Sábado, 24 de junho de 2017
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Leitura, obrigação ou prazer

Por Norma Leite Brandão *


O que fazer para que seu filho goste de ler? Como manter nele a curiosidade, o gosto e mesmo o fôlego para seguir em frente? Tarefa desafiante nos tempos modernos, mas que começa dentro de casa.

Muito se tem discutido a respeito da importância da leitura na escola e em casa. O grande desafio parece ser achar caminhos produtivos para que as crianças não somente descubram o prazer mas, também, cresçam nessa caminhada. Para isso elas precisam se perceber como leitoras ativas, orientadas a buscar novos e diferentes textos: de livros, revistas, jornais... O assunto é amplo, mas algumas dicas podem ser de grande auxílio para os pais nesse percurso.

Até quatro anos: a leitura do mundo

Criança pequena lê? Lê, lê sim: o mundo à sua volta, dos objetos à figura dos familiares. Sabe quando você está nervosa, quando está feliz... Percebe tudo o que a cerca e interage com o que a circunda. A criança se encontra, nessa fase, com todos os seus sentidos extremamente aguçados. E é com eles que faz sua leitura de mundo. Esse é um dos motivos para que, em vários e diferentes momentos, você converse com ela: ao trocar a fralda, ao lhe dar banho. Ouvir sua voz, contando o que está fazendo ou simplesmente brincando, é muito importante para seu desenvolvimento.


Mas existe uma outra forma de leitura, até os dois anos, que não pode ser ignorada. Ao contrário. É a leitura de histórias, preferencialmente nos momentos que antecedem o sono da criança. Pegar um bom livro, lê-lo por partes, diariamente...não, não se incomode com o vocabulário, com o tamanho da história. O que importa, nessa fase, é a oportunidade que você dá a seu filho de observá-la lendo: como folheia o livro, a entonação em determinados trechos. Procure fazer desse momento um ritual. Podem ser 5 ou 10 minutos somente por noite. É isso que os especialistas e pedagogos chamam de iniciar a criança nos atos de leitura, aquele começo que tem origem na família. Aos pouquinhos seu filho irá interiorizando uma série de ações que você realiza durante esse momento especial: o movimento dos lábios, de seus olhos, a forma como manipula as páginas, sua entonação, seu ritmo.


Isso é um livro ou uma toalha?

Entre dois e quatro anos de idade, a palavra de ordem parece ser: vamos explorar tudo! Livros de papel, de materiais laváveis como plástico e borracha. Não fique louca. Nesse período o livro vai parar na boca, será manchado pelo suco, alguns sequer serão salvos da destruição. Por isso, é o momento de lenta e gradativamente ir ensinando às crianças que alguns cuidados são necessários para que elas não percam material tão rico!


Dê-lhes muitas oportunidades de experiência com ilustrações e textos, mas comece a ajudá-las a organizar uma pequena biblioteca. Nessa fase, em que a linguagem está mais desenvolvida, você pode começar a inverter os papéis: pedir a seu filho que também pegue um livro e lhe conte uma história! Não se preocupe com a leitura formal. Veja como ele folheia o livro, que expressões inventa, que história cria! Mais importante do que o texto original é perceber a leitura que ele faz do material. Você vai ficar fascinada com a força da imaginação nessa idade. Irá se encantar, também, com a linguagem utilizada por ele. Em alguns momentos, inventa expressões e pode mostrar um vocabulário surpreendente. Ouça tudo com atenção! A auto-estima dos filhos nasce da crença em seus pequenos atos.

De quatro a seis anos: um leitor e tanto!

Essa é, com certeza, um das fases mais bonitas vividas pela criança! Ela está desabrochando para a alfabetização. Começa a adivinhar outdoors, quer ler seu nome no material, vasculha a sua correspondência. Nada escapa! Parece ter fome de letras. Quer ler, escrever com diferentes materiais, sente-se um pouco "adulta" com essa conquista! Também parece não haver preconceitos ao pegar coisas para ler, ainda que não compreenda. É a hora certa para fazer visitas mais frequentes a livrarias, simples passeios para que ela veja de tudo.


Nesse período que você não deve ficar preocupada com a caligrafia. Forneça material em letra bastão ou de forma. Essa é a melhor tipologia para que seu filho possa pensar, refletir. Ele pode contar o número de letras, comparar palavras. Não se espante, também se, de repente, no meio de uma história, ele inventar fatos que não estão lá. Lembre-se, ele não precisa estar lendo de um jeito formal, todas as palavras.


Justamente por não ter todos os recursos para isso, buscará saídas inteligentes para compreender o texto da sua maneira. E é isso o que importa. No seu momento de contar histórias, não são se preocupe tanto com o vocabulário utilizado nos textos. Simplifique algumas coisas, mas... nem todas. Lembre-se, seu filho é uma criança curiosa e, por isso mesmo, merece ampliar seu repertório. Contar histórias e deixá-lo perguntar o significado de determinadas palavras só lhe fará bem. Aguça o interesse e dá subsídios fundamentais para seu crescimento intelectual.

Não desanime. Período crítico entre seis e oito anos!

Aqui a coisa pode ficar feia! Não acontece com todas as crianças, mas algumas alterações significativas podem aparecer. Nesse momento, a alfabetização já está um pouco mais consolidada. Eles já passaram pelo período do maior desafio em relação à escrita e, de repente, sentem uma certa preguiça. Escolhem, conscientemente. textos menores, mais fáceis.


Esse é um período que requer cuidados redobrados. Se você insistir com uma leitura mais pesada, mais consistente, pode desanimar seu filho. Lembre-se, ele já sabe ler formalmente, mas ainda não tem toda a fluência e o fôlego necessários para jornadas maiores. A saída mais política, nesse momento difícil, parece ser a busca do tipo de leitura que mais o atrai.


Incentive-o! Vale gibi (por que não fazer uma assinatura?), jornal, tirinhas humorísticas, livros de diferentes áreas de interesse, qualquer coisa. Não tenha preconceitos nessa hora. O que está em jogo é o prazer pela leitura e o que importa é criar fluência. Com esses dois ingredientes ele terá fôlego para a etapa seguinte...

De nove a doze anos: mistério, amor, humor, ação

Esse período depende muito de tudo o que ocorreu nas etapas anteriores. Se seu filho teve momentos gradativos de introdução ao universo letrado, por meio de diferentes textos e materiais, certamente essa fase será menos difícil. É quando ele começa a lhe pedir com mais insistência determinados tipos de livros.


Senso crítico mais apurado, maior segurança e fluência, vocabulário mais rico... ele tem em mãos todos os pré-requisitos para criar fôlego e ir às livrarias procurar por material mais diversificado. Sua orientação ainda é importante em alguns momentos. Ouça-o bastante e faça-o refletir sobre suas escolhas. As opções são muitas, de uma riqueza enorme. Ajude-o a transformar essa aquisição em algo alegre e prazeroso.


Se puder, lembre-se de um hábito há muito esquecido, mas extremamente saudável: o uso de bibliotecas circulantes. Se houver uma próxima à sua casa, não hesite! Nada como o uso adequado desse tipo de serviço para dar a seu filho diferentes opções, responsabilidade, cuidado com o material e ensiná-lo a ser mais econômico, é claro!


Procure, também, ler algumas coisas que ele tenha escolhido, pedindo-lhe emprestado alguns livros. Além de se sentir valorizado, você terá assuntos para, de forma indireta, estar conversando com ele. Essa é uma fase em que os pais devem estar muito próximos a seus filhos, criar um maior diálogo. Nesse sentido, o assunto ou ilustração de um livro podem ser referências muito boas para essa aproximação.


Retomar a leitura de forma saudável - grande preocupação das escolas, das famílias e da sociedade do mundo moderno - é desafio e necessidade para a vida e um futuro profissional. Isso só será feito, de forma eficiente, se encontrarem nessa atividade significado, prazer e desafio. A postura e o hábito, com certeza, começam em casa, com você, desde a mais tenra idade.

* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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