Quinta-feira, 21 de setembro de 2017
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Morte, um assunto delicado...

Por Monica C. Burg Mlynarz *


É muito freqüente, em nossa cultura, que temas como morte, sexualidade, doença, se transformem em grandes tabus provocando, nos pais, uma grande ansiedade quando se deparam com as perguntas de seus filhos. Isso é normal, portanto relaxe.

É fundamental que os pais saibam que, muitas vezes, o interesse da criança pela morte - ou qualquer outro assunto delicado - pode ser muito diferente daquilo que os adultos imaginam. Nós, pais, temos o hábito de não levar em consideração a lógica infantil a respeito das coisas sobre as quais falamos. Por isso acabamos faltando com a verdade, supondo que dessa forma estaremos evitando angústias e sofrimentos.

A curiosidade dos primeiros anos

As crianças entre 3 anos e 5 anos, aproximadamente, são extremamente curiosas sobre como os bebês crescem na barriga da mãe, como os aviões voam, porque e como as pessoas nascem, crescem e morrem, inclusive elas próprias. Nessa fase, estão apreendendo as diferenças entre a fantasia e a realidade.


No início do seu desenvolvimento, acreditam que certos fenômenos da natureza ocorrem por "mágica". Aos poucos, pela experimentação com objetos do mundo real (relações de causa e efeito) acabam concluindo que não há truques e que os fatos acontecem por motivos lógicos.

Com relação à compreensão do conceito de morte, os pequenos fazem perguntas e mais perguntas, dia após dia, até que consigam chegar a um determinado tipo de entendimento. Ao mesmo tempo em que isso ocorre podemos observar, em suas brincadeiras, que fantasiam situações de morte com bichinhos e bonecos. Assim, o que aos olhos do adulto pode parecer um comportamento repetitivo e exagerado, deve ser encarado como uma forma saudável de elaborar muitas situações reais.

Um tempo para elaborar

Lembre-se de que nós mesmos precisamos de um tempo para resolver - na mente e no coração - muitas experiências pelas quais passamos. E que perto das crianças pessoas podem morrer, sejam elas da família ou somente conhecidas. Não se iluda: elas vivenciam na rua, ou no parque, a morte de insetos e outros animais. Às vezes de seu próprio animal de estimação. E aprendem, de certa forma, a lidar com esse fato.


Quando ocorre a morte de um ente querido, os adultos, para os quais o fim da vida tem um significado muito carregado de tristeza e sofrimento, às vezes preferem mentir ou ocultar das crianças o acontecido. Essa atitude certamente não está em julgamento. Mas é importante saber que podemos estar negando aos nossos filhos a possibilidade de questionar e permitir que elaborem essa perda que também é deles.

A verdade é o melhor caminho

As explicações sobre a morte devem ser simples, diretas e verdadeiras. Não se preocupe com a fascinação de seu filho sobre esse tema. O interesse é absolutamente natural. Discursos muito longos não irão tranqüilizá-lo. Procure ir direto ao ponto e não o engane com respostas vagas.


Ele continuará perguntando incansavelmente, até que obtenha uma resposta honesta. Ao falar sobre a morte devemos dizer tudo o que sabemos e pensamos. E tudo pode ser dito de forma muito simples: porque estamos vivos um dia morreremos; ou tudo o que vive um dia morre. Se não tiver respostas para todas as perguntas, prefira dizer "não sei". Ninguém sabe quando vai morrer!

Religião, um apoio individual

Quando os pais são religiosos e a fé faz parte do cotidiano da família, é preciso ser coerente com essa crença. Porém, se os pais não crêem em nada, falar sobre alma, céu, inferno, vida após a morte, reencarnação ou outros assuntos que não fazem parte do seu cotidiano, criará uma confusão ainda maior na cabecinha dos pequenos.


Como as respostas para esse tema não são universais a criança pode, ainda, se defrontar com explicações vindas de diversas fontes fora do universo familiar. Os pais, nesse momento, poderão ajudá-la a organizar as informações e explicar o porquê dos diferentes conceitos.


A morte, sem duvida, é um tema muito delicado. Mas, dentro do possível, deve
ser encarado como parte da vida. De uma forma geral as crianças não conseguem
entender a morte até os 10 anos de idade. A maioria delas não vive a tristeza diante dela como os adultos. Elas querem apenas os fatos. Coragem! Não recuse esse pedido!


* Monica C. Burg Mlynarz é psicóloga clínica com especialização em Psicologia Educacional e Terapia de Família.


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