fase!

Faça da escola a sua parceira

Crianças mais retraídas têm dificuldade de se entrosar tanto na classe, como na turminha do condomínio. Esse comportamento, no convívio social, chama a atenção dos pais e, na escola, dos professores, pois na hora de formar grupos de trabalho são aquelas que sempre sobram.


Nunca são escolhidas, não se movimentam para se aproximar dos outros e, algumas vezes, isolam-se completamente, colocando-se à margem do processo. São consideradas esnobes pelos colegas de classe, pois evitam se posicionar e não conseguem, descontraidamente, entrar nas brincadeiras.


Nesses casos é importante contar com a parceria da escola, que poderá atuar, de forma adequada, na sala de aula. Se o padrão de comportamento dos outros alunos é mais expansivo, o "diferente" tende a ser excluído. Muitas vezes, uma conversa com a turma pode ajudar, especialmente se for orientada para tirar a soluções do próprio grupo. Lembre-se de que a escola é a mini-sociedade onde as crianças aprendem a conviver, negociar, ceder e fazer acordos. Portanto, procure ajuda e trabalhe de mãos dadas... afinal, o objetivo maior é o bem estar do seu filho.

Aprendendo a lidar com a timidez

Na nossa sociedade a inibição é considerada um "problema" que tem que ser resolvido. Mas, em diferentes graus, quem não se lembra de ter ruborizado ou sentido as pernas trêmulas quando colocado na berlinda ou ao enfrentar o público numa apresentação?


São conhecidos os relatos de pessoas públicas que confessaram sua timidez, mas descobriram caminhos para lidar com essa característica, buscando ajustes entre a personalidade e a própria forma de se expressar. Assim, se seu filho demonstra retraimento ou tem poucos amigos, é importante que você o ajude a descobrir seu próprio jeito para lidar com a timidez, além de cuidar para não reforçá-la. Seu afeto é fundamental para que ele se fortaleça, enfrente a vergonha e tenha coragem de aceitar riscos. Fique atento para:


  • A aceitação e o respeito às suas inseguranças, procure evitar olhares e frases reprovadoras. Lembre-se de que as exigências de seu filho para consigo mesmo já são altas o suficiente.


  • Valorize suas reais qualidades, é uma forma de reforçar a auto-estima. Cuidado para não dourar a pílula com elogios indevidos, pois ele captará rapidamente, e aí a sua confiança em você ficará abalada.


  • Procure mostrar-lhe que todos temos pontos fortes e fracos, isso pode ajudá-lo a não exigir tanto de si e, portanto, a ser menos intransigente consigo mesmo e mais tolerante com os outros.


  • Não o obrigue a enfrentar ambientes nos quais se sinta hostilizado, mas incentive-o a se integrar àqueles onde esteja mais à vontade.


  • Encoraje seu filho a participar de alguma atividade coletiva, vale escolher entre esporte, teatro, música ou circo, pois todas favorecem a socialização.


    Esses cuidados e atitudes, certamente, ajudarão seu filho a superar paulatinamente algumas de suas inibições e a encontrar formas de expressar suas emoções e desejos. Tudo isso, provavelmente, não irá transformá-lo numa criança expansiva, mas vai possibilitar que ele fique mais tranqüilo e desfrute prazerosamente da convivência.


    Entretanto, alguns casos de timidez são mais complicados podendo caracterizar-se como fobia social, uma doença que exige acompanhamento. Fique atento para reações físicas intensas como rubor, tremedeira, taquicardia, principalmente se vierem acompanhadas da recusa de aparecer em público e de um pavor incontrolável de ser observado e avaliado por outras pessoas.

    Essas situações exigem um tratamento diferenciado que somente poderá ser prescrito por especialistas. Não deixe de procurar ajuda se sentir que, apesar de todos os esforços e cuidados, o quadro não está evoluindo favoravelmente.



    * Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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