Sexta-feira, 21 de julho de 2017
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À espera do coelho

Por Lucy Casolari *


As crianças não estarão queimando etapas, deixando de acreditar muito cedo no coelho da Páscoa, no Papai Noel, no mundo da fantasia?

A vivacidade dos pequenos acaba por confundir os pais, que sentem dificuldades para resgatar as tradições. As indústrias de chocolate, por sua vez, fazem de tudo para aguçar, ainda mais, o já exacerbado consumismo. Preste atenção, pois a cada ano são lançados novos ovos com grifes do momento: inspirados em personagens dos desenhos animados, nas apresentadoras de programas infantis, nos cantores de sucesso...


Tudo para desencadear aquela correria às prateleiras dos supermercados e lojas. E, claro, para deixar a meninada louca de vontade de saborear guloseimas tão sedutoras. Embora o chocolate seja praticamente o mesmo, o que conta e faz a diferença são os brindes peculiares que compõem o recheio... Vale tudo para vender, sempre mais!


A Páscoa perdeu seu sentido original e as crianças já não sabem mais o significado do coelho e do ovo. Foi algo que se perdeu. Mas, importa, e muito, valorizar as tradições e resgatar a magia nesses tempos de consumismo...

Ninhos e coelhos

Para aqueles pais que tiveram na infância experiências prazerosas em relação a esse ritual talvez seja mais fácil, pois provavelmente terão em sua memória os momentos de expectativa que antecipavam a festa. De todo modo, se seus filhos são pequenos, até 4 ou 5 anos, vale a pena fazer ninhos de ovos e escondê-los, para serem descobertos, apenas, na manhã do domingo.


Use o jardim para isso ou, na falta desse espaço, os vasos do apartamento e não se esqueça de fazer as pegadinhas do coelho com talco no chão. Se a família vai passar os feriados juntamente com outras, combine com as demais um mesmo tipo de ovo para ser escondido por cada um dos pais. Promover a busca coletiva do que o coelho trouxe, entre todas as crianças da casa, é muito divertido e prazeroso. E cada uma fica com o ninho que encontrar, pois são todos similares.


Essas serão lembranças ricas, sobretudo se você conseguir resistir aos apelos insistentes do seu filho e deixar para entregar os ovos, somente, no dia da Páscoa. É provável que seja difícil agüentar as suas reclamações e pedidos, mas tudo terá um sabor especial. Curtir a espera faz parte do aprendizado, e o melhor da festa é esperar por ela, não é mesmo?

O significado do ovo e do coelho

Trazer para os dias de hoje um pouco da história e do significado das comemorações é fundamental para resgatar a sua magia. Conte às crianças a razão dos símbolos. Acredite, quando pequenos, alguns chegam a achar que o coelhinho bota ovos, e de chocolate... Recuperar a história dará um brilho especial para a comemoração, pois enriquece o significado, acrescenta colorido à vida.


Ovo representa o início de uma nova vida e por essa razão está associado à Páscoa. No início, eram utilizados os de galinha, pintados e coloridos com tintas de casca de cebola, beterraba e ervas. Com o passar do tempo, tornaram-se mais elaborados e enfeitados chegando a ser feitos em madeira, cera e até em ouro, verdadeiras jóias.


A associação do chocolate aos ovos de Páscoa é mais recente, data do século XIX. A princípio, eram presentes caríssimos, pois a matéria prima era difícil de ser encontrada. Ficaram mais populares e acessíveis a partir da industrialização. Esse costume, mantido ao longo dos séculos, de oferecer ovos às pessoas queridas está relacionado aos desejos de renascimento, vida nova.


Por outro lado, o coelho é sinônimo de fertilidade e tornou-se símbolo da Páscoa por ser o primeiro animal a sair da toca ao final do inverno o que, nos países de clima frio, anuncia o cessar da neve, a chegada da primavera e a renovação da vida.


Lembre-se de que as crianças adoram histórias. Contá-las é um ato de carinho dos pais, que reconhecem essa forma lúdica e prazerosa de aprendizagem, de onde se extraem momentos ricos em símbolos e significados, capazes de alimentar corações e mentes de filhos e pais.

A tradição e os rituais

As tradições podem ganhar significado e ser vivenciadas a partir de rituais. A função dos ritos, culturais e religiosos, é marcar no dia-a-dia um espaço para se refletir nas razões de viver. Sua maior importância para as comunidades é restabelecer pactos de solidariedade, por meio da cooperação e do respeito aos valores humanos universais.


Os ritos, independentemente da cultura e religião, estão aí para nos lembrar que a vida de hoje é resultado da nossa evolução e do que já aprendemos ao longo dos tempos. Essas coisas importantes do passado estão simbolizadas aqui, na cerimônia, na celebração, no almoço especial e, claro, nos ovos de chocolate.


A percepção desse universo possibilita aos adultos e, conseqüentemente às crianças, a vivência de momentos prazerosos e significativos, muito além da rotina do mero consumismo.

Pequenos adultos

Antigamente era mais fácil alimentar as fantasias das crianças, pois certamente a carga de informações era menor. Eram mais ingênuas, acreditavam em qualquer coisa até irem para a escola na primeira série. Isso é um fato indiscutível. Dizia-se até que levavam muito tempo para abrirem os olhos... Saudosismo e lendas à parte, sabe-se que, embora pareçam muito sabidinhas, continuam a usar a imaginação ao buscar respostas e alívio para suas angústias e ansiedades. Assim são comuns, na fase pré-escolar, a presença do amigo imaginário ou os relatos de crianças que dizem ver gnomos ou duendes.


A partir dos 5 anos as crianças começam a separar a realidade da fantasia. É provável que deixem de acreditar no coelhinho e no Papai Noel como os reais portadores dos ovos de Páscoa ou dos presentes de Natal, mas, no fundo, querem continuar o raro encantamento que dividem com os adultos por uns bons anos. Chegam a mentir aos pais sobre sua descoberta, para não perder uma das melhores partes dessas festas: a espera mágica e a doce ansiedade. Desse modo continuam a curtir esses personagens como símbolos das duas maiores comemorações do Ocidente. Símbolos que fazem parte, com toda pompa e circunstância, dos rituais que trazem sabores, saberes e colorido à nossa vida.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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