Sábado, 27 de maio de 2017
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Feito gato e rato

Por Luiza Helena Marcondes *


Se você já não sabe mais o que fazer para driblar a briga e o ciúme entre seus filhos aprenda, aqui, como agir em determinadas situações.

"Tudo o que minha irmã pede eu faço, não penso duas vezes antes de realizar um desejo seu", afirma Cinthia. Quem ouve a estudante de 20 anos dizer isso, não imagina que há alguns anos ela e Cecília, 3 anos mais nova, se atracavam pelos corredores da casa. "Era uma loucura", diz a Wilma Martello, mãe das meninas.


As garotas simplesmente brigavam por qualquer motivo: pela boneca, pelo salgadinho, pelos desenhos, pelos papéis de carta, enfim por tudo. No começo, a mãe achava que era apenas por ciúme e que, com tempo, toda aquela rivalidade acabaria. Não foi bem assim... A gritaria, os arranhões e a choradeira causados pelos freqüentes conflitos só terminaram quando Cecília completou 13 anos.

Brigar é normal

A professora do departamento de psicologia clínica da Universidade de São Paulo, Isabel Cristina Gomes, diz que as desavenças entre os irmãos são muito comuns e quanto menores eles forem, mais acirrados serão os conflitos. "As rusgas podem ocorrer por qualquer coisa: disputa de espaço, liderança, atenção e carinho dos pais", afirma a especialista.


De acordo com Isabel Cristina, os desentendimentos entre irmãos fazem parte do crescimento. Trata-se de uma fase difícil e dolorosa para alguns pais, mas para as crianças é uma forma de encarar desafios e vencê-los. Entretanto, para isso, a participação da família é essencial. "Os pais devem cumprir o papel de advogado com imparcialidade e, se possível, sem interferir no conflito", completa Isabel.

Sempre imparcial

Tudo ia muito bem na família Rodrigues, até a chegada de Renata, de 4 anos. Fernanda, de 9 anos, dividia o quarto, os brinquedos e as roupas com a irmã Nataly de 8 anos. A mãe, Nair, não ouvia reclamações das filhas e admirava a boa relação entre as meninas, que eram confidentes e amigas. O nascimento da caçula, entretanto, transformou a rotina.


"Renata mexe em tudo e adora provocar as irmãs. Sei que ela é a pivô das brigas, mas peço às outras para terem paciência porque a pequena está numa fase de muita curiosidade", conta Nair.


Você percebeu que, inconscientemente, os pais tendem a defenderem o caçula, mesmo que tenha sido ele o responsável pelo início do conflito? De acordo com a psicóloga, os filhos ocupam papéis distintos na dinâmica familiar: o primogênito é mais cobrado, pois toda as expectativas são depositadas nele; já o caçula é sempre visto como o pequeno que precisa de cuidados e proteção.

Quem começou, termina

Cuidado para não deixar transparecer esses sentimentos. Tente ser o mais imparcial possível!. Diante de uma briga entre as crianças, não interfira. Espere que elas resolvam os próprios problemas. Só entre na disputa se houver algum tipo de violência eminente como mordidas, arranhões, ou empurra-empurra.


Se as rusgas entre sua prole são freqüentes, não desanime. Saiba que com a chegada da pré-adolescência, por volta dos doze anos, os desentendimentos tendem a diminuir pois os interesses começam a ser diferentes. Um outro fator decisivo para a diluição das brigas é a aquisição de novos relacionamentos: namorados e amigos.


Porém, tudo depende de como você reage. A psicóloga Isabel afirma que se os pais permitirem que as crianças extravasem seus sentimentos, colocando-se de forma imparcial, os irmãos terão grandes chances de se tornar companheiros e cúmplices assim que começarem a amadurecer. Acredite: a discórdia e a rivalidade, quando alimentadas, podem chegar até a vida adulta.


Acompanhe, a seguir, algumas situações e aprenda o fazer:

- Disputa pelo mesmo brinquedo: é muito importante que os pais ensinem os filhos a dividir, a esperar e a lidar com frustração. Estipule horários diferentes para as crianças brincarem com o "objeto do desejo". Se não resolver, acabe com a diversão.

- Quando um mexe nas coisas do outro: não permita que isso aconteça. É necessário que a individualidade seja preservada. A criança precisa perceber o limite entre ele e o outro. Se acontecer, reclame e proíba uma nova ação.

- Quando brigam por brigar: descubra o que deflagrou o desentendimento. Se não for possível, puna todos os envolvidos.


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