Quarta-feira, 28 de junho de 2017
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ALFABETIZAÇÃO


Estas são dúvidas de usuários respondidas por Norma Leite Brandão, pedagoga e educadora.

Minha filha tem quatro anos e meio e gostaria de saber a melhor maneira de incentivá-la ao aprendizado escolar, começando a ensinar as letras, por exemplo. É muito cedo para isso?


Incentivar o aprendizado pode começar desde cedo, mas isso não significa que você deve queimar etapas ou ensinar sua filha a escrever desde já. As crianças pequenas são muito curiosas e, hoje, as pesquisas confirmam que a alfabetização e o letramento são processos que se iniciam cedo e podem ser estimulados pelo ambiente. Numa casa em que a leitura e a escrita são parte da realidade metade do caminho já está percorrido. Para isso é suficiente que a criança seja exposta e perceba a necessidade dessas habilidades.


Procure montar uma pequena biblioteca com livrinhos infantis para que sua filha "leia" do seu próprio jeito. Sempre que possível, conte histórias para ela, esta é uma estratégia muito produtiva, além de ser um gesto de carinho poderoso. Coloque à disposição de sua menina papéis, bloquinhos ou cadernos onde ela possa "escrever" à sua maneira. Demonstre interesse pelas suas produções em desenho e texto. Procure incentivá-la a se expressar oralmente contando casos, conversando com outras crianças, adultos e até com seus brinquedos. Todas essas atividades estarão, sem dúvida, desenvolvendo o gosto pela leitura e escrita de uma forma natural e lúdica, sem necessidade de cobranças.

Gostaria de matricular o meu filho de 1 ano e 5 meses numa escolinha a partir do ano que vem. Ele já estará numa idade boa para ir à escola ? Ele é muito ativo e manhoso, que tipo de escola devo escolher?


A idade dele é excelente para começar a vidinha escolar. O período mais difícil passou, ele está mais independente e começa a falar. A escola cumprirá um ótimo papel no que se refere às possíveis "manhas" que possa ter. No ambiente escolar, as crianças começam a perceber que não são as únicas, que a professora precisa dividir a atenção. Ao ingressar numa sala de aula, na presença de outros colegas, as crianças desenvolvem-se com mais rapidez. Quanto ao tipo de escola a escolher, é difícil orientá-la, uma vez que não acreditamos em escolas certas ou erradas. O mais importante é que suas crenças sejam semelhantes às da instituição escolhida. Quando a família acredita no trabalho proposto, tudo fica mais fácil para a criança. Visite um número grande de instituições, converse com seus profissionais, pergunte sobre suas crenças e metodologia, observe as instalações, converse com outros pais. Procure verificar, também, a formação das professoras, número de alunos por sala de aula e o investimento na capacitação profissional. Dá trabalho, mas é o melhor caminho. No Clicfilhos há matérias com maiores detalhes sobre o que observar e perguntar nessas visitas. Entre no canal de EDUCAÇÃO e selecione o tópico ESCOLHA.



Meu filho acabou de completar 2 anos. Trabalho fora e ele fica com os meus pais o dia inteiro. Sinto que ele já precisa freqüentar alguma escola para se relacionar com outras crianças. Ele é ainda muito pequeno?



A idade de dois anos representa um bom momento para o ingresso na escola de educação infantil. Nessa idade, as crianças já estão mais independentes e mais resistentes. Você tem razão em preocupar-se com a socialização de seu filho, principalmente se for filho único. As crianças, em companhia de outras, desenvolvem-se mais rapidamente e aprendem a dividir as atenções. Se, por acaso, você se decidir a esperar um pouco mais, não deixe para muito mais tarde. Há pais que esperam até 4 ou 5 anos. Isso pode ser desastroso na adaptação da criança. Ela irá conviver com outras que já iniciaram esse processo e pode se sentir completamente fora do grupo. A melhor idade ainda é entre os 2 e 3 anos.



Minha filha tem 4 anos e a escola que freqüenta vai apenas até o jardim II, sem alfabetização. Seria melhor mudá-la no próximo ano para a escola em que fará a pré-escola (todas estas alfabetizam já no jardim II) para que depois ela não se sinta deslocada?



O processo de alfabetização, como hoje é visto pelos especialistas, ocorre desde muito cedo e independente da nossa vontade. As crianças estão vivendo o processo no dia-a-dia: na TV, nos outdoors, nas revistas, enfim, elas têm acesso a tudo. Se a escola de sua filha não tem uma proposta em que a alfabetização esteja presente, você deve estar preocupada, sim. Porque sua filha vai se defrontar com a realidade da grande maioria da classe, que já vem com esse processo iniciado. Não falo de uma alfabetização formal, sistemática, com letra cursiva, a partir dos 5 anos. E sim da importância da exploração de diferentes tipos de letras, da construção de palavras, frases e textos, oralmente e por escrito e da importância da leitura de imagens e pequenos nomes e textos. Mesmo que seja do jeito dela, esse contato sistemático é fundamental para tudo o que virá depois.


Gosto do colégio em que minha filha de 4 anos estuda, mas fico insegura com relação ao seu aprendizado. Ela está no Jardim II, já aprendeu as vogais, os números, os animais com pêlos, penas etc. Vejo que crianças de outros colégios já estão aprendendo as famílias (ba, be, etc). O que eu poderia esperar de uma boa escola nesta idade?


O fato de outras crianças da mesma faixa etária estarem sendo iniciadas nas conhecidas "famílias silábicas" (ba-be-bi..) não significa necessariamente que estejam se alfabetizando. Aliás, segundo todos os recentes estudos, crianças dessa faixa etária não deveriam começar sua alfabetização por aí. Há outras formas mais reais e significativas para se iniciar esse processo. Uma boa escola de educação infantil, de acordo com os padrões atuais, deve fazer com que a criança conviva com diferentes tipos de textos (verbais e não verbais), explore-os bem oralmente, proponha atividades de produção oral e escrita, para que perceba o nível de escrita da criança e possa fazer interferências. Diante dos elementos que a criança traz, o professor pode fazer seu planejamento. É importante, também, nessa fase, que a criança use a letra bastão e não a manuscrita. Já é comprovado cientificamente que ela pensa melhor com esse tipo de letra. Enfim, uma boa escola de educação infantil tem atividades que levem a criança a pensar e a refletir sobre o significado da escrita e suas diferentes formas de registro. Ela aceita, inclusive, produções não convencionais e não ortográficas, para que, aos poucos, a professora vá introduzindo conceitos e provocando mudanças. Desconfie da escola que priorizar, nessa faixa etária, a escrita e que mantenha as crianças copiando letras, sílabas e palavras fora do contexto.


Uma criança de 3 ou 4 anos fica prejudicada se, em seu currículo, já souber as vogais, numerais de 01 a 10 e cores?
Tenho medo de cansá-la com tantas atividades.



O mais importante nessa faixa etária não é o conteúdo do currículo, mas como ele se desenvolve. Se uma criança tiver um trabalho fechado, que não lhe proporcione diferentes formas de expressão e que exija, desde cedo a alfabetização tradicional, então as coisas se complicam. Hoje está comprovado que as crianças podem estar (e estão) expostas a muitos conteúdos, desde que não se espere delas um retorno precipitado. Mostrar-lhes os diferentes tipos de letras, números, contar histórias, deixá-las escrever a seu modo pode ser muito produtivo. Exigir que escrevam, desde cedo, da forma convencional é outra. As crianças, nessa idade, devem sentir o aprendizado como algo leve e natural. Se ele significar tortura ou cansaço, algo estará errado, sem dúvida. Portanto, se você está preocupada realmente, procure ver a forma como esses conteúdos são introduzidos e o que se espera de fato de sua filha.


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