Domingo, 19 de novembro de 2017
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Drogas, prevenir é preciso

Por Lucy Casolari *


É possível manter nossos filhos a salvo das drogas? Existem orientações que assegurem uma adolescência saudável?

As dúvidas e angústias dos pais são muitas, e não sem motivo: não faltam casos reais de jovens, próximos do nosso círculo social - parentes, vizinhos, conhecidos - envolvidos com drogas. É como se essa dura realidade estivesse, cada vez mais, próxima à nossa porta, deixando de fazer parte, apenas, da seção policial dos noticiários.



Temos de reconhecer que a sociedade de consumo caminhou no sentido de buscar soluções imediatas para as angústias, criando necessidades artificiais que vão desde os modismos - roupas, músicas e até mesmo alimentos - à desenfreada procura pelo prazer. Além disso, o assunto drogas vem sendo tratado de forma banal: cervejinha, cigarrinho são considerados parte do cotidiano e o uso da maconha é encarado com certa tolerância.


Para piorar, o tema é tratado com sensacionalismo pela mídia, especialmente quando ela divulga a apreensão de quantidades estratosféricas de cocaína ou ações grandiosas contra o narcotráfico. Assim, o tempo todo estão sendo enviadas duplas mensagens à sociedade - de horror e de heroísmo - que confundem tanto jovens quanto adultos.

Para orientar é preciso saber

Diante desse quadro, como agir de forma assertiva na prevenção contra as drogas? Mesmo sabendo que atitudes e discursos alarmistas têm pouca eficiência, não é possível enterrar a cabeça na areia e confiar que os filhos ficarão protegidos, sabe-se lá por quem. Preparar-se para enfrentar o assunto é fundamental. Pode e deve ser iniciado muito antes de seus filhos crescerem e ficarem expostos aos riscos do contato com as drogas. Fique atento a alguns pontos:



  • Estar informado em relação às drogas - tanto as socialmente aceitas (álcool e cigarro) como todas as outras consideradas ilegais. É necessário que você tenha conhecimentos básicos sobre as mais comuns: seus efeitos no cérebro e no corpo, como são usadas, as gírias mais corriqueiras e os sinais visíveis nos usuários.



  • Clareza quanto a valores e posições - procure se posicionar com firmeza e deixar sua opinião transparente. A ambigüidade dos pais, em assunto tão delicado, é um dos fatores de risco, que tem levado o jovem, cada vez mais cedo, a experimentar.



  • A importância do exemplo - estudos comprovaram que o combate ao alcoolismo deve ser iniciado em casa. A maioria dos jovens com alto grau de dependência começou o consumo em família. É grande o número de filhos dependentes graves cujos pais também têm problemas de alcoolismo. O uso da bebida para aliviar a tensão é um comportamento aprendido em casa, e aí as coisas se complicam. O problema não está no fato de tomar vinho no jantar ou cerveja no final de semana, mas sim de precisar de um trago nas situações estressantes.



  • Estimular o diálogo com os filhos - o relacionamento familiar é decisivo. Se for ruim, aumenta extremamente o risco da dependência. Assim é importante que se procure resolver os conflitos, conversando sobre tudo, inclusive as drogas. Não exagere em discursos, procure conversar naturalmente quando o assunto surgir. Não esqueça que a comunicação é via de mão-dupla; escute, realmente, o que seu filho tem para dizer, acompanhe sua vida, mostre interesse por seus estudos, amigos e assuntos preferidos.

    A hora para começar: 2 a 5 anos

    Pode parecer absurdo iniciar a prevenção com os pequenos, mas essa é a fase em que a personalidade se estrutura. Atitudes e hábitos da primeira infância terão reflexos na adolescência. Esta é uma boa época para desenvolver as habilidades de escolha, desde que se observem as limitações da idade. Deixe, por exemplo, seu filho escolher o que vai vestir sempre que possível! Assim se trabalha a autonomia e se reforça a autoconfiança.



    Quando a criança ficar frustrada porque brigou com um amigo, ou por não ter conseguido montar um quebra-cabeça, incentive-a a resolver a situação, superar o obstáculo. Ajude-a, mas não faça por ela. Assim você estará demonstrando confiança em sua capacidade e desenvolvendo a auto-imagem positiva.


    Mantenha produtos de limpeza, tintas e outras substâncias químicas em local seguro. Além disso, explique o perigo que representam e deixe claro que o acesso de seu filho a esses produtos só será admitido na presença de um adulto.


    O uso de medicamentos deve seguir a mesma orientação. Procure não ministrar remédios imediatamente após a primeira queixa de desconforto: essa atitude passa a mensagem de que qualquer dorzinha precisa de alívio rápido. Aguarde um pouco, observe os sintomas e, se necessário, dê o remédio.

    Aproveitando a curiosidade: 5 a 8 anos

    Nessa fase as crianças demonstram interesse em tudo que observam na rua, na TV, nas outras famílias, no condomínio, enfim, no mundo externo. Procure responder às questões, que certamente virão, sobre cigarro, álcool e outras drogas. Se não souber as respostas, informe-se, pesquise, mas não se furte a explicações, preciosas no trabalho de prevenção.


    Explique o que são drogas e quais as suas conseqüências para o desenvolvimento do corpo e cérebro. Aproveite para deixar claro que seus filhos devem evitar sempre qualquer produto desconhecido, e que remédios são só para quem realmente precisa. Quanto ao álcool, não permita que experimentem, com a desculpa de que é só para saber o gosto: além de prejudicial ao crescimento, estimula o consumo precoce.

    A adolescência se aproxima: 9 a 12 anos

    Os fatos do cotidiano podem lhe dar subsídios para continuar a esclarecer os pontos fundamentais em relação às drogas. Infelizmente os noticiários estão lotados de situações violentas, nas ruas há crianças envolvidas com crack e pessoas alcoolizadas, inclusive, dirigindo veículos insensatamente.


    Nessa idade, é muito importante ter amigos e se sentir aceito pelo grupo, portanto incentive seu filho a participar do time da escola ou da turma de teatro. Interesses diversificados - esportes, música, cinema, teatro, dança, leituras - são muito importantes nessa fase, pois enriquecem o mundo interior, fator decisivo para que a adolescência, já próxima, seja saudável.


    A curiosidade e o desejo de se sentir aceito pelos amigos têm levado os jovens, cada vez mais cedo, às primeiras experiências com as drogas. Este é um fato inquestionável, e estudos mostram que os pais que estabelecem uma cultura de regras em casa têm alcançado melhores resultados no sentido de evitar o consumo.


    Não tenha dúvidas: limites claros em relação a horários, festas, viagens, programação da TV e Internet, ajudam a preservar seus filhos do contato precoce com as drogas. Pais presentes e próximos têm mais condições de perceber e interferir, de forma mais natural, em suas ansiedades, inquietações e fantasias.


    Procure conhecer bem os amigos de seus filhos, incentivá-los nos estudos, cultivar rituais de família, interesses em comum... Enfim, todas as alternativas capazes de manter esse canal de comunicação aberto são válidas e devem ser tentadas.
    Garantia total de que o jovem ficará a salvo das drogas não existe, mas cada pai e cada mãe tem a missão e a responsabilidade de procurar caminhos que possam ajudar seus filhos a viverem saudáveis e felizes.



    * Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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