Quarta-feira, 16 de agosto de 2017
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Faça as pazes com o espelho

Por Maria Paola de Salvo *


Liberte-se da ditadura dos padrões de beleza e aprenda a aceitar seu próprio corpo. Ninguém é obrigado a ser top model!

Você malha, faz dieta, caminha, nada, corre e ainda assim parece estar sempre a anos luz de distância dos corpos esquálidos das supermodelos. Sua filha, que também é vaidosa, segue, ainda com mais afinco, a rotina em busca da forma perfeita. A pressão vem não só das passarelas mas também da televisão, do cinema, das revistas e dos outdoors, que insistem em a vender a idéia do "seja magra e bonita para ser feliz". Cuidado! Ao comprar esse conceito você pode pagar um preço alto: a obsessão pela perfeição e até danos graves à saúde.


Paralelamente a essa guerra contra os pneuzinhos e quilinhos a mais, proliferam a oferta e a variedade de fast-foods, de bolachas, doces e todas as guloseimas nas gôndolas dos supermecados, que se tornam provas de resistência à boa forma e fazem da gula o pecado mais temido e evitado - dentre os sete capitais - na atualidade.



Saiba que a insatisfação com o corpo ronda tanto o público feminino quanto a idéia de supervalorização da beleza. Pesquisas feitas pelo departamento de psicologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, comprovam que mais de 30% das mulheres com peso saudável se acham gordas, enquanto 55% dos homens acima do peso se consideram enxutos.


Para Marcelo Sodelli, psicólogo em São Paulo, estas diferenças entre os sexos têm raízes culturais. "O homem atraente não precisa ser necessariamente bonito, mas espera-se que a mulher possua uma série de atributos como charme e sensualidade, além de um compasso afinado com a balança", explica. Se por um lado o sexo feminino se encontra cada vez mais emancipado, conquistando lugares antes somente ocupados pelos homens, por outro ainda está submisso a padrões estéticos cada dia mais implacáveis.



Mais do que baixa auto-estima, essa preocupação excessiva pode ser traduzida no que os especialistas chamam de dismorfia corporal, ou seja, a pessoa não consegue se enxergar como é, por mais que seu peso esteja adequado, o que pode comprometer ou atrapalhar sua vida social. Nesse caso, procurar ajuda de um especialista é o melhor a fazer.

Padrões X biotipo

Pouco ou muito peito, bumbum grande, cinturinha fina. À medida que a moda elege seus "hits" ao longo das décadas, a corrida pelos centros de estética, pelas academias e clínicas de cirurgias plásticas se acirra, com um único objetivo: a boa forma.


O mercado agradece tanta euforia: no Brasil, a procura por próteses de silicone aumentou 25% no ano de 2000 em relação a 1999, causando escassez no estoque da Silimed, única produtora nacional desse produto. Os números traduzem não somente a luta contra as imperfeições, mas contra o biotipo das pessoas, ou seja, a herança genética.


Se toda a sua família tem aquela barriguinha que teima em não sumir, de nada adianta se acabar nos abdominais para eliminá-la totalmente. Da mesma forma, é utopia sonhar com 1,75m de altura quando seus pais não passam de 1,60m. Nessa distância entre a realidade e os padrões é que a semente das frustrações, complexos e sofrimentos com o próprio corpo, vai encontrar terreno para se desenvolver, podendo resultar em fortes depressões e em distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia.


Para manter a forma sem perder a cabeça, exercícios, alimentação equilibrada e emagrecimento devem visar, primeiramente, a manutenção da saúde e do bem-estar físico e mental e não apenas a transformação estética. Lembre-se de que o limite de seu corpo deve ser respeitado! Afinal ele não precisa e, muitas vezes, nem pode se moldar às formas tidas como perfeitas.

Calorias que

"Eu queria ser magra e alta como as modelos". A frase de Ana Cláudia Jacon, 15 anos e apenas 1,58m, retrata o quanto os adolescentes são consumidores vorazes do ideal do culto ao corpo, além de facilmente influenciáveis pela moda. Isso porque, nesta fase, estão passando por várias transformações físicas, ao mesmo tempo em que a identidade se forma. E para construí-la passam a buscar exemplo nos tipos apresentados pela mídia como bonitos, perfeitos e bem sucedidos. "A insegurança leva o jovem a procurar a aprovação do outro, e a beleza será como um cartão de visita: se tenho um corpo bonito vou me sentir seguro para me aproximar de uma outra pessoa", afirma o psicólogo Marcelo Sodelli.


Ele lembra, ainda, que nem sempre as insatisfações e reclamações comuns dessa idade são injustificadas. A questão pode ser mais complexa, pois geralmente o problema não está no nariz - que a pessoa julga feio, por exemplo - mas todas as suas angústias internas foram jogadas nele, que, na verdade funciona como um bode expiatório. O mesmo pode acontecer com o cabelo, pernas, ou qualquer parte do corpo. Nesse caso, a solução não está na mudança da aparência e sim na transformação da mentalidade.

Filho de peixe, peixinho é

Dosar com equilíbrio a intensidade da malhação e a preocupação com o corpo, além de ser benéfico para a saúde da mulher também é importante para a educação dos filhos. A mãe é o primeiro modelo para a criança, sendo a primeira a influenciá-la. "Uma paciente de 8 anos me contou que sempre sonhava com uma rata gorda, que havia tomado muito remédio e por isso tinha morrido. Na vida real, a rata era a mãe, obsecada por regimes", exemplifica Marcelo, mostrando que a pouca idade dos pequenos não impede o entendimento dos males da vaidade desmedida.


Por isso, para não passar aos filhos a herança da escravidão aos modelos de beleza, a receita é explicar-lhes que nem todas as pessoas bonitas que aparecem na TV são felizes e aceitas pelos outros, sempre procurando discutir e levantar questões. "Só assim as crianças poderão ser críticas diante das Sheilas, Xuxas ou Angélicas que aparecem na telinha", completa o psicólogo.


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