Terça, 21 de novembro de 2017
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Mãe e profissional. Dá para administrar!

Por Lucy Casolari *


"Mãe, você vai assistir à minha apresentação na escola?" O olhar de seu filho suplica pelo sim, mas você precisa trabalhar. O que fazer?

"Mãe, você vai assistir à minha apresentação na escola?" O olhar de seu filho suplica pelo sim, mas você precisa trabalhar. O que fazer?


Se você já passou por situações semelhantes sabe muito bem quanta angústia costumam causar. Diante de uma total impossibilidade, não é nada fácil devolver uma resposta negativa para a criança, que lança olhares compridos e pidões, indicativos de toda a sua expectativa.


Para completar, os eventos se sucedem com muita freqüência; são as reuniões de pais, as comemorações de datas especiais - tantas durante o ano - os campeonatos, as exposições, as festas juninas... Enfim, um rol interminável! Claro, algumas dessas atividades são marcadas para os sábados ou no horário noturno, pois as escolas estão percebendo que somente assim conseguirão uma presença mais significativa das famílias.


Entretanto, a mãe executiva, ao se deparar com um convite-pedido desse tipo, sente-se cada vez mais culpada. Administrar carreira e família implica em organizar o tempo e estabelecer prioridades, condições indispensáveis para dar conta da jornada dupla e, em alguns dias, até tripla! Significa, ainda, aprender a lidar com suas limitações de tempo e com a impossibilidade real de estar em dois lugares no mesmo instante...

Trabalho e vida familiar

A presença das mulheres como responsáveis pela manutenção da casa é um fenômeno relativamente recente, mas bastante significativo. Da mesma forma, a ascensão profissional e o desenvolvimento da carreira são prioridades para muitas, que estão aprendendo, a duras penas, a conciliar trabalho e vida familiar simultaneamente.



Redefinir os papéis materno e paterno é, mais do que nunca, absolutamente fundamental. Não que seja fácil, pois as imagens idealizadas de pai e mãe ainda estão muito fortes em nossas mentes e corações. É essa comparação que, embora de forma inconsciente, provoca angústia e culpa. Para dar conta das funções de profissional, esposa e mãe, as mulheres passaram a delegar as responsabilidades que, tradicionalmente, pertenciam a elas.

Não adianta

Evidentemente, torna-se impossível levar as crianças todos os dias para a escola, estar presente em toda as reuniões de pais ou ainda conhecer a nova professora do seu filhote. Todas essas limitações, entretanto, não devem servir como justificativas para uma maior permissividade em relação às atitudes e comportamentos dos filhos, numa tentativa de compensar o fato de não passar mais tempo com eles.



Lembre-se de que, acima de tudo, crianças e jovens precisam de limites e referenciais que só a família pode dar, o que significa, sem dúvida alguma, cuidado e atenção. Tentar compensar a ausência com presentes ou maior liberalidade não ajuda no desenvolvimento de seu filho, além de causar uma distorção que pode comprometer a formação da personalidade dele.


Acredite, crianças são especialistas no jogo de manipulação e, se captarem alguma fragilidade ou brecha, deitam e rolam! Fique atenta, portanto, para não entrar nesse tipo de armadilha. Se possível, combine com o pai para que ambos fiquem de olhos atentos para o que passar desapercebido por um, ser identificado e apontado pelo outro, claro, numa conversa sem a presença dos pequenos.

A participação no dia-a-dia

Dar conta de tudo é impossível, mesmo! Ainda que não houvesse o longo período no trabalho e a eterna correria do cotidiano, haveria momentos em que seria necessário estabelecer prioridades. Se você estiver mais tranqüila, conseguirá, certamente, encontrar os meios para participar da vida de seu filho. Saberá aproveitar e valorizar suas conquistas e apoiá-lo em suas dificuldades e inevitáveis insucessos. Entretanto, se dar conta de tudo é impossível, estabeleça pontos fundamentais e procure cumpri-los. Aqui vão algumas sugestões que você poderá adaptar à sua realidade.


  • Se a escola oferecer uma quantidade muito alta de eventos, priorize aqueles em que seu filho estiver mais envolvido e mobilizado. Uma boa dica é perceber quando o olhinho dele brilha mais...


  • Revezar a presença com o pai, tios, avós e padrinhos também serve como uma saída para prestigiar seu filho nas apresentações em que você não puder ir. Ah, peça a seus representantes para que fotografem, pois assim você reforçará, posteriormente, a atuação de seu pimpolho na atividade.


  • As reuniões de pais para mostrar o trabalho do bimestre provocam grande expectativa nas crianças quanto à presença da mãe. Para isso elas escrevem bilhetes esperando, claro, uma resposta. Coloque todo o seu empenho para comparecer, pois assim evitará muitas frustrações e cobranças. E, num caso especial de ausência, entre em contato com a escola e verifique a possibilidade de agendar um outro horário para conversar com a professora ou orientadora.


  • Se você leva seu filho para a escola, aproveite este tempo para conversar com ele, saber de seus interesses, sucessos e dificuldades. Deixe-o falar, escute seus casos e demonstre desejo de saber mais. De vez em quando, faça uma surpresa indo buscá-lo na saída da escola para um sorvete ou lanche especial.


  • Acompanhar as lições de casa nem sempre é possível, mas uma ajuda especial numa pesquisa, por exemplo, acaba sendo preciosa. Procure fazer, ocasionalmente, uma "blitz" na mochila para organizar e repor os materiais. Se seu tempo é escasso, habitue seu filho a pedir "aquele algo mais" solicitado pela professora com uma certa antecedência, para que você possa providenciar.


  • Aproveite a hora de dormir ou um domingo chuvoso para ler histórias para ele. Esse é um gesto de carinho inesquecível, além de servir de estímulo para a leitura.


    Finalizando, não é a quantidade, mas sim a qualidade do tempo que conta. Será necessária uma certa tranqüilidade para valorizar os momentos com a família, mas a recompensa será maravilhosa. Seu filho irá desenvolver independência, segurança, responsabilidade, autoconfiança, além de admiração e orgulho por ter uma mãe tão batalhadora e competente!


    * Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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