Quinta-feira, 25 de maio de 2017
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Avaliação escolar na justa medida

Por Norma Leite Brandão *


Há pais que abrem o boletim do filho como se estivessem com uma carta bomba nas mãos. É o seu caso? Relaxe. Notas nem sempre mostram o potencial da criança. Veja aqui como conviver com a avaliação escolar sem estresse.

Uma das tarefas mais difíceis da escola refere-se à avaliação. Pode ser expressa com conceitos, números ou letras. Atribuir nota às crianças ou aos adolescentes é sempre complexo. Sabe por quê? Eles não são depósitos de informações passíveis de serem medidas e calculadas matematicamente.


Seu filho é mais: tem desejos, ansiedades, predisposição a determinadas áreas e desinteresse por outras ou pode, simplesmente, estar atravessando momentos difíceis e especiais.


Questões como estas fazem diferença quando pensamos nas notas tradicionais, resultantes de avaliações formais que, muitas vezes, causam angústia e frustração.

Nota não é punição

No processo de aprendizagem e avaliação há mais do que conteúdo acadêmico a ser levado em conta: habilidades desenvolvidas, o prazer pelo trabalho, a colaboração entre os colegas, as tarefas cumpridas no tempo pedido e a autonomia conquistada durante as atividades. Elementos que dependem de uma apurada observação e intervenção do professor.


Avaliar é levar em conta um processo maior do que o resultado de uma prova ou de uma atividade escolar. Nesse percurso, muitas vezes entra em jogo o próprio trabalho desenvolvido pelo educador. Exige sensibilidade, autocrítica e discernimento.


Por isso, não fique tão inquieto com notas e conceitos. Não veja o boletim como o retrato numérico de seu filho. É apenas a constatação de como ele está assimilando informações num determinado momento.

O peso do investimento

O valor atribuído pelos pais às notas não deve ganhar a proporção do dinheiro investido. Que tal refletir de forma mais ampla e crítica sobre o que a escola tem oferecido ao seu filho para que os resultados da aprendizagem sejam expressivos? Muitas vezes ela apresenta um projeto pedagógico aparentemente moderno, mas seu sistema de avaliação é obsoleto, não atendendo às necessidades atuais.


Há, inclusive, uma busca constante pelo melhor método de avaliação que esteja adequado às novas propostas educacionais. Avaliação é apenas mais um instrumento da aprendizagem, não de punição.


Portanto, vale ponderar sobre o conceito de que os resultados mais importantes não são as notas, apesar do investimento de boa parte da renda mensal da família na educação.

Meu filho não é gênio!

Einstein tinha péssimas notas em matemática. Você sabia? Os exemplos são inúmeros. Você já deve ter ouvido falar de casos de profissionais com sucesso e reconhecimento que nos bancos escolares foram alunos medianos, alguns até com notas baixas, rendimento medíocre, como se a instituição não conseguisse lidar com sua forma de pensar, de ser e de agir. Isso não ocorre por acaso.


Para os adolescentes, a carga parece ser mais pesada ainda. A família preocupada, vê-se diante da tradicional pergunta: será que, com essas notas, ele estará preparado para um vestibular? Nada mais precipitado e angustiante. Nada mais injusto num momento em que o próprio processo seletivo das universidades vem se alterando.


Ora, com tantas questões, é importante que você contenha sua ansiedade diante de uma avaliação que nem sempre traduz os resultados de seu filho da melhor forma. Não, não se trata de desvalorizar a avaliação, mas de colocá-la no devido lugar.

Pais nota 10

Fazer a criança entender que a avaliação não é o objetivo maior, mas o resultado natural de seu trabalho diário parece ser o ponto de partida.


Acompanhar seu filho nas tarefas escolares diariamente é de grande valia e pode ser muito divertido; além de aproximá-lo ainda mais das experiências vividas pelo filhote. Não há dúvida de que isto reverterá em resultados mais satisfatórios do que uma cobrança às vésperas da prova.


A observação constante dá pistas importantes do quanto a escola está conseguindo despertar no aluno o prazer pelo conhecimento. Na falta dele, não hesite em checar os reais motivos. Trocar idéias com professores e coordenadores é sempre saudável e previne questões futuras.


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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