Quinta-feira, 22 de junho de 2017
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Seu filho é emocionalmente inteligente?

Por Carla Oliveira *


O tão discutido QI - Quociente de Inteligência - não é mais a única ferramenta para determinar a inteligência de uma pessoa. Entra em cena um novo conceito: o de inteligência emocional. Como será que anda o seu QE?

"Ele é tão inteligente e sempre teve boas notas na escola, mas não consegue obter sucesso em nada do que faz..." Você certamente já ouviu esta frase ou já se pegou pensando a mesma coisa sobre alguém. A resposta pode estar no conceito de inteligência emocional, que pode ser medida pelo QE, o Quociente Emocional, e é um complemento do já conhecido QI.


Os pais preocupam-se muito com a educação de seus filhos, por isso procuram oferecer a eles todo o suporte necessário a uma boa formação: uma ótima escola, cursos de todos os tipos, livros, computadores, além é claro, de uma boa dose de respeito, paciência e carinho.Todos querem, no fundo, que seus filhos sejam inteligentes, criativos, bem comportados, capazes de enfrentar os problemas e que se dêem bem na profissão que escolherem futuramente.


Para alguns estudiosos, como o norte-americano Daniel Goleman, esses objetivos seriam mais facilmente alcançados se os pais se preocupassem também em preparar seus filhos para que sejam emocionalmente inteligentes. Eles verificaram que a inteligência emocional faz uma diferença significativa na felicidade e no sucesso das crianças. Quando se fala em sucesso, isso inclui tanto a realização profissional como a pessoal.


Manter a calma diante de alguma situação que a deixa nervosa, saber montar estratégias para resolver um problema, ter flexibilidade para se adaptar a situações novas, ter facilidade em se concentrar e em se relacionar com as pessoas: estas são algumas das habilidades que possui uma pessoa emocionalmente inteligente. Essas habilidades podem ser resumidas em uma só: a capacidade de lidar com suas próprias emoções.

Emoção: amiga ou inimiga?

Quando você se vê diante de um problema que parece não ter solução, o que faz? Fica irritado, de mau-humor e vê sua capacidade produtiva cair? Ou mantém a calma, busca uma solução e, mesmo que ela não aconteça rapidamente, continua otimista? A resposta do cérebro às solicitações do dia-a-dia é variada, podendo ser boa ou ruim, exagerada ou adequada e isso acontece também com as crianças. Uma pessoa que está preparada para lidar com suas emoções tende a adotar um comportamento mais calmo, objetivo e otimista.


O cérebro é um sistema integrado que inclui os elementos cognitivos e os emocionais. O conceito de inteligência emocional valoriza a parte emocional, refutando a idéia de que os sentimentos necessariamente atrapalham a razão e prejudicam o raciocínio lógico. As emoções podem ser trabalhadas a favor ou contra nós mesmos. Tudo dependerá de auto-controle e auto-conhecimento.


Estudos apontam que crianças emocionalmente inteligentes são menos agressivas, mais estudiosas, e mais sociáveis. Também se acredita que a preparação emocional seja uma eficiente defesa contra traumas, como morte ou divórcio dos pais.


Nas grandes empresas, é comum haver cursos de inteligência emocional para que os funcionários se tornem mais equilibrados, se comuniquem melhor entre si e aprendam a administrar os conflitos. Tudo isso, conseqüentemente, aumenta a produtividade da empresa. Funcionários intolerantes, prepotentes ou que se desesperam quando há algum problema podem prejudicar - e muito - o andamento do trabalho.

Dominar os impulsos

A pedagoga Vera Lúcia Weichsler, que dá aulas no Instituto Kumon, destaca uma dos principais vantagens de uma pessoa emocionalmente inteligente: o domínio sobre os impulsos. "As crianças não estão acostumadas a pensar. Sua vontade é de ver televisão, brincar e fazer outras coisas em vez de estudar. No método do Kumon, usamos o ensino de matemática e português como uma forma para elas vencerem essa preguiça e desenvolverem persistência", explica. Isso significa que, além de aprenderem a fazer cálculos e classificar orações, as crianças aprendem também a controlar suas emoções.


"Em um estudo sobre inteligência emocional, algumas crianças tinham de sentar em frente a uma mesa onde havia um doce para cada. Aquelas que não comessem seu doce, depois de um certo tempo, ganhariam outro. Algumas comeram, outras esperaram. As crianças foram acompanhadas por anos, outras experiências foram realizadas, e foi constatado que aquelas que apresentavam maior inteligência emocional - e que, entre outras coisas, esperaram pelo doce - tiveram mais sucesso no futuro", relata a pedagoga.

Interação entre pais e filhos

Para educar seu filho de modo que ele se torne emocionalmente inteligente é preciso, antes de tudo, reconhecer as emoções dele, sem repreendê-las, desrespeitá-las e muito menos ignorá-las. Os pais precisam ajudar seu filho a identificar suas próprias emoções e impor limites, ao mesmo tempo em que sugerem soluções.


"Se o adolescente não quer estudar, por exemplo, demonstre que você entende esse sentimento e mostre o que ele ganha e o que ele perde com isso. Diga que existem outras possibilidades, mas que a responsabilidade da escolha é dele. É uma negociação", explica Conceição Costa, estudante de fisioterapia que fez diversos cursos sobre inteligência emocional e programação neurolinguística.


Segundo ela, se os pais agirem dessa forma, a criança não se fixa em um único padrão, ela desenvolve flexibilidade. Isso é muito importante para o seu futuro. "Ao mesmo tempo, a criança ou o jovem podem tomar certas atitudes somente para desafiar os pais. Aí, é preciso impor limites", explica.


Em parte, a inteligência emocional é determinada pela personalidade da criança, mas ela pode ser moldada na interação com os pais. Parece complicado, mas não é. Existem diversos livros que podem guiá-lo no caminho da inteligência emocional, com muitas dicas de como agir com seus filhos. Boa leitura!


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