Segunda-feira, 25 de setembro de 2017
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Cardápio a base de sobras

Por Maria Paola de Salvo *


Sobra não é sinônimo de lixo. Diminua o desperdício de comida em casa aproveitando todas as partes dos alimentos!

Cerca de 60% dos alimentos adquiridos para serem consumidos em casa vão para o lixo. Números como esses colocam o Brasil dentre os países campeões do desperdício. O quadro se agrava ainda mais quando pesquisas do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelam a existência de 32 milhões de brasileiros miseráveis e famintos.

O desperdício doméstico está ligado, principalmente, à falta de costume das pessoas em planejar a alimentação. Além de comprar uma quantidade maior do que a necessária para o consumo, muitos ainda deixam de aproveitar os alimentos integralmente.

Seja consciente e procure reaproveitar a comida que habitualmente costuma descartar.

Nada se perde, tudo se transforma

Partes freqüentemente desprezadas como talos, folhas, sementes de vegetais, legumes, frutas e verduras podem ser tão ou mais ricos em nutrientes, vitaminas e fibras do que as mais utilizadas na culinária.

Exemplo disso é a folha de abóbora, que nem sequer chega à cozinha. Ela pode conter quase 40 vezes mais cálcio que a polpa da abóbora e, no entanto, é rejeitada pela dona de casa. Já a folha de mandioca oferece 10 vezes mais vitamina C do que a tangerina. (veja tabela). Estas fontes de nutrientes acabam sendo desprezadas pelos produtores e feirantes, sobretudo, pelo seu baixo valor comercial.

E o que dizer daquele arroz, cozido no dia anterior, que vai sempre para o lixo?
Saiba que ele pode ser reutilizado. Estas sobras são resultantes da preparação que não foi consumida ou servida e não são sinônimos de resto. Mas exigem os mesmos cuidados no armazenamento e na refrigeração que os demais alimentos.

Refogados, arroz e outras sobras quentes, devem ser muito bem reaquecidos a 75º C antes de irem novamente para o prato. "O prazo de validade da comida do dia anterior depende da sua correta manipulação e armazenamento na geladeira, por isso, procure dividir o alimento em vários potes, pois a menor quantidade facilita a completa refrigeração e você poderá aproveitar a comida por mais tempo", explica Agnes Hanashiro, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da USP, em São Paulo. Quanto às saladas, prefira guardar suas folhas in natura, em vez de temperadas, isso prolongará sua conservação.

Quando for utilizar as folhas, talos e cascas, atente para a correta higienização. "Estas partes são repletas de reentrâncias, costumam acumular muita sujeira e inclusive tendem a ter alta concentração de agrotóxicos. Por isso é recomendável, além da lavagem, uma desinfecção em solução clorada (20 ml. de hipoclorito de sódio para 1 litro de água) por ao menos 15 minutos", alerta Agnes.

Experimente brincar na cozinha

Não se dê ao trabalho de retirar as partes menos aproveitadas dos vegetais e frutas, para só depois incluí-las nos pratos. Vai fazer couve a mineira? Aproveite e já coloque seus talos na panela. Adquira o hábito de consumir os alimentos de forma integral, a fim de que todas as suas propriedades nutritivas se conservem. Sempre que possível evite arroz branco (polido) ou trigo sem ser integral, pois eles passam por um processo de polimento que acaba retirando seus nutrientes. Isso vale também para as farinhas e para o açúcar, que deve ser, de preferência, mascavo.

A ordem é brincar e utilizar a sua imaginação para dar uma cara nova à comida esquecida na geladeira. Acrescente folhas de brócolis, de cenoura ou beterraba ao tradicional creme de espinafre, por exemplo. "Ele pode servir de recheio para massas e panquecas, bem como dar um sabor inusitado e especial ao prato", ressalta Hanashiro.

Confira, a seguir, algumas dicas da nutricionista de como utilizar ingredientes que você nem imagina em suas receitas. Aposte na criatividade e economize:

  • Semente de abóbora: calmante e poderoso vermífugo, pode ser usada como aperitivo, empregada em saladas ou como substituta das nozes e do coco, dando característica crocante aos pratos. Para isso, basta lavar as sementes, secá-las e tostá-las levemente no forno com sal.

  • Cascas de frutas (abacaxi, maçã, goiaba, manga, etc): batidas com água e coadas podem render sucos, chás, manjares ou geléias. Quando aferventadas servem de calda aromática para regar bolos e tortas doces. Já, as cascas de melancia e de maracujá rendem deliciosos doces.

  • Folhas de abóbora, cenoura, brócolis, batata-doce, rabanete, nabo, mandioca, beterraba e outras: além de conterem muito mais nutrientes e fibras do que os próprios vegetais, raízes e tubérculos, podem ser incluídas em vários pratos como sopas, bolinhos, massas, tortas, saladas e até em farofas. "Elas dão colorido e valorizam o arroz branco. Para isso, refogue uma porção dessas folhas em margarina e alho e acrescente ao arroz, bolinho ou omelete", recomenda Agnes.

  • Talos de agrião, couve, brócolis, espinafre e verduras em geral: apesar de serem os primeiros a ir para o lixo, eles podem render uma boa farofa, que serve de acompanhamento para o feijão ou para rechear aves e peixes. Pique bem os talos de várias verduras, sim, você deve misturá-los! Refogue-os com bastante manteiga, farinha e, se quiser, alguns pedacinhos de bacon.


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