Domingo, 17 de dezembro de 2017
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Ajude seu filho a superar medos e dificuldades

Por Carla Oliveira *


No dia-a-dia, as crianças enfrentam muitas situações difíceis, como a insegurança diante de uma prova complicada ou a tristeza por ter recebido um apelido maldoso dos colegas. Como ajudá-las a enfrentar tudo isso?

- Insegurança: medo de errar

- Xingamentos e apelidos maldosos


- Desânimo em relação aos estudos


- Brigas com amigos ou irmãos


- Medo de escuro, de cachorro e outros...


- Ciúmes entre irmãos


- Culpa pela separação dos pais


- Sentimento de exclusão





Assim como os adultos, as crianças também têm seus problemas e, por mais que pareçam bobagens aos olhos dos mais velhos, não se pode subestimá-los. Leia, a seguir, dicas sobre como ajudar os pequenos a superar algumas das principais dificuldades que enfrentam em seu cotidiano. No final, confira nossas sugestões de livros infantis que tratam sobre esses assuntos. Uma das principais utilidades dos livros é mostrar às crianças que existem outras pessoas com problemas semelhantes aos delas. Sabendo que não são as únicas, fica mais fácil entender e buscar uma solução.



Insegurança: medo de errar


Quem, quando criança, nunca ficou nervoso diante de uma prova, de uma apresentação de teatro ou mesmo de uma festinha? Essa ansiedade é normal e reflete o medo de falhar, de ser avaliado pelos outros e de não corresponder às expectativas. É claro que, quanto maior for a auto-estima da criança, menos insegurança ela vai ter. Para isso, ela precisa sentir-se valorizada e entender que todos têm suas falhas e limitações.


"Os pais têm um papel fundamental nessa questão. Alguns dão um valor grande demais ao desempenho dos filhos e acabam fazendo muitas cobranças", destaca a psicanalista Priscila de Faria Gaspar. Tente avaliar o que você espera do seu filho e veja se você não está exigindo demais dele. Lembre-se de que seu filho não tem que fazer tudo aquilo que você gostaria de ter feito na idade dele. Ele é uma outra pessoa, com características e interesses diferentes.


Para ver sugestões de livros infantis que podem ajudar seu filho a enfrentar esse e outros problemas, clique aqui.


Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Alimente a auto-estima do seu filho!



Xingamentos e apelidos maldosos


Todos os dias, pelo menos uma criança volta da escola triste por ter recebido um apelido, um xingamento ou uma gozação dos colegas. Quem mais sofre certamente são os gordinhos, que são agredidos com uma infinidade de nomes diferentes: "rolha de poço", "baleia assassina", "saco de banha" e por aí vai. Isso tudo pode provocar um sentimento de inferioridade na criança, tornando-a extremamente insegura e comprometendo sua auto-estima. Por isso, é muito importante que os pais mostrem a seus filhos que ninguém é perfeito e os ensinem a valorizar as diferenças.


"Quem agride também tem problemas e está projetando suas dificuldades nos outros", explica Priscila. Diga a seu filhote que aquele garoto da escola que tira sarro de todo mundo tem inúmeros defeitos, e que ele tem esse comportamento justamente para esconder essas características. "Leve a criança para observar a natureza e mostre como as plantas, as flores e os animais não são iguais. O bonito é o conjunto que eles formam. É o homem, principalmente através da mídia, que cobra a padronização e que impõe modelos", ensina a psicanalista.


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Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria A integração dos diferentes.



Desânimo em relação aos estudos


Para que a criança demonstre interesse pela escola, é preciso que os pais dêem o exemplo. Conhecer os professores, freqüentar reuniões e acompanhar o conteúdo que está sendo dado é o mínimo que se deve fazer. E, para aumentar o interesse do seu filho pelo conhecimento, é muito importante levá-lo a museus, exposições e conversar com ele sobre os mais diversos assuntos. "Mas, esse desânimo também pode ser reflexo de inadaptação à metodologia da escola. Talvez, em outro colégio, esse mesmo aluno tenha mais motivação e seu rendimento seja melhor", destaca Priscila.


Não é raro que crianças um pouco mais velhas, e principalmente os adolescentes, reclamem que a escola não serve para nada e que eles só aprendem coisas inúteis. "Os pais precisam reavaliar a importância que eles dão para o conhecimento. Ele deve ser valorizado como um bem cultural, que enriquece a mente e alarga horizontes e não como algo pragmático, que serve apenas para garantir um diploma e uma profissão no futuro", afirma a psicanalista.


Ao conversar com ele, use a seguinte analogia: um jogador de futebol não treina apenas jogando. Seu treinamento inclui uma série de exercícios - como alongamento e corrida - que visam preparar seu organismo para o jogo. O mesmo se dá com uma série de conteúdos ensinados pela escola que, mesmo que nunca sejam aplicados, servem para preparar o aluno mentalmente para as diversas formas de raciocínio que serão importantes depois, como o raciocínio lógico e verbal.


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Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Seu filho não estuda. O que fazer?



Brigas com amigos ou irmãos


Brigas entre irmãos ou amigos são normais e acontecem toda hora. Os motivos são os mais diversos - e muitas vezes nem existe um! Ninguém quer admitir o erro ou dar o braço a torcer, pedindo desculpas. Mas, por mais que essa situação seja chata, ela pode ensinar muitas lições, como a de que as pessoas têm pontos de vista e costumes diferentes, por isso entram em conflito. Quando isso acontecer, faça com que seu filho se coloque no lugar do outro e entenda que não existem um culpado nisso tudo.


"As brigas servem para as crianças reconhecerem erros e limites, tanto os seus como os dos outros. É uma importante ferramenta para o amadurecimento", explica Priscila. A psicanalista recomenda aos pais que nunca tomem partido quando isso acontecer. "Algumas mães resolvem ir tirar satisfação com os pais de um colega que brigou com seus filhos, e depois ficam constrangidas, pois as próprias crianças resolvem a situação sozinhas e fazem as pazes rapidamente", afirma Priscila.


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Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Rivalidade entre irmãos.



Medo de escuro, de cachorro e outros...


Ter medo, dentro de certos limites, é normal em algumas fases da vida. Só não é saudável quando é muito exagerado, a ponto de se tornar uma fobia - nesse caso, só um especialista pode ajudar. "Um dos primeiros medos do bebê é do escuro. Ele pensa que o que não está em seu campo de visão não existe, logo o escuro representa o nada e, particularmente, a perda dos pais. Quando essa fase passa, a criança transfere seu medo para outras coisas, que podem ser imaginárias, como monstros, ou reais, como um animal", explica Priscila.


O importante é nunca forçar a criança a enfrentar o medo se ela não estiver preparada. Se ela tem medo de escuro, deixe alguma luz acesa quando ela vai dormir. Compre um abajur bem bonito, com desenhos e colorido. Mas, evite as cores quentes, como vermelho e laranja, que deixam a criança ainda mais agitada. Prefira o azul, o verde ou o violeta, que ajudam a relaxar. Se o medo é de um animal, é preciso fazer uma aproximação gradativa. "Faça com que seu filho primeiro tenha contato com um filhotinho, que é menos amedrontador", ensina a psicanalista.


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Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Medo do desconhecido.



Ciúme entre irmãos


Imagine que um dia seu companheiro chegue em casa e diga que arranjou outra mulher e que vai trazê-la para morar lá, enfatizando que isso não diminuirá o amor que ele tem por você. Ele também diz que amará as duas da mesma forma e que vocês também deverão se amar e se ajudar, pois serão grandes amigas e partes da mesma família. O que você sente? Revolta? Indignação? É esse mesmo sentimento que as crianças sentem na chegada de um irmão. Esse novo "morador" é alguém que vai roubar seu espaço, não só na casa como no coração dos pais. "O amor é algo que se confunde com posse. É preciso aprender a compartilhá-lo", esclarece Priscila.


Para evitar o ciúme, é preciso distribuir a atenção entre os filhos. Quando chega um novo bebê em casa, é fundamental que o filho mais velho não se sinta excluído. Peça para ele ajudar a cuidar do bebê e participar de tudo, mas sem pressioná-lo. "Mostre fotos de quando você estava grávida dele e de quando ele era pequeno, e conte sobre os cuidados que tiveram com ele, assim como vão fazer agora como o irmãozinho", ensina a psicanalista. "Caso você tenha irmãos, conte como era quando você era criança. As crianças adoram ouvir essas histórias de família e há uma aproximação entre pais e filhos quando os pais mostram como viveram no papel de "filho". É importante mostrar que também tinha medos, dificuldades, falhas e, principalmente, que você o compreende!", completa.


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Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Ciúme entre irmãos.



Culpa pela separação dos pais


"As crianças têm uma fantasia inconsciente de afastar o pai para ficar com a mãe só para elas. Quando ocorre o divórcio, elas podem achar que a culpa é delas, como se esse desejo tivesse se tornado realidade", explica Priscila. Seguindo essa mesma lógica, as crianças se sentem culpadas por muitos outros acontecimentos, pois acreditam que são concretizações de suas vontades íntimas - é claro que isso não é algo consciente.


Para evitar o sentimento de culpa pela separação, é fundamental enfatizar que os pais possuem coisas entre si que independem de sua relação com os filhos e do amor que sentem por eles. E que foram essas coisas que fizeram com que eles não quisessem mais viver juntos. "Não é bom falar que o amor entre os pais acabou, pois os filhos podem fantasiar que um dia o amor por eles também acabará. É importante dizer que isso nunca irá acontecer, para lhes dar segurança nesse momento. Mostre que existem ex-marido, ex-mulher, mas não existe ex-filho!", enfatiza Priscila.


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Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Divórcio faz mal a nossos filhos ou não?



Sentimento de exclusão


Ser o último escolhido para o time na aula de educação física, não ser chamado pelos colegas na hora de fazer trabalhos em classe ou - o que é ainda pior - não ser convidado para uma festa: todas essas situações geram muita tristeza para aquelas crianças mais tímidas, que têm dificuldade em se enturmar. O sentimento de não ser amada ou aceita afeta muito a auto-estima da criança. "Quando seus filhos são rejeitados, alguns pais tendem a isolá-lo ainda mais, pois acham que assim evitarão seu sofrimento. Isso não resolve nada e ainda agrava o problema", destaca Priscila.


A psicanalista recomenda aos pais que procurem saber com a diretoria da escola qual a ênfase dada a esse problema em sua linha pedagógica. Existem muitas escolas que valorizam a socialização e a integração dos "excluídos", evitando esse tipo de situação. É importante levar em conta também que algumas crianças não se sentem bem em escolas grandes e podem se adaptar melhor em turmas menores. Não caia na tentação de expor o problema aos colegas de seu filho, tentando obter alguma ajuda, pois isso o deixará constrangido e não resolverá nada. O mais importante é demonstrar muito amor a seu filho e conversar bastante com ele. Mais cedo ou mais tarde, ele achará sua turma, pode ter certeza.


Para saber mais sobre esse assunto, leia a matéria Timidez, característica ou problema?



Sugestões de livros:



"A barata medrosa e o coronel baratinado", de Luiza de Maria (Editora Scipione). O livro conta o encontro de uma barata que tem medo de tudo e um coronel que não tem medo de nada. A história ajuda a entender o medo.


"Na corda bamba", de Hardy Guedes Alcoforado Filho (Editora Scipione). Por meio de poemas, o autor fala sobre diversos medos comuns na infância.


"Anão e gigante", de Nílson José Machado (Editora Scipione). Diante dos acontecimentos, cada um reage de maneira diferente. Uns se sentem fortes como um gigante e outros, frágeis como um anão. O livro ensina como lidar com essas diferentes emoções.


"Não me chame de gorducha!", de Bárbara Phillips (Editora Ática). Rita sofre de excesso de peso e se sente discriminada pelos colegas. Mas, com muita força de vontade, ela consegue vencer o problema.


"Amoreco", de Babette Cole (Editora Ática). Amoreco é um cachorro que decide fugir de casa quando sua dona tem um bebê, pois fica com ciúmes do recém-chegado. No final, percebe que também é muito amado.


"O livro boboca", de Babette Cole (Editora Ática). O livro fala da importância das diferenças e mostra que o mundo seria muito tedioso se todos fossem iguais.


"Eu morro de medo de bicho", de Babette Cole (Editora Ática). Como o próprio nome diz, o livro trata do medo de animais.


"Papai nunca mais voltará para casa?", de Paula Z. Hogan (Editora Ática). Os pais de Laura se separaram e ela quer que eles voltem a viver juntos, mas depois descobre que sua família não vai acabar por causa disso.


"Eu nunca vou crescer?", de Eva Grant (Editora Ática). Parece que o irmão mais velho tem sempre mais privilégios, não é? Mas, não é bem assim... Este livro discute a rivalidade entre os irmãos.


"O livro dos medos", de Heloísa Prieto (Editora Companhia das Letrinhas). De forma bem humorada, o livro dá dicas de como lidar com os medos, desde o medo do escuro até o medo de que os pais se separem.


"Quem tem medo de fantasma?", de Fanny Joly (Editora Scipione). O livro fala do pavor que algumas crianças sentem por fantasmas e integra uma coleção, da mesma autora, que fala sobre diversos medos: de água, de dentista e até de extraterrestres.


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