Quinta-feira, 25 de maio de 2017
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Ah, os meninos...

Por Carla Oliveira *


Apesar das mulheres serem consideradas o 'sexo frágil', os homens também sofrem - e muito! Entenda melhor seu garoto para que você possa ajudá-lo a enfrentar as dificuldades e a ser um homem feliz!

Homens e mulheres são muito diferentes. Eles são mais racionais, mais objetivos, orientam-se melhor no espaço, realizam cálculos matemáticos mais rapidamente. Elas são mais emotivas, mais generosas, mais detalhistas e têm uma memória melhor. Durante muito tempo, os homens imperaram absolutos na sociedade, tratando as mulheres como seres inferiores, incapazes, fracos - enfim, o "sexo frágil".


Após anos de lutas, as mulheres conquistaram os mesmos direitos, oportunidades e reconhecimento dos homens. Elas não são mais tratadas com discriminação, e sim com respeito. E os homens? Será que não está na hora de rever a forma como são tratados? A resposta é sim. Para o norte-americano Steve Biddulph, autor do livro
"Criando Meninos"
, os homens estão passando por uma crise e é preciso reavaliar a educação que está sendo dada a eles desde a infância.


Os garotos são criados para serem fortes, corajosos, trabalhadores, confiantes, viris - ou seja, verdadeiros "heróis". Mas, ao mesmo tempo, suas necessidades e seus sentimentos estão sendo ignorados. Atualmente, os homens estão mais propensos a se envolver em acidentes, a ser vítimas de violência, a cometer suicídio e a envolver-se com drogas. De acordo com Steve, os garotos têm três vezes mais chances de morrer do que as garotas até completarem 25 anos. Está nas mãos dos pais e dos educadores mudar essa situação!

Homem chora, sim!

Ao perguntar a uma grávida se ela deseja que seu bebê seja menino ou menina, é muito comum ouvir a seguinte resposta: "Prefiro menina, dá menos trabalho". Os garotos são tidos como bagunceiros, briguentos, desleixados, preguiçosos. Na maioria dos casos, é verdade mesmo. Mas, você já parou para pensar porque eles agem assim?


No livro Criando Meninos, o autor diz que os meninos se metem em confusões e se mostram desinteressados nos estudos para chamar a atenção. Ao invés de perceberem isso, as escolas e os pais lhes aplicam punições e lhes dão o rótulo de "problemáticos". A verdade é que as garotas podem expressar suas emoções e pedir ajuda, mas os garotos não. "Se a menina chega em casa chorando, dizendo que um colega brigou com ela, os pais a pegam no colo, fazem carinho e se mostram compreensivos. Quando é o menino quem volta chorando pelo mesmo motivo, os pais já ficam bravos, dizendo que ele tem que se defender e bater no outro", explica a psicóloga Elizabeth Brandão, professora da PUC-SP.


A sociedade não aceita as demonstrações de sensibilidade e fragilidade dos garotos, o que está muito ligado ao medo que os pais têm de que seus filhos se tornem homossexuais. Então, os meninos têm que se manifestar de outras formas: batendo, gritando, competindo, fazendo bagunça, falhando na escola. E, no futuro, eles irão se expor mais ao perigo, justamente por acreditar que são invulneráveis, fortes e que têm de "agüentar qualquer parada". Por isso, atenção: ao criar seu filhote desta maneira, você o estará estimulando a se colocar em situações de risco!


É claro que a testosterona também influencia muito esse comportamento. As oscilações da presença deste hormônio no corpo dos meninos estão diretamente relacionadas ao aumento da agressividade, da competitividade, da determinação e do interesse por atividades como futebol, brincadeiras agitadas, jogos de guerra, lutas e super-heróis.

Necessidades especiais

Assim como as garotas, os meninos também precisam de atenção diferenciada em muitos aspectos. Steve Biddulph defende que os meninos não devem ir para a creche antes dos três anos, pois ficam mais ansiosos do que as meninas ao se separar dos pais quando pequenos, podendo desenvolver um comportamento agressivo. Ele também acredita que os garotos devam iniciar a primeira série um ano depois das garotas, pois seu cérebro se desenvolve um pouco mais lentamente.


Segundo o autor, os meninos tendem a ser mais arrogantes. Por isso, não trate seu filho como um "pequeno deus". Ensine-o a ser humilde e a tratar as pessoas com respeito. Isso será muito importante para seu futuro! "As mães mimam demais os filhos homens, ao mesmo tempo em que exigem demais deles. Elas passam a vida toda colocando comida no prato deles, fazendo tudo por eles, cuidando para que não sofram frustrações, mas querem que eles sejam fortes e demonstrem capacidade para resolver todos os problemas. Como eles vão resolver os problemas se a vida todas elas fizeram isso por eles?", questiona a psicóloga Elizabeth.


A partir dos seis anos, o pai se torna a figura principal para os meninos, que começam a desenvolver as primeiras noções de masculinidade. Já na adolescência, a presença de um modelo masculino se torna ainda mais importante, como se fosse um mentor a guiá-lo no "mundo dos homens". O ideal é que esse mentor seja o pai, mas se você cria seu filho sozinha, certifique-se que há alguém que possa representar esse papel na vida do seu filho: um tio, um avô, um professor ou mesmo o treinador de futebol.


"Enquanto a mãe desenvolve as funções de cuidar, proteger e evitar o sofrimento, o pai faz o papel de impor limites, de cortar um pouco o excesso de proteção da mãe e estimular a independência dos filhos. Por isso, a figura do pai é tão importante", explica a psicóloga Elizabeth. Mas, a especialista ressalta que o pai não pode ser muito condescendente, senão a criança acaba sendo criada por "duas mães" e fica sem limites. "É preciso ser firme e passar confiança, mas sem ser autoritário demais", define.

Dicas para o dia-a-dia

Para resumir toda essa história, o grande desafio que se apresenta para os pais, hoje em dia, é criar meninos carinhosos, comunicativos, confiantes, amorosos e generosos, sem pressioná-los demais e atendendo suas necessidades específicas. Isso é possível desde que se entenda a natureza masculina e que os preconceitos e estereótipos sejam esquecidos. Para ajudá-los nessa tarefa, aí vão algumas dicas:


  • Não pressione seu filho com frases do tipo: "seja homem", "seja macho", "homem não chora", "homem não sente dor".

  • Como os meninos são mais fechados, preste atenção a sinais que podem indicar algum problema: falta de sono, falta de apetite, tiques nervosos, mudanças de comportamento.

  • Demonstre a seu filho que ele pode ser quem ele é, que ele será aceito e acolhido. Não tente moldar a personalidade dele de acordo com suas próprias convicções.

  • Não reforce preconceitos: se o garoto quiser brincar de boneca, de casinha ou de escolinha, não interfira. Isso não significa que o garoto irá se tornar homossexual!

  • Permita que seu filho manifeste tristeza, insegurança, ansiedade e lhe dê apoio. Converse bastante com ele, para ele sentir que pode contar com você quando precisar.

  • Esqueça os estereótipos: ser homem não significa ser "garanhão", ser forte e decidido, gostar de futebol, ser insensível e não ter medo de nada.

  • Ensine seu garoto a tratar bem as mulheres e a ter respeito e admiração por elas. Se você gostaria que os homens fossem diferentes, comece por seu filho! Mas cuidado para não descarregar nele sentimentos que você guardou ao longo de suas experiências.


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