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Tabagismo, uma epidemia mundial

Por Carla Oliveira * em 01/03/2004


A Organização Mundial da Saúde estima que um terço da população mundial seja fumante. Em 90 por cento dos casos, o vício começa na adolescência. Será possível combater esse mal?

Um único cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, dentre as quais arsênico e naftalina - também usadas como veneno para matar ratos e baratas - e cádmio, elemento encontrado em baterias de automóveis. Outra substância é a nicotina, uma droga psicoativa que age no sistema nervoso central causando dependência. Essas milhares de substâncias são responsáveis por males como infarto, derrame cerebral, câncer, trombose vascular, enfisema pulmonar, úlcera, aneurismas arteriais, impotência sexual e muitos outros.


Não podemos deixar de mencionar que o cigarro também prejudica a aparência, pois deixa os dentes e as mãos amareladas, provoca olheiras e envelhecimento precoce da pele, além do cheiro desagradável que deixa nas roupas e nos cabelos. Um fumante também perde pontos em uma entrevista de emprego, sofre prejuízos em sua convivência social e ainda gasta cerca de 800 reais por ano com o vício - considerando-se que fume "apenas" um maço de cigarros por dia.


Apesar disso tudo, mais de 30 milhões de brasileiros fumam. A cada ano, 200 mil deles morrem vítimas de doenças causadas pelo tabaco. O tabagismo é, sem a menor dúvida, um dos maiores problemas de saúde pública atualmente. Mas, o dado mais impressionante dessa história toda é que 90% dos tabagistas começaram a fumar antes dos 19 anos de idade, ou seja, o vício começa na adolescência.

Por que os jovens fumam?

Os jovens vivem um momento de transição bastante intenso e complicado. Eles não são mais crianças e relutam em aceitar as regras que os pais impõem, como uma forma de mostrar que estão buscando sua autonomia. No entanto, também não são maduros o suficiente para avaliar o que devem e o que não devem fazer e acabam tomando decisões equivocadas. O que o jovem quer, no fundo, é descobrir sua própria identidade, achar seu "lugar no mundo", como dizem.


Ao entender isso, os pais compreenderão melhor porque o cigarro representa um apelo tão forte para os jovens. O cigarro funciona como um fator que confere personalidade , que insere o adolescente num grupo. É isso o que ele quer: se sentir aceito, se sentir "alguém". É claro que existem muitos outros elementos que cumprem o mesmo papel, como a idolatria por uma banda de música, a adoção de um estilo próprio de roupa, o envolvimento com uma atividade esportiva, ou qualquer outra coisa que faça o jovem perceber que há pessoas que pensam e agem como ele.


É aí que entra a influência da propaganda das empresas de cigarro. O jovem é fisgado por anúncios sedutores que exibem pessoas felizes, satisfeitas e bem sucedidas... fumando! Uma campanha veiculada há algum tempo fazia questão de frisar que fumar era uma questão de escolha, pegando justamente no ponto fraco dos adolescentes: a necessidade de se auto-afirmar por meio de suas decisões. Cerca de 70% dos jovens que começam a fumar na adolescência tornam-se dependentes. Esse índice é muito alto e as empresas de tabaco enxergam no jovem um potencial consumidor, gastando milhões para convencê-lo a dar as primeiras tragadas.


Para combater o poder dessa propaganda, o Ministério da Saúde vem tomando várias medidas. Os fabricantes foram obrigados a estampar nos maços de cigarros fotos de pessoas com doenças e problemas relacionados ao fumo, acompanhadas de frases como "Fumar causa câncer de pulmão" ou "Fumar causa impotência sexual". Os fabricantes não podem mais acrescentar as expressões "light" ou "baixos teores" nas embalagens, e nem patrocinar eventos culturais e esportivos. Também são proibidos anúncios em outdoors, cartazes, distribuição de amostras e qualquer tipo de merchandising.


Muitos jovens também experimentam cigarro por pura curiosidade, já que fumar é, até certo ponto, um comportamento socialmente aceito. A lógica é a mesma para a bebida. Se todo mundo bebe, por que eu não vou beber? Se todo mundo fuma, por que eu não vou fumar? O aumento das campanhas anti-fumo, a proibição de fumar em locais fechados, como shoppings, restaurantes e aviões, a existência de locais específicos para fumantes (os "fumódromos") são medidas que ajudam a discriminar o tabagista, fazendo com que o cigarro não mais seja visto como algo "natural", inserido no cotidiano das pessoas.

Abordagens que não funcionam

Seu filho adolescente começou a fumar? Calma, não se desespere. Essa situação é delicada e, ao tentar fazer com que ele desista do cigarro, você pode acabar pondo tudo a perder. Lembre-se de que lidar com jovens é muito difícil - e com eles a lógica raramente funciona! Leia, a seguir, coisas que você não deve falar para o seu filho.


  • Não negue que o ato de fumar pode ser prazeroso para ele com frases como "não sei como você pode achar bom ficar engolindo fumaça". Para os dependentes, fumar é gostoso, por mais absurdo que isso pareça.


  • Evite discriminar o fumante ou fazer discursos anti-tabaco, pois isso o afastará. O jovem muitas vezes toma atitudes para contestar os pais e se diferenciar deles, por isso essa postura surte o efeito contrário. Ele acaba vendo o cigarro como algo que o distancia dos seus pais, da sua infância, e de tudo o que representa a fase em que ele, por ser criança, não tinha autonomia.


  • Não fique apenas insistindo nos prejuízos que o cigarro traz para tentar aterrorizá-lo. O jovem não se preocupa com seu futuro, pois isso é algo muito distante para ele. Ele não entende que poderá morrer em razão do cigarro, já que no momento sua saúde é ótima.


  • Quer simplesmente proibir o cigarro? Pense melhor sobre essa atitude. Isso só reafirmará o fumo como símbolo de contestação e rebeldia, tornando-o ainda mais atraente.

    O que eu faço, então?

    Apenas 3% dos fumantes conseguem abandonar o vício. O que isso significa? Que todos os esforços devem se concentrar na prevenção, já que esse problema, por enquanto, não tem uma solução simples. Os pais são o maior exemplo que os filhos podem ter. Se eles valorizam uma vida saudável, certamente influenciarão seus filhos a não adquirir hábitos prejudiciais à saúde. Diálogo e compreensão são fundamentais. Durante a infância e a adolescência, seu filho precisa muito do seu apoio, da sua presença, do seu carinho. Sabendo que é amado e cuidado, ele terá mais auto-estima e não se sentirá atraído por comportamentos auto-destrutivos.


    Bem, se fosse só isso seria fácil. Mas, muitos outros fatores influenciam essa escolha, como a publicidade, os amigos, os ídolos. Por isso, o trabalho deve ser constante. Ao assistir um anúncio de televisão sobre cigarro, procure provocar em seu filho uma reflexão sobre as mensagens que ele passa e as verdadeiras intenções de quem quer vender o cigarro. Ao ver alguém fumando, comente com seu filho que muitas pessoas buscam prazer no cigarro, sem saber que acabarão se tornando verdadeiramente dependentes, e que existem muitas outras fontes de prazer, tais como esportes, música, dança, viagens, ir ao cinema, conhecer lugares novos, etc.

    A força da nicotina

    Além da dependência física do cigarro por causa da nicotina, o fumante desenvolve também dependência emocional e social. Para ele, é difícil lidar com as tensões do dia-a-dia sem usar cigarro para relaxar e aliviar as pressões. Ele não consegue sequer se imaginar realizando as tarefas cotidianas sem um cigarro na mão. Por isso, mesmo que queira parar, ao ver alguém fumando, ele não consegue resistir. Isso é o que acontece com a grande maioria. Fumar não é uma questão de escolha, é uma questão de dependência física e emocional - e das mais poderosas.


    Mas, os fumantes não acreditam que sejam viciados. Eles têm certeza de que fumam porque querem ou porque é gostoso. O fato é que, sem a nicotina, o corpo do fumante reclama. Ele começa a sentir irritação, ansiedade, tristeza, insônia, perda de concentração, dor de cabeça e aumento de apetite. Tente esconder o maço de cigarros de um fumante por alguns minutos. Ele ficará nervoso e agressivo, mesmo que seja a pessoa mais calma do mundo, e não conseguirá pensar em mais nada até encontrá-lo. Na verdade, é melhor você nem fazer isso, pois correrá o risco de se tornar um inimigo dele!


    O importante é não desistir. Tudo é válido na luta contra o cigarro. Mascar chiclete, beber água ou comer cenouras cruas quando a vontade de fumar bater são algumas táticas comumente usadas, mas sem eficácia comprovada. Começar a praticar esportes também ajuda. Mas, antes de qualquer coisa, o fumante precisa estar convencido a largar o cigarro, pois se ele não quiser, nenhuma tentativa surtirá efeito. Você pode se informar melhor sobre as formas existentes para combater o vício através do Disque Pare de Fumar: 0800-7037033. Boa sorte!


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