Segunda-feira, 29 de maio de 2017
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Sexo na adolescência

Por Julienne Gananian *


Seu filho cresceu, tornou-se um adolescente e, aos poucos, conquistou maior liberdade. Mas, e quando o assunto é sexo?

Por que é tão difícil falar sobre sexo com os filhos adolescentes? Afinal, trata-se de um assunto amplamente discutido pela mídia e, se você pensar bem, o papai e a mamãe tiveram que fazer sexo para seus filhos nascerem, certo?


No entanto, nem tudo se explica pela lógica ou pela razão. A sexualidade continua um assunto delicado e difícil, em todos os aspectos. "É uma área onde estão nossas inseguranças, o medo da rejeição e da entrega e o modo como nos relacionamos com o outro. Conversar sobre sexo requer uma relação de intimidade e confiança" afirma Lídia Aratangy, psicoterapeuta de casais e família.


Claro que essa intimidade não surge de repente, da mesma forma que seu filho não se torna adolescente de uma hora para outra: trata-se de um processo. Se, desde a infância, a criança não encontrou espaço para contar sobre suas atividades na escola, por exemplo, a possibilidade de diálogo é ainda menor na adolescência. "Se não existe o hábito da conversa cotidiana, de trocar as miudezas do que ocorre na vida de cada um, os pais transmitem a informação de que não faz parte do seu universo de interesse o que acontece na vida dos filhos", ressalta a psicoterapeuta.

Perda do controle

Conforme a criança se desenvolve, os pais sentem que seu poder sobre ela diminui. Quando o assunto é sexo, então, a preocupação torna-se ainda maior: será que meus filhos saberão escolher os parceiros certos? Será que a minha filha está preparada para transar com o namorado?


Os pais, antes o centro do universo dos filhos, agora já não controlam mais seus atos, suas escolhas e suas vidas. Segundo Lídia Aratangy, agora eles se sentem inseguros para dar a proteção ou o apoio que gostariam. Além disso, não conseguem mais resolver os problemas da vida dos filhos, nem atender a seus desejos e necessidades. Evitar as frustrações, escolher os parceiros ou delimitar as experiências do jovem torna-se impossível.


Como ajudá-lo então? A conversa sincera e verdadeira é o melhor meio de orientá-lo. Dessa forma você garantirá que, pelo menos, seu filho saiba como se proteger de doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez indesejada.

Como conversar?

Existem vários ganchos para iniciar uma conversa sobre sexo. Antes de tudo, devem estar sintonizados com os filhos: assistir a um filme juntos ou ler os livros que eles estão lendo são formas de se aproximar e de abrir o caminho.


Não adianta procurar por modelos, a conversa tem que se adequar ao tipo de relacionamento daquela família. Os pais devem respeitar seus próprios limites e os dos filhos "garantindo a delicadeza necessária nessa coreografia para que um não invada o espaço do outro" alerta Lídia.


Você mesmo saberá até onde ir. Será que vale à pena contar as suas experiências? Talvez seu filho não queira saber e sinta-se até envergonhado de falar sobre isso. Da mesma forma, ele tem o direito de não querer contar sobre a vida sexual dele, como foi a primeira vez ou se está ou não transando com a namorada.


Não se preocupe em buscar a perfeição! Não é preciso saber tudo para discutir a sexualidade e as formas de prevenção. "Existe um mito de que, para falar sobre sexo, as pessoas precisam estar totalmente bem informadas e seguras, mas ninguém é assim. Se os pais conversarem de um jeito natural, assumindo inclusive suas dúvidas e pudores, o diálogo será mais espontâneo e verdadeiro" acredita a psicoterapeuta.

Tapar o sol com a peneira

Muitos pais preferem ignorar que seus filhos são sexualmente ativos, acreditando que eles ainda são crianças ou não estão preparados. "Sexo faz parte da vida, sobretudo na adolescência, quando o efeito dos hormônios destampa. Os pais têm dificuldade de pensar nos filhos como indivíduos sexuados", diz Lídia.


Dentro dos seus limites, oriente seu filho desde cedo para que ele tome atitudes responsáveis. "Acredite que ele será competente para fazer escolhas e, quando não, esteja por perto para ajudá-lo antes que uma encrenca se transforme em catástrofe" conclui Lídia Aratangy.


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