Segunda-feira, 24 de abril de 2017
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Música em casa I

Por Aline Romeiro - Baby Arts - Música e Interação *


A arte-educadora Cláudia Cascarelli fala da sua influência sobre as primeiras experiências musicais do seu filho, que hoje é compositor e regente de orquestra.

Claudia Cascarelli é uma profissional interdisciplinar que atua como arte-educadora, artista plástica e ilustradora de livros infantis. É mestranda em Artes Visuais e graduada em Educação Artística com habilitação em Música e Artes Plásticas pela UNESP (Universidade Estadual Paulista). É mãe de Carlos Iafelice, 20 anos, que é músico e cursa o Bacharelado em Composição e Regência, também na UNESP. A seguir, ela conta um pouco sobre suas experiências com a música.


"A descoberta da música na minha vida aconteceu quando consegui ganhar um teclado de brinquedo e perceber que podia ler, tocar e cantar as músicas que conhecia, pois o brinquedo acompanhava um manual com notas musicais. Foi um sucesso absoluto!


Na infância, minha interação com a música se desenvolveu basicamente em atividades comuns da infância, como nas brincadeiras de pular corda, ciranda e jogos. Na escola, cantávamos todos os dias com a professora do primário.


Em minha experiência como educadora musical, em primeiro lugar, valorizo o contato musical na infância pela sua beleza, pelo prazer de ouvir e cantar e por ser um canal de rica comunicação. Não podemos deixar de citar que o estudo musical desenvolve a concentração, o raciocínio lógico, a socialização e principalmente o controle emocional. Deve-se pensar no estudo de música como qualidade de vida.


Sobre a estimulação musical que ofereci ao meu filho, que hoje é músico? Vamos começar pela experiência intra-uterina, pois comecei a estudar piano quando estava grávida, então suponho que ele também experimentava da sua maneira esta vivência musical; quando bebê, ele ouvia canções, fazia brincadeiras comuns de bebês e cresceu ouvindo muita música, inclusive vivenciando experiências práticas com instrumentos musicais, pois nossa família proporcionava este contato; aos onze anos despertou para o estudo da guitarra acústica e hoje aos vinte anos ingressou na Universidade e estuda composição e regência.


Eu diria que é muito importante as crianças terem acesso a vários tipos de música, não só do mundo inteiro como de várias épocas.


A respeito das canções que são consideradas "inadequadas" para crianças, ouvidas em rádio e televisão, penso que este "mercado musical" nos impõe produtos consumíveis de péssima qualidade. Ficar atento e saber selecionar faz parte do aprendizado musical; é preciso entender que estes "produtos" rapidamente sairão das prateleiras e que temos outras opções mais sadias.


Eu e meu filho temos gostos musicais parecidos, mas logicamente que ouvimos aquelas músicas que fazem parte dos nossos momentos, um gosto particular, ele simplesmente respeita. Ele selecionou alguns gêneros e descartou outros.


A partir do momento que ele começou a estudar um instrumento (guitarra acústica), seu gosto musical ficou ainda mais apurado. Ele se recusou a dar atenção a músicas "comerciais" e mergulhou no jazz. Nesta fase só estudava e ouvia jazz e não queria saber de mais nada. Ainda bem que esta fase tão especializada passou? Minha atitude foi conversar um pouco sobre esta resistência e pedir para ele ler sobre biografias dos seus ídolos. Então ele percebeu que todos os músicos sofrem influências, não podem permanecer de ouvidos "fechados".


Hoje em dia existem muitos grupos que fazem trabalhos direcionados para crianças. Acredito que ao escolher um CD para ouvir, podemos pensar em vários motivos:



- Os que valorizam a cultura da nossa história (músicas folclóricas);

- Os que trabalham ritmos variados;

- Os instrumentais;

- Os que apresentam canções infantis de outros países;


E também não precisamos ficar restritos aos grupos infantis. Podemos escolher gêneros musicais como samba, choro, jazz, erudito, new age, salsa...

Em casa os pais podem estimular a sensibilidade musical dos seus filhos de várias formas: cantar com as crianças, contar histórias, brincar ou estimular brincadeiras que possuam música, pesquisar sons com objetos do dia-a-dia, saber valorizar o silêncio, o volume e os cuidados com a voz."




* Aline Romeiro - Baby Arts - Música e Interação Musicista, pesquisadora e educadora musical. Mestre em musicologia pela Unesp - Universidade Estadual Paulista, tem formação em piano e atua como professora especializada em programas arte-educativos para gestantes e bebês. É diretora da Baby Arts - Música e Interação, organização especializada no desenvolvimento de atividades artísticas e educativas para bebê e crianças de 0 a 3 anos. contatos@babyarts.com.br


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