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Angústias do crescimento

Por Dr. Leonardo Posternak * em 18/01/2001


Certamente seu filho vai passar por isso. Desde o nascimento até completar um ano de idade seu bebê terá algumas crises motivadas pelo próprio desenvolvimento. Não se assuste. É normal!!!!

A vida do ser humano é caracterizada por várias crises que se manifestam ao longo dos anos. Apesar de muitas vezes serem dolorosas e conturbadas, são
necessárias ao nosso crescimento e servem como aprendizado. A criança, como o adulto, também passa por conflitos desde os primeiros instantes de vida.


As chamadas crises evolutivas previsíveis acontecem com todas as crianças em qualquer parte do mundo. São momentos críticos, transitórios e datados. Em geral, duram duas semanas e são caracterizadas por mudanças de comportamento. Nesses períodos, os pequeninos choram mais, têm dificuldades para dormir, querem a companhia da mãe o tempo todo, gemem, mamam mais que o normal, enfim, alteram seus hábitos.

Adaptando-se ao meio

A primeira crise não é propriamente da criança, mas sim da família. Durante a gestação a rotina dos pais muda, a ansiedade aflora no seio da casa em virtude do novo ser que está prestes a nascer. A falta de estrutura e experiência pode refletir no bebê que está dentro do útero e sente tudo o que acontece com a mãe.


Aos três meses de vida, o bebê passa pela crise de adaptação com o meio externo. Nesse período diminui o envolvimento íntimo (simbiose) da mãe com o filho. O bebê descobre que ele e a mãe são duas figuras distintas, que não formam um único ser. Até então, ele só conhecia o bico do seio da mãe. Agora, descobre todo o conjunto: bico, mamilo, peito, braço, pescoço, cabeça, enfim, a mãe inteira, além de todo o universo em que ele mesmo está inserido.

Um estranho no ninho

Com mais ou menos cinco meses, a criança percebe a figura paterna. É mais um momento de crise, pois descobre que tem que dividir a mãe com outra pessoa, o pai. Dois ou três meses depois, quando os dentes começam a nascer, o bebê morde tudo o que põe na boca, inclusive a mãe (lamentavelmente) no momento da amamentação. A mordida machuca e a mãe reclama. Na cabeça do pequeno, isso ainda não é muito claro e gera uma confusão. Ele pensa: estou ferindo a pessoa mais importante da minha vida!


Entre os sete e nove meses ocorre um período de transição. A criança torna-se realmente um indivíduo. Surge então, a angústia da separação. Ela tem medo de ficar distante da mãe. É a quarta crise.


Próximo de completar o primeiro aniversário, seu filho sofre a crise da independência. Nessa época, começa a dar os primeiros passos. Ele anda um pouquinho e volta para junto dos pais. O processo é repetido inúmeras vezes até que, finalmente, passa a caminhar sozinho. É uma mistura de ambivalência, medo e orgulho.

Crise, um bom sinal

Não se assuste. Seu filho vai passar por todas essas crises que são momentos importantes, necessários e que impulsionam o crescimento. Nessas fases a criança
tende a regredir, a "grudar" na mãe. Para diminuir a angústia e o sofrimento - principalmente à noite, quando a criança apresenta dificuldade para dormir ou acorda a noite inteira - vá até o berço, faça cafuné, fique um pouco com ela. Mas, atenção: nunca a leve para dormir na sua cama. Esse ato pode se tornar um vício e dificilmente ela voltará a dormir sozinha.


Conhecer as crises é muito importante. Pela falta de experiência, alguns pais tendem a confundir o choro do bebê com dor de barriga ou de ouvido. Observe. Se a criança chora mas não leva a mão ao local dolorido, é provável que esteja passando por uma das situações descritas. Não medique seu filho sem antes consultar o pediatra. Se realmente for uma crise, o melhor remédio é o carinho e a sua presença.


* Dr. Leonardo Posternak é médico pediatra,
membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein.
Co-autor do livro
E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos
, Editora Best Seller.
Autor de
O Direito a Verdade - Cartas Para Uma Criança
, Editora Globo.


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