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Asma? Tire suas dúvidas!

Por Carla Oliveira * em 09/05/2003


A asma atinge 10 por cento da população e é a doença crônica mais comum na infância. Entenda o que causa essa doença e saiba qual o tratamento adequado.

A asma é uma doença crônica caracterizada pela inflamação das vias aéreas. Quando as vias estão inflamadas, a passagem do ar fica obstruída, causando tosse, falta de ar, sensação de aperto e chiado no peito. "Esses sintomas costumam aparecer à noite ou nas primeiras horas da manhã", esclarece a Dra. Juliana Martins Grulli Mendes, pneumopediatra do Hospital Universitário da Faculdade de Medicina da USP.


A asma é uma das principais causas de internação de crianças e adolescentes e, muitas vezes, demora a ser reconhecida pelos pais ou médicos. A doença afeta a vida da criança, pois pode provocar faltas à escola e até impedir que ela participe das brincadeiras e pratique esportes da mesma forma que seus colegas. No entanto, se a doença estiver controlada, ela poderá levar uma vida normal. Por isso, é importante que o asmático entenda a doença, conheça os fatores que desencadeiam as crises e siga corretamente o tratamento médico.

O porquê das crises

A doença é o resultado de uma associação de fatores genéticos e ambientais. "O risco de uma criança ter a doença é de 40 a 60% se ambos os pais são asmáticos e de 30% se apenas um deles for afetado. Outras doenças atópicas como dermatite e rinite também são fatores de risco para se desenvolver a doença", explica a Dra. Juliana.


Entre os fatores que desencadeiam as inflamações, estão: poluição, contato com animais, odores, fumaça de cigarro, poeira, ácaros, mofo e até mesmo substâncias presentes nas baratas. Infecções como gripe, resfriado e sinusite também podem provocar crises. Algumas adolescentes queixam-se de piora no período menstrual, que pode ser causada por alterações hormonais.


Algumas crianças podem ter crises após praticar exercícios físicos prolongados como futebol e, em certos casos, necessitam de medicação específica. Já a natação, além de ser um excelente exercício para o asmático, raramente provoca crise, a não ser que a água esteja muito fria ou com muito cloro.


É de extrema importância afastar os portadores de asma dos agentes desencadeantes, em especial a fumaça de cigarro, que pode agravar a doença. "À medida que a criança cresce, fatores emocionais como angústia, tristeza e até alegria, passam a ser importantes agravantes", ressalta a pneumopediatra.


Crianças pequenas também podem sofrer de refluxo gastro-esofágico, um processo onde o alimento ingerido é regurgitado para o esôfago, causando esofagite e provocando crises. Para evitar este problema, os bebês não devem mamar deitados ou deitar logo após mamar. A cabeceira da cama ou do berço deve ser elevada e é preciso evitar que a criança coma uma hora antes de ir dormir.

Evolução da doença

É comum a asma começar a se manifestar por volta dos três anos de vida. Nessa etapa, as crises são desencadeadas principalmente por infecções das vias aéreas, como resfriados. No entanto, a asma pode iniciar-se em qualquer idade. "Muitas crianças não têm asma propriamente dita e podem ficar livres dos sintomas até os 6 anos de vida", avisa a Dra. Juliana.


Na infância a asma é duas vezes mais comum nos meninos do que nas meninas. "Isso acontece provavelmente devido ao calibre proporcionalmente menor de suas vias aéreas. Na adolescência, não há diferença na freqüência, mas as meninas tendem a ter um quadro mais grave", explica a especialista.


Durante a adolescência, os sintomas ficam mais leves e podem até mesmo desaparecer em cerca de metade dos casos. No entanto, a grande maioria dos que ficam assintomáticos durante esse período volta a apresentar os sintomas na fase adulta.

Pequenos cuidados que funcionam

Leia, a seguir, algumas dicas da Sociedade Brasileira de Asmáticos para combater os agentes desencadeantes da doença:


  • Cubra colchões e travesseiros com capas impermeáveis
  • Evite usar produtos de limpeza com cheiro forte e não use espanadores de pó, mas panos úmidos para limpar os móveis. E faça a limpeza quando o asmático estiver ausente
  • Evite tapetes, cortinas, bichos de pelúcia, sachês perfumados, estantes com livros e almofadas no quarto do asmático
  • Mantenha a casa ensolarada e arejada
  • Evite o aparecimento de mofo e umidade
  • Evite ter animais de pêlo em casa. Se já possui, não deixe que ele suba em sofás ou na cama e dê banho semanalmente
  • Combata o aparecimento de baratas com uma limpeza rigorosa e dedetização periódica
  • Vacine as crianças asmáticas contra a gripe e mantenha-as longe de pessoas com este tipo de infecção
  • Faça uma avaliação médica para saber se seu filho está apto a praticar exercícios físicos. Oriente-o a fazer um aquecimento leve antes do exercício
  • Não deixe que fumem na presença de uma criança asmática
  • Avalie as condições de limpeza e ventilação da escola. Comunique aos responsáveis os cuidados que deverão ter com a criança e deixe o telefone do médico caso precisem entrar em contato
  • Procure avaliar os sentimentos da criança, estabeleça com ela um diálogo franco e saudável.


    Se a criança entrar em crise, não fique em pânico. Leve-a para um local calmo e tente distraí-la, fazendo com que ela relaxe. A medicação deve ser ministrada de acordo com a prescrição médica. Tente identificar e afastar o provável motivo da crise e comunique o médico da criança assim que possível. Se a crise não diminuir, procure o atendimento de emergência mais próximo.

    Formas de tratamento

    O tratamento da doença é feito pelo uso de medicamentos anti-inflamatórios, que devem ser prescritos por um médico. Jamais medique a criança por conta própria! Para aliviar os sintomas, podem ser usados broncodilatadores, como as chamadas "bombinhas" ou nebulizadores. Para as crianças pequenas, é aconselhável usar um adaptador. Veja as instruções da Sociedade Brasileira de Asmáticos para o uso das bombinhas:


  • Remova a tampinha, segure o inalador na vertical e sacuda o inalador
  • Posicione o inalador a uns 4 cm da boca aberta. Incline a cabeça para trás e expire, colocando o ar para fora dos pulmões
  • Aperte o inalador para liberar a medicação quando começar a inspirar lentamente
  • Prenda a respiração por 10 segundos para permitir que a medicação se deposite nos pulmões. Depois, volte a respirar normalmente.


    Com o adaptador:


  • Após agitar e retirar a tampa, adapte o espaçador no bocal do aerossol
  • Expire suavemente pela boca e coloque o espaçador dentro da boca
  • Pressione a bombinha
  • Inspire lenta e profundamente
  • Prenda a respiração por 10 segundos
  • Retire o espaçador da boca e expire normalmente


    Apesar da asma apresentar baixa mortalidade, fique atento para não subestimar os efeitos dessa doença. "Entre as principais causas de morte por asma estão a baixa percepção da gravidade da doença, o que resulta em um tratamento retardado ou inadequado, a falta de acesso ao serviço de saúde e o uso de medicação inapropriada", alerta a Dra. Juliana.


    A Sociedade Brasileira de Asmáticos promove reuniões gratuitas para esclarecer a doença em suas filiadas espalhadas pelo Brasil. Para se informar sobre a disponibilidade deste serviço na sua cidade, consulte o site www.asmaticos.org.br/filiadas.html.


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