Quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
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Casamento à prova de filhos!

Por Luiza Helena Marcondes *


As mudanças na rotina familiar são inevitáveis após o nascimento do bebê. A intimidade do casal pode diminuir e os conflitos tendem a surgir com mais freqüência. Mas com bom humor e muita conversa você pode driblar os problemas do dia-a-dia.

Três anos de casamento em perfeita harmonia. Parece que vocês dois nasceram um para o outro. A sexualidade está em alta e o relacionamento passa ao largo dos conflitos e confusões. Mas para selar o matrimônio falta um bebê. Depois de uma muita conversa, ambos chegam ao acordo: é o momento de planejar a vinda do herdeiro.


Nove meses de pura alegria! O casal sonha acordado, não vê a hora de segurar o filho no colo pela primeira vez. Faltam poucos instantes para o acontecimento que mudará a vida de vocês definitivamente.


As contrações começam e chega, afinal,o momento do parto. A ansiedade toma conta. Mais alguns segundos e... buaaaaaaaaá. Finalmente ele nasce, cabeludinho, 48 cm e 3,5 kg, cheio de saúde e pronto para transformar - e transtornar! - a rotina familiar.

Abismo à vista

Nos primeiros dias, tudo é festa. O choro da criança nem incomoda, afinal papai e mamãe já haviam montado um esquema de revezamento para as noites que passariam acordados, embalando o pimpolho. O cronograma segue tranqüilo, com poucas alterações: ela se recuperando, ele curtindo o filhote.


Mas os meses passam e o choro do bebê parece não ter mais fim. Vocês não conseguem mais jantar juntos, sair nos finais de semana, namorar e... Toda a atenção do lar está concentrada na criança. E o casamento? A relação esfria, a mãe só pensa em ser mãe e o pai fica sufocado, com ciúme do herdeiro. A eterna lua-de-mel acabou.


Cuidado! Se o seu casamento está caminhando para o abismo é o momento certo para analisar os fatos e enxergar o que está errado. Para a psicóloga Judith Vero, de São Paulo, o casamento não está em crise porque a família aumentou, mas a chegada do bebê ajudou a aflorar problemas já existentes na vida do casal.


De acordo com a especialista a criança - a partir dos primeiros momentos de vida - capta todas as energias da família. Não é preciso dizer nada ao pequeno. Ele é muito sensível e absorve tudo o que acontece ao seu redor. A medida em que cresce, vai se "aperfeiçoando" e denuncia todos os pontos de atrito do casal.

Alianças quebradas

Uma série de acordos inconscientes mantém as uniões estáveis. Alguns assuntos são banidos das conversas para não desagradar o outro. A partir do nascimento do herdeiro, no entanto, tudo pode mudar. Se, por exemplo, a mulher gosta de uma vida social intensa e o marido não, eles decidem que um sai e outro fica.


Acordo fechado, os conflitos desaparecem. Porém, com o pequeno em casa, os problemas vêm à tona. A criança fala: "papai, a mamãe vai sair hoje à noite". Apesar dessas saídas eventuais já fazerem parte da rotina dela, naquele dia específico ele se irrita, provavelmente porque o assunto não foi bem elaborado. E o cenário de guerra se instala.


Pois é. O pequenino conseguiu armar o circo e criar um clima entre o casal. Certamente não teve nenhuma intenção, mas acabou provocando uma crise. "A criança cresce e coloca o dedo na ferida dos pais", afirma Judith Vero. E quando isso acontece, a ordem é dialogar.


Antes de ir dormir, em vez de ficar emburrada, fale sobre os problemas que a incomodam. Não tenha medo de dizer a seu parceiro que está insatisfeita com a rotina e ouça o que ele tem a dizer. Converse francamente e seja direta. Toque nos pontos que mais a chateiam.

Papai está com ciúme

Saiba, também, que o excesso de atenção ao filho tem o poder de esfriar a relação. A supermãe facilmente esquece a vaidade e os cuidados com o marido. Há quanto tempo vocês não trocam carícias? Cuidado, isso é sinal de que a intimidade está acabando!


Não culpe seu marido por estar com ciúme do bebê. Ele apenas não quer ser trocado pelo filho. Claro que a criança precisa de atenção e de cuidados especiais, mas nenhum parceiro gosta de se sentir posto de lado. Convide-o a cuidar do pimpolho junto com você. Dessa forma, ele não se sentirá rejeitado ou excluído da relação entre mãe e filho.


Depois que a criança estiver dormindo aproveite o tempo disponível para reacender a velha chama do amor. E se na hora "H" vocês forem interrompidos por um choro estridente vindo do quarto ao lado, tratem de encarar com bom humor.


Acredite: após o nascimento do bebê é natural que o relacionamento se transforme e até entre em crise. Segundo a psicóloga, a presença de um filho representa um desafio para o casamento e não deixa de ser uma ótima oportunidade para que ele evolua e se solidifique. Quando os conflitos começarem a aparecer, a conversa é a única saída, portanto não fuja dela.


Comentário:    
       
Lupita 12 de April de 2012 | 18h 43

Muito razoável, concordo plenamente. E’ importante se questionar, pedir ajuda se necessário… e também procurar um espaço exclusivo para os pais. Procurar deixar a criança com um adulto responsável e dar uma saidinha: num barzinho, num parque ou passar um final de semana ou apenas 1 noite fora de casa – para reencontrar a intimidade perdida. Sem se sentirem culpados porque quando os pais são felizes e ligados a criança é mais serena.

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