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A cólica ataca novamente!

Por Dr. Leonardo Posternak * em 16/02/2001


Choro estridente, barriga dura e pernas encolhidas. É a terrível cólica que está chegando! Até o terceiro mês de vida um grande número de bebês vive momentos de crise.

Em geral os bebês saem da maternidade muito calminhos. Dormem quase todo o tempo, não dão o menor trabalho. Mas dias depois se põem a berrar deixando suas mães extremamente aflitas. A cólica atinge a maioria dos recém-nascidos a partir do 14º dia de vida e, geralmente, se estende até os 3 meses. Pode variar a intensidade e a duração. O motivo de manifestar-se depois desse período ainda é desconhecido, mas uma explicação pode ser a imaturidade dos órgãos digestivos do pequeno.

Colo, carinho e massagem

Identificar o problema, a princípio, é difícil. Mas com alguns dias, já é possível distinguir os sintomas. A primeira característica é um choro intenso com pequenas pausas. De repente diminui e a criança se acalma inesperadamente. Em geral, esse quadro apresenta-se durante a amamentação, ou alguns minutos depois. Observe seu bebê enquanto isso acontece. A barriga dele provavelmente está dura e as pernas encolhidas. Esses são os indícios da cólica.


Quando são fracas, podem durar aproximadamente 5 minutos. Tente tranqüilizar seu filho. Faça massagens com movimentos leves e circulares sobre a barriga dele. Aos poucos ele se acalma e dorme. Se a dor for muito intensa, o pequeno chora muito e ingere mais ar, o que pode piorar a cólica. Nesse caso, nem sempre a massagem alivia e aí é preciso medicar. Ligue para o pediatra e peça uma orientação.

A viagem da alimentação

A cólica não é uma doença. É um incômodo generalizado e habitual que provoca uma sensação desagradável. Ocorre porque todo o organismo e, principalmente, o aparelho digestivo ainda está em desenvolvimento. Nas primeiras semanas de vida ele recebe menor quantidade de alimentos.


Quando o recém-nascido mama, ingere ar, propiciando um aumento da dor. Pela imaturidade dos órgãos, algumas etapas da digestão deixam de ser cumpridas. Como não há mastigação, o alimento não se mistura à saliva, repleta de enzimas que cumprem o papel de preparar a comida até que ela chegue ao estômago.


Neste órgão, o leite fica armazenado por muito tempo. E aí acontece o "reflexo gastro cólico", aquele barulho que ouvimos durante a digestão: é o leite passando rapidamente do estômago para o intestino. Em crianças maiores e adultos, essa é a etapa em que o bolo alimentar é preparado com ácido clorídrico para depois passar para o intestino, onde outras enzimas farão seu trabalho.

Choro com hora marcada

O bebê ainda não é capaz de completar esse processo. Como a capacidade do estômago é bem maior que a do intestino, este se distende, provocando dor. Por isso, o bebê chora intensamente. Depois de alguns minutos, porém, a cólica melhora. À medida que o alimento vai sendo eliminado a dor diminui.


No decorrer do dia seu filho pode ter mais de uma indisposição como essa. Contudo, existe um horário mais propício para as crises: no fim da tarde, porque a criança está mais tensa e agitada. Nesses momentos ofereça a chupeta. Com movimentos de sucção ela pode aliviar a ansiedade e a tensão.


* Dr. Leonardo Posternak é médico pediatra,
membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein.
Co-autor do livro
E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos
, Editora Best Seller.
Autor de
O Direito a Verdade - Cartas Para Uma Criança
, Editora Globo.


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