Segunda-feira, 29 de maio de 2017
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Apatia juvenil, em que medida ela é real

Por Norma Leite Brandão *


No início da adolescência bate aquela preguiça para tudo. O que fazer para "sacudir" essa meninada? Existem saídas?

Preguiça, moleza, desinteresse... tudo parece tão insípido e chato! Tudo? Tudo mesmo? Ora, não é bem assim, sabemos nós! Quando o assunto é festa, música e baladas, tudo ganha cor e forma. Eles querem agito. O movimento rápido e fugaz, o social e a velocidade com que tudo acontece é o que interessa ao jovem. Porque o mundo assim está. As cenas passam por nós como um clip, sem que se tenha a possibilidade de pensar muito bem no que ocorre, sem a oportunidade de metabolizar, de se entregar de corpo e alma às tarefas e às relações. É como se nada tivesse profundidade e se pairasse sempre na superfície.

A cor e a luz perdidas

Quando se fala em preguiça e desinteresse por parte dos jovens, estamos falando, principalmente, em ausência de cor, de luz em seu cotidiano. Claro, é uma fase difícil. Eles ficam verdadeiramente intratáveis, em alguns casos. Não há pai ou mãe que, nesse período, que não viva momentos de ansiedade, muitas vezes torturantes. O que fazer para mobilizar o jovem de hoje? Como "antená-lo" no que é produtivo, naquilo que fará realmente diferença em sua vida? De que forma sacudi-lo efetivamente?


Bem, regras definidas e únicas não existem. Mas algumas tentativas devem ser feitas por pais e mães que estejam buscando saídas nessa fase tão delicada. Para isso, seria importante lembrar que:


  • Cada filho é um e no caminho de se descobrir seus desejos e potencialidades é necessário investigar suas tendências. O que oferecer como possibilidade para fazer aflorar o prazer, o gosto e, conseqüentemente, a disciplina para direcionar determinada atividade? Há filhos que gostam de música, outros de desenho. Há, também, aqueles que, desde cedo, são pequenos cientistas... Aqui, o que vale é a percepção, a sensibilidade para oferecer, disponibilizar material, livros, CD`s, indicar filmes...

  • Mostre que, no caminho de qualquer empreitada, as dificuldades existem. Nem por isso as coisas ficam desagradáveis. Muito pelo contrário. Inúmeras vezes os adolescentes desistem de seus objetivos no primeiro problema. É natural. Não percebem, ainda, que o prazer fica maior quando os desafios são vencidos. São os adultos que precisam ensiná-los a ter persistência.

  • É fundamental que, ao longo do caminho, ele se sinta autônomo. Para isso, cerque no começo, oriente-o no que for preciso, mas vá afrouxando o cerco a medida em que perceber que seu interesse aumenta e que ele já é capaz de andar com as próprias pernas. Verá que cada descoberta virará uma festa!

    Fazer brilhar os olhos

    Existe, no entanto, uma máxima que deve ser levada em conta quando se fala em perceber os filhos e orientá-los conforme seu interesse: ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.


    Parece simples, mas não é. Não é mesmo! Nós nos queixamos muito da apatia juvenil, mas nos esquecemos da nossa apatia, não é mesmo? Da nossa correria do dia-a-dia, de nosso olho que já não brilha mais diante dos desafios, de nossa ausência de perspectivas diante de determinadas situações. Freqüentemente nos esquecemos de que os jovens são o reflexo de sua família e da comunidade em que estão inseridos. Se esse ambiente social não tiver energia, não buscar o novo, não procurar suas necessidades e não desenvolver a disciplina para canalizá-las, os adolescentes também não o farão.


    Fazer brilhar os olhos é ter perspectiva. Sonhar, desejar algo que não signifique simplesmente um bem material - mas o desenvolvimento de uma habilidade - é dar eixo, é fazer com que seu filho perceba, numa idade tão complexa e de perda de identidade, que é criativo e produtivo. Mais do que isso, nessa fase tão delicada, é preciso dar sentido a seus atos. Fazer com que as ações ganhem significado faz parte da missão de pais que se olham, se percebem e se revêem em seus atos cotidianos.


    Por isso, busque sua lamparina, aquela que está escondidinha... Ela irá ajudá-la a descobrir caminhos nessa tarefa e, mais do que isso, servirá para iluminar a vida de seu filho, a fazê-lo perceber luzes, cores, cheiros e sabores! Simplesmente porque isso é a vida: um enorme banquete, feito de pequenas coisas, simples e rotineiras, mas com o sabor de quem pesquisou, foi atrás e o preparou com carinho, amor e dedicação. Vá em frente e... Boa ceia!


    * Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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