Segunda-feira, 21 de agosto de 2017
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Mitos e verdades sobre a homossexualidade

Por Klecius Borges *


Todo gay tem trejeitos? Os homossexuais são sempre promíscuos? Gostariam de trocar de sexo? Aprenda um pouco mais sobre esse assunto.

Em parte por preconceito, mas muito por desconhecimento, são muitos os mitos que envolvem a homossexualidade em nossa sociedade. E é natural que assim seja, já que os próprios homossexuais, com medo da rejeição da família, dos amigos e da sociedade em geral, e por se sentirem culpados pela sua "diferença", tendem a esconder seus verdadeiros sentimentos e desejos e levar uma vida quase clandestina.

Dessa forma, acabam reforçando as fantasias, os estereótipos e os mitos. Também as religiões, de um modo geral, por condenarem a homossexualidade como não "natural", contribuem e muito para esse isolamento e o conseqüente fortalecimento dos preconceitos. Mas quais são esses mitos? E o que eles têm de verdadeiro?

A homossexualidade é uma escolha?
Ninguém escolhe ser homossexual. O desejo emocional e sexual por pessoas do mesmo sexo surge espontaneamente, da mesma forma que acontece com os heterossexuais. O que as pessoas podem escolher é se irão ou não ter comportamentos homossexuais. Uma coisa é a orientação homossexual (desejo, atração física e emocional), outra é o comportamento homossexual (relações amorosas e/ou sexuais com parceiros do mesmo sexo).

Homossexuais levam uma vida solitária e promíscua?

Embora a maioria dos homossexuais tenha, de fato, uma vida sexual muito ativa, existe um grande número de homossexuais que escolhem relações monogâmicas e desenvolvem relacionamentos estáveis e de longa duração. A necessidade e o desejo de amar e ser amado, de criar vínculos afetivos e de compartilhar intimidade são os mesmos para homo e heterossexuais. A dificuldade pode estar, muitas vezes, em concretizar e realizar esses anseios numa sociedade homofóbica.

Homossexuais são pessoas que gostariam de trocar de sexo?

Não necessariamente. É importante distinguir orientação sexual (desejo/atração) de identidade sexual (identificação psicológica com um determinado sexo) e papel sexual (comportamentos socialmente atribuídos ao sexo). A maioria dos homossexuais sente-se perfeitamente identificada com seu sexo biológico e não deseja trocar. Apenas sentem-se atraídos física e emocionalmente por pessoas do mesmo sexo. Uma situação bem diferente da dos transexuais, que se identificam psicologicamente com o sexo oposto ao seu sexo biológico.

Homossexuais são pessoas angustiadas e infelizes?

A maior dificuldade que o homossexual enfrenta é a auto-aceitação da sua orientação sexual. Normalmente ele cresce com muito medo de que seu "segredo" seja descoberto, fica angustiado por não saber exatamente o motivo da sua "diferença" e culpado por sentir desejos considerados "não naturais". Além disso, costuma sofrer abusos verbais e emocionais por parte de colegas e mesmo dos entes queridos.

Uma vez que consiga superar essas dificuldades, aceitar sua natureza, criar vínculos com outros homossexuais e se ajustar à sociedade, a maioria dos homossexuais é capaz de desenvolver uma vida plena e satisfatória. Suas dificuldades não são muito diferentes das dos heterossexuais.

Homossexuais não podem ser bons pais?

Há inúmeros estudos indicando que não há nenhuma diferença significativa nos índices de ajustamento de uma criança em função da orientação sexual dos pais. Também não há nenhuma evidência científica da influência da orientação sexual dos pais na orientação da criança. Se isso fosse verdade não haveria homossexuais filhos de heterossexuais. As dificuldades relatadas por pais homossexuais e filhos de homossexuais se referem ao preconceito e à intolerância da sociedade.

Todos os homossexuais masculinos têm trejeitos femininos e vice-versa?

De forma alguma. O que caracteriza a orientação sexual é a presença da atração por pessoas do mesmo sexo, e só isso. No mais, homossexuais, masculinos e femininos, variam tanto quanto os heterossexuais. Podem ter trejeitos ou não, ser ou não delicados ou masculinizados, gostar de atividades características do seu sexo biológico ou não, ser mais sensíveis ou menos sensíveis, etc. Há homossexuais exercendo todo tipo de atividade profissional e atuando em todas as áreas da sociedade, sem que, muitas vezes, ninguém perceba sua orientação.

Homossexuais precisam de ajuda psicológica profissional?

Não mais que os heterossexuais. Desde 1973 a American Psychiatric Association, logo seguida pela American Psychological Association, deixou de considerar a homossexualidade doença ou desvio de conduta. Trata-se apenas de uma forma diferente de manifestação da sexualidade, presente em todas as sociedades e culturas ao longo da história da humanidade. Homossexuais podem se beneficiar de uma ajuda profissional para ajudá-los a compreender melhor sua sexualidade e desenvolver formas saudáveis de lidar com as dificuldades impostas pela sociedade. Afora isso, podem procurar ajuda pelos mesmos motivos que os heterossexuais.

Leia mais sobre esse assunto

Agora que você já sabe (O que todo pai e toda mãe deveriam saber sobre homossexualidade), de Betty Fairchild e Nancy Hayward. Ed Record.


* Klecius Borges é psicólogo em São Paulo, faz aconselhamento para gays, lésbicas e bissexuais.
kborges@uol.com.br


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