Sexta-feira, 29 de maio de 2020
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Seu filho vai bem na escola?

Por Lucy Casolari *


Esta frase, tema de muitas trocas de figurinhas nos grupos de pais e mães, expressa preocupação e ansiedade. Afinal, na escola filhos passam a ser alunos, com tudo o que isso envolve - lições, trabalhos, provas e o célebre e aguardado boletim.

Desde que as crianças chegam à primeira série essas questões vão se tornando mais concretas e freqüentes, pois se inicia, também, uma cobrança maior em relação à aprendizagem. É quando acontecem experiências importantes para o desenvolvimento: o contato com a noção de dever, as maiores ou menores facilidades nas diversas áreas, os próprios interesses e limites.


São os primeiros passos da criança em direção à autonomia, que faz parte do crescimento. Lembre-se de que a construção do papel de aluno se dá na sala de aula, na interação com outras crianças e a partir do que é trabalhado pelos educadores. Para os pais, entretanto, essa caminhada tem momentos de angústia e preocupação, especialmente se as informações vindas da escola se resumem a boletins bimestrais.

Aprendizagem é um processo

Compreender as vivências do seu filho, como aluno, vai baixar a sua ansiedade e dar condições para que você acompanhe mais tranqüilamente a sua escolaridade. Enquanto realiza suas tarefas, ele vai, ao mesmo tempo, descobrindo se tem mais facilidade na escrita ou uma queda maior para problemas e cálculos. Seu interesse será despertado, em graus variados, por uma pesquisa sobre animais marinhos ou pela história dos primeiros imigrantes. Poderá se empolgar mais com a descoberta das cores do que com uma coreografia dos povos indígenas.


Ao mesmo tempo em que esses conteúdos são explorados, surgem atividades e trabalhos que exigem mais dedicação e esforço. Seu filhote vai perceber, por exemplo, que se conseguir a concentração adequada na hora certa, o trabalho será entregue na data marcada. Superar obstáculos faz parte da rotina escolar e é das aprendizagens mais importantes para o desenvolvimento da auto-estima.


Tudo isso diz respeito a processo e resultados. O registro será feito, posteriormente, por meio do boletim. De uma escola para outra existem variações na forma de avaliação: umas priorizam as provas enquanto outras dão maior peso ao trabalho do dia-a-dia. Saber o que foi efetivamente considerado, o que entrou no cômputo dessas notas, seja em números ou conceitos, é fundamental para que as famílias se mantenham informadas a respeito da escolaridade de seus filhos.

Entre um boletim e outro

Ficar apenas aguardando é muito difícil, mas a observação de alguns sinais pode dar dicas de como está a situação. Considere positivo:


  • Se, com freqüência e espontâneamente, seu filho fala sobre o que está aprendendo.

  • As demonstrações de segurança e autonomia ao realizar as tarefas ou ao se preparar para as provas. Procure valorizar sua independência, mas mostre-se aberto para ajudar em caso de dúvida.

  • A mobilização para uma nova pesquisa, embora só a motivação, tão necessária para iniciar, possa não ser suficiente para dar conta do recado. Dependendo do assunto é provável que sua participação mais efetiva seja necessária. Cuide para ser apenas suporte e não fazer pela criança.


    Sinais que podem sugerir maiores problemas ou dificuldades:


  • Seu filho afirma que nunca tem lição.

  • Enrola para iniciar a tarefa e quando, finalmente, resolve sentar e encarar o desafio, a lição torna-se um verdadeiro tormento. Requisita o tempo todo, leva horas para terminar, chora, faz cenas.

  • Nunca conta nada do que acontece em classe, nem das matérias, nem dos amigos.


    Situações como essas demostram que é momento de entrar em contato com a escola: escreva bilhetes, marque uma reunião, enfim, procure se inteirar para ajudar seu filho em tempo. A professora ou a orientadora poderão dar informações preciosas sobre o trabalho de classe e você terá oportunidade de relatar o que acontece em casa. Dessa conversa será possível traçar um plano conjunto entre escola e família, no qual cada uma das partes se compromete com determinadas ações em seus respectivos espaços.


    É fundamental que seu filho esteja a par do combinado e entenda que é uma relação de ajuda, de parceria. Toda a clareza é necessária, assim, uma conversa a três pode ser bem eficiente para comprometer todos os envolvidos no processo: aluno, família e escola.


    Finalizando, é sempre interessante lembrar que o boletim é o registro do trabalho do aluno no período. Ao recebê-lo cabe sempre uma boa conversa com seu filho. Reconheça e valorize seus esforços e melhoras, por pequenas que sejam, mas não deixe de mostrar claramente sua insatisfação, se for o caso.


    Acima de tudo, cuide para não entrar em negociações que envolvam presentes ou prêmios para o próximo bimestre. Além da prática já ter demonstrado a pouca eficiência dessas barganhas, fica reforçado o comportamento mercantilista que vai exigir sempre uma recompensa maior ou melhor...


    * Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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