Segunda-feira, 29 de maio de 2017
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Sexo, como falar

Por Tânia Zagury *


Por que falar, quando falar e como falar sobre sexo são questões fundamentais na educação de seus filhos. Confira, aqui, o que você deve fazer e, principalmente, o que precisa evitar a qualquer custo. Boa sorte!!!

Tendo decidido que é importante não deixar para outros a tarefa da falar com os filhos sobre sexo (leia o artigo "Sexo, por que falar?") e de posse ainda das informações sobre o que falar em cada momento do desenvolvimento de seus filhos (confira em "Sexo, quando falar?"), o mais importante, a seguir, com relação a esse tema tão delicado, é ter noções básicas sobre a forma mais adequada de abordar o assunto.

Um ótimo começo é pensar no que não devemos fazer (o que relaciono, em seguida, costumam ser os erros mais comuns que nós, pais, cometemos ao tentar orientar nossos filhos e que, aliás, ao contrário do que desejaríamos, funcionam maravilhosamente bem como elementos para encerrar qualquer diálogo e aniquilar nos jovens o desejo de nos ouvir). Então, vamos lá:

O que devemos evitar a todo custo:

  • Começar chamando os filhos "para um papo muito sério e importante" (isso é meio caminho andado para eles ficarem na defensiva).

  • Transformar o momento da conversa numa espécie de aula expositiva ou palestra (dois minutos depois eles estarão morrendo de tédio).

  • Adotar uma postura professoral, moralista ou teórica (eles odiarão cada minuto).

  • Utilizar argumentos tais como "fica feio", "o que os outros vão pensar", etc., que de forma alguma encontram eco na mente e no coração dos jovens.

  • A cada frase, observação ou revelação que os jovem fizerem, contra-atacar com mil perguntas, verdadeiros interrogatórios (o que os levará a jurar "nunca mais abrir a boca" quando vocês perguntarem alguma coisa sobre sexo).

  • Responder de forma evasiva e não objetiva às perguntas que eles, por ventura, lhes façam (os jovens e as crianças têm um sexto sentido, muito apurado por sinal, para detectar quando nós estamos ou não sendo autênticos).

  • É também muito contraproducente começar falar sobre contracepção, doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez precoce após uma discussão ou no momento em que vocês acabaram de ser informados de que sua filhinha de 13 anos, tão linda e inocente, está namorando um rapaz de 22. Obviamente, as condições emocionais, de ambos os lados, não ajudarão em nada o surgimento de um clima propício a trocas e confiança.

    Orientar nossos filhos sobre sexo é, na verdade:

  • Criar oportunidades para conversas informais, descontraídas, em clima saudável e feliz, num momento em que todos - pais e filhos - estejam bem, de bom humor e com tempo para conversar.

  • Antes de mais nada, saber ouvir, muito mais do que falar, falar, ensinar, ditar regras.

  • Começar a tratar os temas muito antes de eles "precisarem", isto é, por exemplo, falar sobre contracepção quando o filho já está "transando" pode ser tarde demais; não acreditar que o conhecimento pode levar à vida sexual mais cedo do que se não soubessem "tanto".Esse tipo de idéia preconcebida é que impede muitos pais de alicerçarem os conhecimentos dos filhos.

  • Ter conhecimento sobre o assunto. Quanto mais embasadas em fatos forem nossas afirmativas, mais confiabilidade teremos. Apresentem aos filhos artigos, números, informações reais e não apenas o que vocês pensam ou acham. A formalização técnica e moral surgirá de forma mais eficiente se ocorrer durante uma troca de idéias, em momentos nos quais ambos os lados possam falar sobre seus pensamentos.

  • Expor nossos sentimentos, medos e preocupações sem agressividade nem autoritarismo, mas com carinho e amor, de forma que nossos filhos possam compreender melhor o que nos preocupa e, assim, aceitar de forma mais tranqüila os limites que, por vezes, temos de impor.

  • Deixar bem claros os limites e as regras que a família segue. Essa clareza evita muitos aborrecimentos. Recentes pesquisas feitas com adolescentes nos Estados Unidos indicam que poucos pais são efetivamente objetivos e claros quanto a suas posições em relação a vários assuntos, tais como sexo e drogas. Ter certeza sobre o comportamento moral da família é uma base excelente para os jovens, nem que seja para constituir o ponto de partida sobre o qual, eles próprios, erigirão seus conceitos. Por isso, não hesitem em deixar bem claro não só o que pensam, mas como vocês se posicionariam em situações como, por exemplo, gravidez precoce. Se vocês acham que sexo na adolescência é algo que não deve ocorrer, digam isso com toda a clareza, enfatizando até mesmo o que vocês esperam em termos de comportamento. Se, ao contrário, acham que não há problema em iniciar uma vida sexual ativa antes dos 18 anos, orientem seus filhos e esclareçam pontos fundamentais como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, necessidade de acompanhamento para as meninas de um médico ginecologista, etc.

  • Se seu filho ou filha foge do assunto, procurem aproveitar ocasiões oportunas para trazer o assunto à baila, como se fosse uma espécie de "coincidência". Uma notícia na TV, por exemplo, sobre estupro, que, infelizmente, não é nada rara, pode propiciar excelente oportunidade informal para orientar os rapazes sobre o respeito e direitos da mulher, e as meninas sobre como evitar situações de risco.

    O assunto é vasto e complexo, mas, se seguirmos essas regras, as chances de alcançar êxito são muito grandes. Então, mãos à obra, porque isso não pode esperar...


    * Tânia Zagury é filósofa, mestre em Educação, professora adjunta da UFRJ, autora dos livros Sem Padecer no Paraíso, Educar sem Culpa, O Adolescente por Ele Mesmo, Rampa e Encurtando a Adolescência, entre outros.


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