Terça, 26 de setembro de 2017
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APRENDIZAGEM, LIÇÃO DE CASA


Estas são dúvidas de usuários respondidas por Norma Leite Brandão, pedagoga e educadora.

Minha filha vai fazer 12 anos. Desde a primeira série, ela não gosta muito de estudar. Em matemática, por exemplo, ela passa sempre na recuperação especial. Na quinta-série (o ano passado) ela foi reprovada em matemática e chorou muito, disse que não queria repetir o ano e outras coisas mais. Eu, meu marido e minha sogra resolvemos colocá-la em outra escola que recebia dependência (progressão). Hoje ela está na sexta série e fazendo progressão em matemática. Mas, não vejo muito interesse da parte dela e isso me angustia muito, muito mesmo. Ela só gosta de música, internet, Big Brother... já desisti de tanto pedir para ela estudar. Será que fiz errado em não reprová-la?


De fato, o social é mais importante que tudo na idade de sua filha. Nessa fase, o que diz respeito às amizades, programas e festas ganha longe dos trabalhos escolares e estudos. A aprendizagem, por sua vez, exige dedicação, concentração e compromisso do aluno, caso contrário, acaba se tornando uma sessão de pedidos e cobranças dos pais em relação a resultados, recuperações, provas, etc. Você menciona que a decisão sobre a mudança de escola para evitar a reprovação foi tomada por mãe, pai e avó a partir dos pedidos e choro de sua filha. Talvez ela seja imatura e é provável que se sinta incompetente em matemática e por isso fuja para assuntos que domina: música, internet, BBB...


Você se questiona se acertou ao mudá-la de escola para impedir a reprovação, entretanto essa decisão já foi tomada. Assim, o mais importante no momento é pensar em como agir daqui para frente. Tenha uma conversa franca com sua filha antes de qualquer alteração. Evite cobranças e comentários negativos em relação às dificuldades e à situação escolar dela (lembre-se de pedir que o pai e a avó façam o mesmo). Estímulo e confiança serão armas poderosas para melhorar a auto-estima de sua filha em relação ao aprendizado. Procure deixar para ela a realização de suas tarefas e estudos, é muito importante que perceba que seus resultados são fruto de seu compromisso com o estudo, mas não se esqueça de apoiá-la e aplaudir seus progressos. Além disso, procure conversar na escola para saber se há algo mais a fazer, às vezes uma professora particular pode ser muito útil, em outras a ajuda de uma psicopedagoga pode ser a saída.


Minha filha tem quatro anos e meio e está se destacando na escola, pois já escreve e reconhece as letras e alguns números. Ela tem muito interesse em escrever e a pedagoga da escola achou melhor ela ir para direto para a pré-escola, pois ela está acima do nível da turma do Jardim II. Seria prejudicial ou não?


A mudança de sua filha para o pré deve ser analisada com cuidado, pois poderá acarretar alguns problemas. Mais importante que o seu interesse e facilidade na escrita é o desenvolvimento como um todo: emocional, físico e social. Suas necessidades são, provavelmente, semelhantes às de crianças da mesma idade, com as quais tem mais afinidade e condição de interagir nas atividades e brincadeiras. Você menciona que, segundo a pedagoga, esse grupo tem nível abaixo do esperado, mas talvez seja apenas mais imaturo.


Além disso, normalmente as classes de pré já têm sua programação mais direcionada para a alfabetização, muitas vezes com alto nível de cobrança. Sua filha, com apenas quatro anos e meio, poderá se ressentir ao estar em contato com algo mais formal e exigente e até se desinteressar da escrita que tanto a encanta no momento.

Aconselho você a conversar melhor com a pedagoga e verificar se não existe a possibilidade de mantê-la no grupo do Jardim II e, ao mesmo tempo, oferecer-lhe os conhecimentos de acordo com a própria demanda, ou seja, satisfazendo sua curiosidade e interesse a partir de suas dúvidas e perguntas. Assim, de uma forma tranqüila, seria possível um desenvolvimento mais harmônico e equilibrado para sua filha.


Como falar da guerra para as crianças?


Esse é um tema complexo, pois dependendo da idade a criança não compreende a dimensão da guerra. Assistem aos noticiários, querem saber quem é "do bem e do mal", não entendem que as lutas podem durar muito tempo, causar muitas mortes (outro assunto difícil), separar pais e filhos. Por não entenderem bem como isso tudo ocorre, é provável que façam perguntas e também fantasiem. Antes dos cinco anos não têm conceitos claros de tempo e espaço, assim, a guerra do Iraque pode ser tão assustadora quanto a violência dos traficantes próxima de sua casa. Pais receptivos, que acolhem as angústias e dúvidas de seus filhos, são preciosos.


Escutá-los, responder suas perguntas de acordo com a demanda parece ser a melhor forma de ajudá-los. Para isso devolva-lhes a pergunta, para saber exatamente quais as suas questões e quais conhecimentos já possuem. Desse modo as respostas dos pais estarão, provavelmente, mais adequadas ao nível de compreensão das crianças. Algumas crianças podem se sentir ansiosas e angustiadas por não conseguirem interpretar as notícias da guerra, é importante que possam falar sobre suas aflições, medos. Procure dar oportunidade para que seu filho expresse seus pensamentos e fale sobre as imagens que criou a partir do que assistiu na TV. Pergunte o que ele sabe, deseja saber e o que o impressiona. Um bom momento para falar sobre intolerância, valor da vida, preconceito, solidariedade. Ah, não se esqueça de mostrar que numa guerra sempre há dois lados, mas ao dar sua opinião seja verdadeira consigo mesma.




Meu marido reclama quando meu filho quer assistir novelas, pois diz que isso é coisa de mulherzinha. Queria saber a sua opinião a respeito.


A opinião de seu marido sobre as novelas é discutível, principalmente hoje em dia. Há muito tempo novela deixou de ser coisa de mulher. Entretanto, os conteúdos e cenas nem sempre são adequados para a meninada, mas sabemos o quanto é difícil impedir que assistam a esses programas. Sugiro, então que se tente algumas estratégias para driblar essa situação: oferecer alternativas de programas na própria telinha.


Outra saída é substituir o horário da novela por outras atividades tais como jogos, desde os tradicionais como damas, dominó, etc., até os educativos (há alguns interessantes disponível no mercado), sem esquecer dos videogames e jogos de computador, claro. Para isso é necessário que os pais tenham disponibilidade, tempo, paciência...


Por outro lado, assistir a novela junto com seu filho, pode ser muito interessante, aproveite para comentar de modo informal o que está sendo exibido. O objetivo é desenvolver uma postura crítica, evitar que a criança fique à mercê do conteúdo que a TV passa. Uma simples observação por parte dos pais pode provocar a ruptura necessária para que a criança perceba que não é obrigada a concordar com tudo que está sendo exibido. Isso deve ser feito, porém, de forma casual, sem pressão ou imposição, apenas para que o filho perceba que existem várias formas de se encarar uma mesma situação. Não é para obrigar o filho a pensar da mesma forma que você. Ouvir a opinião da criança é também muito interessante, porque nos mostra o que ela pensa.

Meu filho me dá um trabalho enorme pois não quer fazer as tarefas de casa. Ele tem 5 anos e já conversei, coloquei de castigo, perdi a paciência, mas nada funciona. O que fazer nestes casos?


Seu filho tem somente 5 anos. Nessa idade, normalmente, as crianças ainda não têm incorporado o hábito da lição de casa. É uma resistência normal, em muitos casos esperada. Mas é necessário, também, que você observe que tipo de proposta está contida nesta lição. Há algumas escolas, mais tradicionais, que colocam um peso demasiado nas lições de casa nessa faixa etária, o que pode causar certos problemas para as crianças, ainda imaturas para o volume. Esqueça o castigo. Procure a escola e coloque o problema e investigue como ele está lidando com as lições na sala de aula. Ninguém melhor, nesse caso, do que a professora, até mesmo para rever a dosagem e encontrar caminhos de incentivo.


Estou procurando uma escola para minha filha de cinco anos. Gostei de uma, mas lá passam dever de casa no Jardim III. Isto prejudica o interesse da criança? Não seria uma atitude prematura?


O problema não é a lição de casa em si. Se for uma atividade lúdica, gostosa, sem uma exigência "pesada", a lição de casa nessa idade pode ser até interessante. Claro, sua filha ainda não tem idade para se lembrar dessa responsabilidade. Você precisará orientá-la. Mas procure averiguar, antes, que tipo de lição de casa a escola propõe para essa faixa etária. Há algumas escolas que realmente fazem a tarefa virar um "inferno", podendo, inclusive, desmotivar a criança. Verifique também a freqüência e a quantidade de lições. Isso lhe dará pistas para uma decisão.



A minha filha é muito preguiçosa. Ela tem 7 anos, cursa a primeira série e só estuda se mandarmos, mas tira notas 9, em média. Uma professora particular a está ajudando 3 vezes por semana, mas ela não melhorou. Como estimulá-la para os estudos?



Sua filha, pelo resultado das notas, não parece demonstrar dificuldades de aprendizagem. Muito ao contrário. Você acha mesmo necessário colocar alguém três vezes por semana para trabalhar com ela? Será que suas expectativas não são muito altas? Uma criança com média 9 não tem o perfil de quem necessita de um acompanhamento constante. Normalmente uma criança desmotivada ou preguiçosa nos estudos demonstra outro rendimento escolar.

Você pergunta como estimulá-la na escola. Bem, nessa faixa etária, as crianças costumam estar profundamente envolvidas com o processo de aprendizagem. Estão descobrindo o mundo. Os problemas aparecem, normalmente, quando há dificuldades de compreensão ou quando a metodologia da escola não atende às necessidades. Escolas com excesso de conteúdo podem causar desestímulo às crianças. Cabe a você analisar o quadro. De qualquer forma, seria importante que você conversasse com a professora sobre suas inquietações. Ninguém melhor do que ela para avaliar o que ocorre, de fato. Ela tem o perfil de sua filha e o perfil da classe, e terá condições de oferecer dados mais concretos para se pensar em formas de atuação.



Como reagem as crianças, no caso de sete anos, que freqüentam o colégio em horário integral, das 7:00 às 19:00?


Os pais devem analisar com cuidado o horário integral. Se ele for repleto de conteúdo, pode representar uma carga muito pesada nessa faixa etária. Há necessidade da existência de atividades bem dosadas, que mesclem trabalho intelectual com trabalhos lúdicos, corporais.


A minha filha cursa a segunda série do Ensino Fundamental e tem certa rejeição à Matemática, apesar de apresentar notas satisfatórias. Como ajudá-la a aceitar a matéria para que ela não se desgaste tanto na hora de estudar para as provas?


Essa questão referente à matemática é histórica. Freqüentemente vemos os pais lutando com essa área. Esse desgaste é fruto, muitas vezes, de um ensino mais tradicional, mais técnico, em que o conteúdo é desvinculado da realidade. Aprendem-se conceitos, mas as crianças não sabem muito bem para que utilizá-los. Desconheço a proposta de trabalho realizada na escola de sua filha. Portanto, não sei se é isso o que ocorre. Mas essa é uma questão séria. Se as crianças perdem o prazer pela matéria, logo cedo, tudo fica mais difícil depois.

As crianças não deveriam estudar somente para as provas e sim diariamente, para que o resultado dos exames fosse fruto do estudo constante. Tente fazer com que sua filhe trabalhe todos os dias em matemática, por meia hora somente. O importante é que ela não acumule o conteúdo. Isso vale para todas as matérias.


Qual o método mais usado e/ou mais fácil para ensino da divisão de números inteiros?

Não há um método considerado mais fácil ou mais usado e sim o processo longo e o curto. Muitas escolas começam pelo longo, para que os alunos compreendam melhor e, depois, fazem a passagem para o curto. O importante é que sua filha, em casa, nos estudos, utilize o método que a escola está ensinando. Digo isso porque, muitas vezes, os pais, querendo auxiliar, apresentam um outro método e isso atrapalha as crianças.



Meu filho tem 8 anos e está na segunda série. Seu aproveitamento escolar sempre foi acima da média, porém fazer a lição de casa é um problema. Ele diz que não sabe fazer ou que já fez e, quando checo, falta mais da metade. Como eu deveria proceder?



Se seu filho não demonstra dificuldades reais de aprendizagem, a questão parece estar na responsabilidade em relação às tarefas de casa, não é mesmo? Pois é a hora e a vez de sistematizar essa lição, de maneira a, gradativamente, torná-lo autônomo. Para algumas crianças, esse é um processo mais demorado. Mas cabe à família "fechar o cerco" em algumas questões. Isso não significa ficar ao lado dele o tempo todo, controlando, pois muitas vezes isso é pior. Organize os horários de estudo e olhe posteriormente. Se ele disser que não sabe e você sentir que isso é real, encaminhe à professora. Ela precisa ter a medida do quanto ele consegue fazer sozinho ou não. Se você sentir que ele fez de qualquer jeito ou pela metade em função da pressa, faça-o retomar a lição, ainda que isso signifique suprimir algum tempo das coisas que ele gosta de fazer. Se, ainda assim, a coisa persistir, não se desgaste. Encaminhe um bilhete à professora contando o processo e faça com que ele se entenda com ela. Muitas vezes, só o fato de ter que assumir junto à professora a ausência da lição, faz com que as crianças se conscientizem mais do que mil palavras dos pais. Isso não significa omissão de sua parte. Significa que você lhe deu todas as oportunidades e, assim mesmo, a coisa não funcionou.

Quanto mais cedo o hábito da lição de casa estiver incorporado, melhor. Ah! Um lembrete: verifique o volume da lição. Se ele for muito grande, pode ser que o tempo de concentração de seu filho ainda seja pequeno. Nesse caso, converse com a escola. É preferível um volume menor e feito com qualidade a muito conteúdo feito com pressa e sem atenção.



Meu filho de 10 anos não quer mais estudar, está de recuperação em quase todas as matérias e tem muita preguiça. Existe alguma solução?



É uma idade difícil mesmo. As crianças estão mais dispersas, voltadas para outros interesses e, além disso, começam a entrar num período delicado. Final de quarta série, começo de quinta... é um enrosco só! A falta de envolvimento com o estudo pode estar ligada a vários fatores: à dinâmica familiar, à metodologia da escola ou mesmo a dificuldades reais de aprendizagem. Quando os problemas aparecem em todas as áreas, pode representar algo maior: reais dificuldades na sua relação com o conhecimento. Descubra o que a escola diz diante do quadro. Sinaliza problemas na compreensão ou justifica as notas pelo comportamento? Esse quadro apareceu agora ou sempre existiu?



Minha filha de 12 anos tem dificuldade para a aprendizagem, aquela "velha preguiça de estudar". Já levei a uma psicóloga, porém o resultado não foi satisfatório. Está com uma psicopedagoga há três meses, mas não estou vendo nenhum resultado. O processo é assim mesmo?



Dificuldade real de aprendizagem é diferente de "aquela velha preguiça de estudar". Podem se confundir, sem dúvida alguma, mas são coisas diferentes. As dificuldades de aprendizagem têm origens diversas e por isso é importante que se analise cada caso. Podem ter sua origem numa imaturidade emocional, num processo inicial de escola inadequado ou mesmo em aspectos mais específicos da aprendizagem, que envolvem leitura e escrita.

Você nos diz que sua filha iniciou um trabalho com uma psicóloga e agora está com uma psicopedagoga. Ambos os atendimentos têm resultados a médio e a longo prazo. Isso dependerá da freqüência do atendimento, do profissional envolvido e do momento que sua filha atravessa. Ela está no início da adolescência. Essa fase pode complicar o quadro, exigindo de todos maior paciência na busca por resultados. Ao mesmo tempo, mudanças podem estar acontecendo e ainda não aparecerem de forma concreta. Mas, se as coisas estão difíceis, elas podem ficar piores sem a ajuda do profissional correto.



Como desenvolver em meu filho o prazer pela leitura e redação? Ele tem 12 anos e está na 6ª série. O colégio deveria criar espaços nas aulas de português para a elaboração de redações? Com qual freqüência um garoto dessa idade deve escrever para se familiarizar com este hábito?



O desenvolvimento do trabalho com redações é algo importantíssimo durante todo o ensino fundamental. A freqüência esperada? Ao menos três vezes por semana. Você deve estar dando risada porque nenhuma escola faz isso. É verdade. Poucas escolas acordaram realmente para importância da produção escrita. Até acham essencial, mas não criam mecanismos para que ela aconteça. Só se aprende a escrever, escrevendo. E as escolas continuam, muitas vezes, com um ensino acadêmico, cheio de regras a serem decoradas, mas não colocam essas regras em prática. Aos 12 anos, um adolescente já deveria ter o hábito diário da escrita. O que costuma acontecer, nessa faixa etária, é a diminuição da produção nas escolas. Uma sugestão: vá até a escola de seu filho. Todos os pais deveriam ter esse movimento. Isso é mais importante do que a mera preocupação com as tais provas bimestrais.

Para incentivar o gosto pela leitura, sugerimos que você leia, no Clicfilhos, o artigo denominado "Leitura, o desafio de pais e professores", com dicas que podem ajudá-lo.


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