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Depois do parto, a depressão. Saiba o que fazer

Por Julienne Gananian * em 06/02/2002


A depressão pós-parto atinge cerca de 10 em cada 100 mulheres e, ainda hoje, é assunto pouco divulgado e aceito pelas próprias mães.

A gravidez é um momento importante na vida da mulher, mágico e maravilhoso para a maioria pois, além de gerar uma outra pessoa, tem como conseqüência uma nova condição, a de "ser mãe". Porém, pouco se fala da tristeza, do medo e da culpa que muitas grávidas sentem durante ou após o parto, contribuindo para que esses sentimentos sejam ainda mais camuflados e, consequentemente, agravados com o passar do tempo.


Existe uma tristeza comum, que dura aproximadamente 72 horas após o nascimento do bebê e que faz parte da readaptação do organismo às mudanças ocorridas durante a gravidez. Essa melancolia não deve ser confundida com a depressão pós-parto que dura muito mais tempo e chega a aparecer até 12 meses depois do fim da gestação. "Quando o bebê nasce há uma transformação hormonal brusca, uma queda repentina dos hormônios que contribui, dependendo da predisposição da mulher, para a síndrome da depressão pós-parto" explica a Dra. Maria Tereza Jeanneret, psiquiatra e psicanalista em São Paulo.


Os problemas não se restringem à questão hormonal, mas à cultural também. No caso de ser o primeiro filho, a mãe, com o nascimento da criança, sente uma verdadeira reviravolta em sua vida. Agora ela terá - mais ainda - que assumir as questões da casa, cuidar de uma outra pessoa e ser responsável não só pela sua vida mas pela de seu filho também. "Para completar, muitas vezes ela sente a perda da barriga: algo que antes era só seu - o bebê - saiu para o mundo e precisa ser cuidado e acolhido" conta a Dra. Maria Tereza.

Vou conseguir cuidar do bebê?

Assumir a função de mãe não é uma questão fácil ou natural para todas as mulheres. Algumas sentem que deverão abrir mão de grande parte de sua liberdade e, ainda por cima, se dividir entre os deveres de casa, o filho e o mercado de trabalho. A angústia aumenta e vem acompanhada de pensamentos como "será que terei capacidade de cuidar do bebê?", "ele será saudável?", "como vou conseguir?". A mulher sente culpa por, de alguma forma, rejeitar ou não desejar aquele bebê. Segundo a psiquiatra, como socialmente não se aceita este sentimento, a culpa não admitida se transforma em depressão.


As características de cada caso, bem como o grau e as conseqüências da depressão pós-parto variam muito. Os problemas são diversos, como o medo de não ser uma boa mulher, a incapacidade de manter os cuidados básicos de alimentação e de higiene sua ou do bebê até os mais complexos. "Surgem idéias delirantes de perseguição, por exemplo, o desejo de machucar si mesmas - pensando até em suicídio - ou o próprio filho" explica a psiquiatra. Nesse estado, elas chegam a abandonar ou mesmo matar as crianças, como tantas vezes a mídia noticia. É difícil acreditar em tudo isso, não é mesmo? Porém os casos só chegam a este ponto quando a mãe não recebe ajuda médica e o suporte da família.


Choro, tristeza, preguiça...

Os sintomas como cansaço, insônia, irritação, apatia ou atitudes como a de não querer se cuidar ou se alimentar geralmente fazem parte da depressão pós-parto. Infelizmente quem está ao redor nem sempre percebe e, muitas vezes, a doença acaba piorando nas gestações subseqüentes ou ao longo da vida da mulher. O pior é que a mãe, que está sofrendo e doente, ainda tem que ouvir frases como "larga de ser preguiçosa, vai se arrumar, colocar um batonzinho...". Pode, ainda, ser recriminada pela família - e, inclusive, por si mesma: "ela ganhou um lindo bebê, como pode ficar triste?".


Poucos entendem que nesse estado a pessoa se sente incapaz, até para fazer o que estava acostumada ou para realizar atividades que antes lhe davam prazer. Não se trata de vagabundagem, preguiça ou apenas uma tristeza passageira: a auto-estima do depressivo fica totalmente baixa e os sintomas funcionam como uma bola de neve: a mulher está triste, o marido briga com ela. Presa nesse pesadelo terrível ela piora, fica mais irritada, o bebê sente e começa a chorar e por aí vai...

Como sair deste problema?

Depois do parto a mulher precisa ir ao médico para avaliar sua saúde e conversar sobre sua adaptação e sentimentos relacionados a essa nova fase. Caso sinta que está piorando, que não consegue mais controlar as suas emoções, ou a família note mudanças significativas em seu comportamento, ela deve procurar um psicólogo ou psiquiatra que a ajude a sair dessa situação. Atualmente existem medicamentos que não interferem no aleitamento nem causam dependência. Portanto, a melhor arma para combater a depressão é conciliar o tratamento médico com o apoio e carinho da família e amigos.


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