Quinta-feira, 22 de junho de 2017
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Mãe (e pai) em todas as horas

Por Beatriz Camargo *


Você cria seu filho sozinha? Optou por uma 'produção independente'? O pai da criança sumiu? Então esteja preparada para responder - e resolver! - algumas questões.

Enquanto seu filho é um bebezinho, tudo corre às mil maravilhas. Só que um dia ele começa a andar, depois a entender, repetir e falar e, finalmente, a pensar, ter curiosidade e perguntar: "Onde está meu pai?". Você se preparou para dar essa resposta? Por mais que hoje em dia esse modelo de família - mãe, filho e só! - seja considerado normal, rotineiro, nem sempre é fácil se defrontar com o primeiro "inquérito", especialmente quando a criança é pequena e você tem dúvidas sobre como e até onde deve revelar a verdade.


"Se existe um questionamento é porque há uma inquietação, um desejo por parte da criança de saber. Ela já deve ter pensado inúmeras coisas antes de elaborar a pergunta, por isso não pode ficar sem resposta", afirma Marilene Grandesso, terapeuta familiar em São Paulo. "Se você estiver bem resolvida com o passado no que diz respeito ao seu relacionamento com o pai da criança, ou sobre a opção de ser mãe sozinha, será mais fácil explicar ao seu filhote que vocês dois são uma família, que está completa".

Um caminho suave

Responder a indagações não significa inventar uma história, nem despejar um excesso de informações sobre ele. Se você guarda alguma mágoa com relação ao pai de seu filho, tome cuidado para não repassar esse sentimento. "A mãe deve falar a verdade, mas respeitando o nível de compreensão da criança", alerta Marilene. Ademais, a boa explicação é aquela bem dosada, na medida da maturidade de quem a está recebendo. Algumas mães encontram mais dificuldade em falar porque têm histórias que remetem a experiências traumáticas, difíceis até para um adulto compreender. Nesses casos não há necessidade de revelar detalhes de tudo o que aconteceu.


"Ao decidir o que dizer e o que calar, um bom princípio norteador é perguntar-se: no que poderá ser útil para a vida da criança, para a visão de si mesma e de suas possibilidades saber deste específico detalhe? Ou então, quais seriam as conseqüências negativas de se omitir tais detalhes? Adote o bom senso e o cuidado pelo bem estar da criança, você não precisa exaltar a figura do pai de seu filho, mas procure não destruí-la", aconselha a terapeuta.


Construa a história de uma forma que seu filhote possa entender. Se julgar adequado, conte que apesar do pai amá-lo muito, foi viver com uma outra pessoa, que também amava muito. Se você foi simplesmente abandonada, é preferível dizer que o pai vive em algum outro lugar, que a mamãe não sabe onde. No caso de ter optado por ser mãe sozinha, você pode dizer que desejava muito de ter um filho, e acabou encontrando alguém que a ajudasse a realizar esse sonho.

Percebendo a diversidade

No início você será a referência para seu filho. Mas assim que ele crescer um pouco, a socialização fará com que ele perceba outros modelos entre as pessoas com quem convive. "As crianças aprendem muito por observação. Uma pessoa ou um grupo que tenha boa relação com a criança já está no campo de referências dela", lembra Marilene Grandesso. A família de um amiguinho da escola, por exemplo, pode fazer com que ela capte rapidamente outros valores e ações. Aos poucos, entenderá que existem diversas constituições familiares - algumas com filho único, outras com duas crianças, casais separados, etc. Quanto maior o número de referências, melhor! Por isso não poupe seu pequeno do convívio social.


A ausência da referência paterna não é uma condição exclusiva de uma mãe sem casamento. Existem muitos casos em que ambos os pais moram na mesma casa mas ele não participa da vida da criança. A escola tem um papel muito importante no processo de compreensão da criança sobre o seu próprio universo. Instituições que não se preocupam em lidar com os diversos modelos de família acabam prejudicando os alunos. Quer um exemplo? Uma atividade para comemorar o Dia dos Pais realizada sem os devidos cuidados pode acabar despertando um sentimento de exclusão ou inferioridade. Para evitar problemas futuros, converse com a coordenação da escola antes de matricular seu pequeno.

E se ele voltar?

Um "fantasma" ronda a cabeça de algumas das mães que criaram seus rebentos sozinhas durante anos. E se ele resolver voltar? Nessa altura seu filho já estará maior, possivelmente livre de traumas e feliz! Nesse caso é preciso ter cuidado com o "aparecimento" não programado. Da mesma forma que contar o início da história não foi fácil, explicar um possível retorno do pai na vida da criança também é delicado.


Novamente, considere aquilo que for construtivo para seu filhote e narre a história verdadeira. "A entrada ou saída de um personagem no sistema - a família - exige uma adaptação. A mãe - se possível junto com o pai - deve informar a criança, pois ela precisa saber o que se passa, delimitar seu universo familiar", aconselha Marilene. E completa: "pense no seu bem-estar e, acima de tudo, no do seu filho. Lembre-se de que não existe regra de comportamento. Diversos arranjos são possíveis, pois cada família é única."


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