Domingo, 19 de novembro de 2017
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Filho mal educado, trabalho dobrado

Por Adriana Mabilia *


Se você sente que a educação do filhote escapou ao seu controle, é hora de reavaliar a maneira como conduz a relação com ele.

Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Certas ou erradas, as suas atitudes refletem nas ações dos herdeiros: pais são modelos e o filho é o espelho.


Além da relação com os pais, outras variantes interferem no comportamento infantil: problemas emocionais, fatores genéticos e disfunções do organismo. Nehuma delas deve levá-lo ao desespero, pois há solução para tudo; basta encarar o problema.

Se não deu para prevenir, corrija

Boca suja

Você fala palavrão? Quando está dirigindo, às vezes, escapa um, não é? Então, sinta o puxão de orelha! Crianças aprendem imitando os adultos. Antes de repreender seu filho por falar palavras feias, corrija o seu próprio comportamento.


Se esse não é o caso, uma dica que funciona com os pequenos, é chamar sua atenção dizendo que vai lavar a boquinha suja deles. Também não permita que tios, primos e avós achem graça na situação: essa atitude estimula a criança a continuar falando bobagens.


A hora de dormir ou quando a criança brinca tranqüilamente são ótimos momentos para reforçar que palavrões são feios e não devem ser repetidos. Na "calmaria" elas ficam atentas e absorvem facilmente aquilo que lhes for dito. Adequar a maneira de falar à idade de seu filho é importante: uma criança de 3 anos repete o palavrão e não sabe o que quer dizer, mas uma criança de 8 anos já sabe.



Escândalo em público

Jamais atenda a exigências de seu filhote por vergonha da choradeira diante das outras pessoas. Se o fizer, ensinará que, gritando, chorando e se jogando ao chão, ele conseguirá o que quiser.


Ajoelhe para ficar da altura da criança e chamar a sua atenção. Peça, com firmeza, que olhe para você. Dê a ela a oportunidade de desabafar, perguntando o que quer e por quê.


Proponha comprar o objeto do desejo no aniversário ou no Natal. Ou diga que sente muito, mas não dispõe de dinheiro. Descreva os motivos com calma, paciência e gestos afetuosos. Se a criança continuar agitada, explique que espernear não resolverá o problema e a convide-a a ver outras vitrines.


Se a criança aceitar o acordo, beije-a ou faça um gesto de carinho. Ensinar a passividade e a desistência dos desejos acarreta o risco de forjar um adulto sem expectativas nem forças para lutar por ideais, que abre mão dos desafios diante do primeiro obstáculo. E não é isso que queremos.


Para acabar com as brigas

Converse com a criança antes da visita chegar. Discretamente, sem mostrar a sua preocupação, sugira ao seu filho que mostre os brinquedos para os amiguinhos que logo estarão com ele.


Sugira a ele selecionar os brinquedos: guardar em lugar seguro aqueles que não quer dividir e deixar os outros disponíveis para brincar com os colegas. Isso evita confusão.


Criança levada, atenção redobrada

Comportamento agressivo e gestos bruscos merecem um olhar atento, pois há riscos de acidentes. A mensagem que a criança passa é a seguinte: "Olhe para mim, estou aqui, fale comigo".


Dê a atenção exigida no momento. Não é correto pular no sofá, mas a criança não espera gritos, nem tapas, apenas uma historinha ou um aconchego. Há atitudes que funcionam como "calmantes". Quando o filho não pára de correr, pular e gritar pela casa, faça cócegas nele, sussurre palavras doces e dê um abraço gostoso. Acalma a criança e dá a ela a segurança e o colo de que precisa.


Esporte descarrega a energia; para a meninada agitada é uma ótima pedida. Brincar em lugares abertos, também: dá para correr, andar de bicicleta e jogar bola. Não esqueça de alimentá-los e hidratá-los bem para essas atividades.

Regras que resultam em boa conduta

  • Prometer e não cumprir tem um péssimo significado para os filhos, pois quebra a confiança depositada nos pais.


  • Não encha a criança de brinquedos caros e sofisticados para compensar a sua ausência: quando adulto pensará que pode comprar tudo na vida, inclusive pessoas.


  • Melhore o seu comportamento, ou logo estará se perguntando: "com quem esse menino aprende essas coisas?"


  • Use o bom senso para impor limites. Se a criança pular no sofá com você por perto para garantir que não se machuque, tudo bem. Mas se pendurar no lustre é abuso!


  • Faça questão de chegar na hora certa aos compromissos que envolvem seu filho - reunião na escola, pediatra e festa dos amiguinhos. Atrasos fazem a criança pensar que não é importante para você, desencadeando rebeldia.


  • Questione aspectos morais, fale da convivência em sociedade e mostre indignação diante de coisas erradas para deixar bem clara a importância da ética e da honestidade.


  • Obrigações domésticas ensinam noções de organização: guardar brinquedos, arrumar o próprio quarto, retirar o prato da mesa, colocar o copo na pia e hora certa para as tarefas da escola.

    Punições, resultados e conseqüências

    Vale refletir sobre as suas atitudes em situações de estresse. As crianças estão sempre testando os limites dos pais. Quando você responde com agressividade, mostra que seu emocional não está equilibrado naquele momento e atesta falta de controle sobre o pequeno danadinho.


    Grito

    O grito funciona como "quem manda aqui sou eu". Tenha cuidado, pois estará ensinando que o grito é sinal de poder. Logo a criança se tornará forte o suficiente para gritar com quem ousar contrariá-la, inclusive com você.


    O tom de voz deve ser firme e claro. Uma ordem ou uma repreensão não deve vir carregada de emoção - olhos vermelhos e veias sobressaltadas. Não é preciso exagerar, basta garantir que a criança obedeça.


    Castigo

    Fale sobre o motivo do castigo. A falta de explicação valoriza a punição e a razão fica esquecida. Não magoe ou humilhe a criança. Essas sensações marcam negativamente a personalidade de qualquer pessoa.


    Pergunte a ele se acha o castigo justo. Converse sobre a punição adequada para chegar a um acordo que satisfaça a ambos. Você se surpreenderá com o resultado, desde que se faça cumprir o combinado.


    Não seja malvado. Cortar o passeio na hora "h", trancar no quarto e proibir o doce favorito só irritam a criança e têm efeito destrutivo.



    Chantagem e ameaça

    A intenção é amedrontar para que a criança obedeça, caso contrário algo de ruim acontecerá. Isso traz angústia e desperta a raiva. Mais tarde, as próprias crianças usarão a mesma técnica com os pais.


    Mãe tem mania de ameaçar contar ao pai as travessuras do filho. A transferência de autoridade tem dois lados: deixa a mensagem de que o papai não está presente, mas participa da educação da criança. Porém, dá a idéia de que além da mãe ser "dedo duro", não é capaz de tomar atitudes severas.


    Palmadas

    Agressão ao menor é proibida por lei. Bater no rosto ou na cabeça humilha a criança e gera mágoa no lugar da solução.


    Partir para a loucura é sinal de que você não dá conta da carga emocional imposta pelo que está à sua volta. É a descarga do estresse provocado pela tensão vivida no trabalho, problemas familiares e financeiros e frustrações.


    É, também, uma reação imediatista. Afinal, educar com sabedoria demanda tempo e paciência. Repare, no dia-a-dia, que bater resolve na hora: a criança pára de fazer arte e fica quieta. Mas no dia seguinte repete as traquinagens.


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