Segunda-feira, 25 de setembro de 2017
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Voluntariado, prazer e gratificação

Por Lucy Casolari *


Cresce o número de programas de incentivo à participação dos pais dentro das escolas. Que tal aderir?

Para se envolver em um programa voluntário é necessário, primeiramente, o desejo de participar, a vontade de contribuir com tempo, talento e trabalho em busca de resultados concretos, atendendo às necessidades de uma instituição. Partindo dessa fagulha inicial, é sempre interessante frisar algumas premissas do voluntariado.


Todos podem participar, porque todos têm algo a contribuir. Dessa forma fica superado o conceito de que só quem é "especialista" pode ser voluntário. Muitos profissionais, aliás, preferem atuar em áreas fora de sua competência específica exatamente para se abrir a novas experiências e vivências.


Trabalho voluntário deve ser uma experiência alegre, divertida, prazerosa, gratificante. É via de mão dupla: aquele que doa, recebe. Quem contribui com seu tempo e talento ganha muitas coisas em troca: contato humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidade de viver outras situações e experiências, aprender coisas novas, satisfação de se sentir útil.


Portanto é uma forma de estabelecer uma relação humana, rica e solidária. Além disso, a ação voluntária duradoura e com qualidade amplia recursos, competências e energias melhorando significativamente a vida da comunidade.

Escolha pessoal

Tradicionalmente no Brasil, o voluntariado se concentrou na área de saúde e atendimento a pessoas carentes. O reconhecimento da urgência dessas ações não é contraditório com a valorização de novas possibilidades nas áreas de educação, de atividades esportivas e culturais, de proteção ao meio ambiente, etc. Cada necessidade social é uma oportunidade de ação. Basta olhar em volta e arregaçar as mangas...


Sendo uma escolha pessoal, cada um pode exercer a atividade a seu modo. Para isso, opte pela instituição, defina o seu tempo disponível e coloque seu talento e trabalho a serviço de algo que tenha, realmente, mobilizado seu coração e sua mente.

E se o apelo vem da escola?

Convites aos pais, vindos da Associação de Pais e Mestres ou da direção, para participar de atividades internas são comuns. O objetivo é formar comissões para organizar festas, almoços, bingos, etc. Se for essa a sua praia, porque não ajudar? Se seu filho ainda é pequeno, ficará muito orgulhoso de sua presença; quanto aos maiores, nem tanto...


Entretanto, um cuidado especial deve ser tomado quanto aos limites. Veja bem: a escola está chamando para uma atividade específica, não para ouvir suas queixas e reclamações a respeito dos profissionais ou de outras questões metodológicas. Em certos momentos, criam-se situações constrangedoras, justamente porque esses limites são ultrapassados, até inadvertidamente, por algumas mães no "tititi" umas com as outras, às vezes com a participação de alguma professora mais desavisada... Se sentir necessidade de ser ouvida, procure marcar uma entrevista e coloque suas ansiedades e opiniões. Os resultados serão, sem dúvida, mais positivos e você não correrá o risco de perder a razão.

Essa recomendação é válida, também, para os programas de voluntariado oferecidos pela escola de seu filho, mas voltados para outra comunidade. As situações mais informais que juntam professores e pais propiciam espaço para que as coisas se misturem. Precisam, portanto, ser administradas com certo cuidado. De que adianta ter o espírito de ajudar voluntariamente e, ao mesmo tempo, desvirtuar esse ambiente?

Participar é preciso

A sua participação é fundamental para o desenvolvimento da comunidade-escola e concretização da sua proposta educativa, de acordo com as necessidades e prioridades estabelecidas. Procure exercer, dentro de suas possibilidades, a participação nas ações mais práticas; muitas vezes é o momento de doar seu tempo, talento e trabalho. Contribuir para a realização de um projeto maior reverterá, sem dúvida alguma, em benefício de seu filho. Além disso, a sua atuação será, para ele, um bom modelo de solidariedade. É assim que se ensina a ser solidário, demonstrando na prática.


O ano de 2001 foi escolhido pela ONU como Ano Internacional do Voluntariado, como reconhecimento por esse fenômeno mundial e componente essencial das sociedades democráticas. Que o espírito perdure e o esforço seja duradouro! Assim poderemos, no futuro, continuar encontrando pessoas dispostas a usar corações, mentes e mãos para transformar o mundo, numa verdadeira revolução de cidadania.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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